Luna: tratamento integrado e holístico a uma cadelinha com câncer raro e agressivo

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historia cachorro

Esta história é de uma cachorrinha chamada Luna que tem aproximadamente 12 anos de existência. Luna e seus tutores moram no bairro Jardim Grimaldi, na zona Leste de SP. Em abril de 2017, Luna foi diagnosticada com mieloma múltiplo, um tumor cancerígeno raro e maligno que só ocorre dentro da medula óssea devido ao crescimento descontrolado dos plasmócitos, células responsáveis pela produção de anticorpos. Essa doença é agressiva e mortal e na literatura veterinária não há um caso que tenha ocorrido cura ou regressão do tumor, até agora. 

Luna tem sido uma exceção e, para saber como se deu esse fato que pode vir a fazer a diferença no sentido de tratamento e cura em outros casos, acompanhem a matéria com as seguintes informações

 

1. Luna antes da doença

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Os tutores da cadelinha Luna, Adriana (Drika) Martins e Walter Pellizon Júnior resgataram ela da rua quando era filhotinha, no ano de 2006.
Luna vive com uma outra cadelinha, a Maya, uma shih tzu que foi resgatada pelo casal, antes da adoção ela era explorada como matriz em uma “fábrica de filhotes.”

A cadelinha Luna sempre foi muito ativa, saudável, companheira, brincalhona, corria para cima e para baixo e latia com os vizinhos.

Drika relembra:

“Ela sempre foi alegre, feliz e muito ativa. Eu sempre disse que ela tinha hiperatividade.
Ela corria, brincava, viajava com a gente, ia para todos os lugares, corria na praia, era muito espoletinha. Os lugares que ela mais gostava eram um parque no Tatuapé e a praia. Como ela adorava, como ela corria nesses lugares.
Cheirava tudo. Ela brincava com outros animais. Ela tinha alegria de viver.”

2. O diagnóstico que mudou a vida de Luna e de seus tutores

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No dia 19 de abril de 2017, Luna foi diagnóstica como portadora de um tumor na medula. Após essa triste notícia, ela foi encaminhada para o veterinário e radiologista Daniel Baptista, que confirmou o diagnóstico para os tutores de Luna.

Em entrevista à ANDA- Agência Nacional de Direitos Animais, o Dr. Daniel Baptista comentou sobre o resultado:

“A Luna foi encaminhada por um colega veterinário para radiografar, dentre outras regiões, o segmento lombar da coluna também.
Na radiografia, notou-se sinais característicos de uma neoplasia óssea (crescimento anormal de células), que possui um aspecto considerado agressivo pois deforma as características radiográficas anatômicas da vértebra.
Havia indícios de compressão à medula, mas seriam necessários outros exames complementares para confirmar o diagnóstico mais ‘refinado’, como a citologia aspirativa e/ou a biópsia do osso para a conclusão do tipo de tumor que a acometia.”

Depois da radiografia, Luna passou por uma cirurgia e mais exames, incluindo um imuno-histoquímico, que mostrou as características do tumor a nível molecular e confirmou o diagnóstico de mieloma.

Drika recorda que mesmo antes da confirmação do câncer, Luna dava sinais que algo estava acontecendo em seu corpinho e sobre isso ela relata:

“Os primeiros sinais apareceram bem antes. Ela apresentava um quadro de dor constante.
A gente fazia o movimento da patinha e ela não voltava, sinais que havia um problema neurológico já. E a Luna mudou o comportamento, passou a ficar apática, muito triste."

Walter, marido de Drika ressalta que sempre deram importância aos cuidados com os cachorros da família e sobre isso ele diz:

“Adriana sempre foi muito ativa nessa parte de cuidados preventivos com os nossos cachorros. Ela sempre levou ao veterinário.”

Segundo relato de Walter, antes da confirmação da doença, Luna estava com dificuldades para subir escadas e pular na cama, mas a suspeita era que fosse uma hérnia ou problema na coluna, mas que até então não tinha tido uma definição da causa pelos médicos veterinários.

Os tutores de Luna descrevem como reagiram após o diagnóstico:

“Eu fiquei muito chateado, porque câncer a gente já sabe que significa a morte, então eu já sabia que a Luna estava com os dias contatos", disse Walter.

“Eu estava com ela quando recebi o diagnóstico. Na hora foi uma dor, uma dor horrível. Eu senti uma tristeza profunda.
Eu senti um desespero. Eu senti medo. Medo pelo que ela pudesse vir a ter que enfrentar. Medo pela vida dela, porque eu percebi que era muito grave”, recordou Drika.

Infelizmente a doença deixou sequelas em Luna, em consequência de uma cirurgia para a realização da biópsia do tumor, que foi na vértebra e acabou comprometendo a passagem do impulso nervoso, provocando um dano medular que deixou Luna paraplégica.

3. Tratamento Integrado e Holístico para Luna

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Diante da confirmação da doença, Drika e Walter tinham que tomar uma decisão para tratar da melhor forma de Luna, visando mantê-la viva e bem, mesmo com a limitação dela não poder andar.

A primeira opção de tratamento que foi analisada foi a quimioterapia, um tratamento que destrói as células cancerígenas de rápido crescimento, mas em contrapartida prejudica as células saudáveis.

Após conversar com diversos profissionais, o casal chegou a conclusão que, com um tratamento convencional, Luna teria poucas chances e ainda iria sofrer até os últimos dias de sua vida.

Drika e Walter analisaram a possibilidade de realizar o tratamento experimental à base de fosfoetanolamina sintética, que ficou famoso após o estudo da “pílula do câncer” realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), entretanto não conseguiram um veterinário que se dispusesse a fazer o requerimento formal e judicial para efetivar esse tratamento.

A pesquisa por uma terapia alternativa foi difícil, ainda mais pela gravidade do diagnóstico de Luna, mas valeu a pena o empenho dos tutores de Luna que acabaram por encontrar uma porta aberta de tratamento alternativo para a Luna na cidade de Brasília, no Distrito Federal, através da médica veterinária e acadêmica Ana Catarina, doutorada em terapia integrativa.

A principal preocupação da Dra. Ana Catarina diante do quadro de Luna era proporcionar qualidade de vida e sobre isso ela explicou: 

“Quando você avalia o caso e percebe que é um paciente idoso, debilitado, com mieloma, uma tumor super agressivo, o que você vai fazer com ele?  Entrar com a quimioterapia? Não faz sentido então que a gente buscasse uma terapêutica que fosse menos agressiva e fornecesse uma qualidade de vida.” 

A veterinária Ana Catarina veio à SP conversar com os tutores de Luna e trouxe a homeopatia Viscum album, derivada de uma erva detentora de poderosas propriedades anticâncer, sobre isso ela disse:

“Eu optei pelo Viscum porque eu já o estudo há alguns anos e tenho excelentes respostas com o uso da planta, na verdade com o medicamento homeopático injetável.”

Sobre esse tratamento ela esclareceu:

“Ele não provoca efeitos colaterais, tem efeito citotóxico (detém o crescimento dos tecidos) e imunomodulador (estimula as reações imunológicas).”

Mesmo não sendo um tratamento muito conhecido, Walter e Drika optaram pelo uso da planta e essa decisão trouxe mais um médico veterinário para o tratar de Luna, o Dr. Aloísio Cunha, que em parceria com Ana Catarina, planejou uma estratégia para o tratamento da cadelinha.

O veterinário homeopata Dr. Aloísio Cunha conta que começou o tratamento de Luna no dia 11 de junho de 2017, naquele momento, estavam sendo administrados em Luna medicamentos opioides para dor e ela passava por um tratamento para a bexiga, por conta de sua semi-paralisia (das patas traseiras).

Dr. Aloísio explicou que o Viscum foi administrado através de injeções subcutâneas diariamente, acompanhado da técnica de auto-hemoterapia, que consiste em injetar no paciente seu próprio sangue para estimular a eliminação de elementos prejudiciais ao organismo, sobre isso ele fez o seguinte esclarecimento:

“O Viscum album é o tratamento complementar para o câncer mais utilizado atualmente.
Teve início com os princípios antroposóficos, que fez uso do modelo de preparo dos seus medicamentos através de diluições decimais. No momento, no Brasil, fazemos uso dos preparados homeopáticos de Viscum da Injectcenter de Ribeirão Preto (SP).
O único no mundo que possui homeopáticos injetáveis.”

Sobre o tratamento com o Viscum, ele ainda conta :

"Nós tínhamos grandes esperanças, porque em 2016, após 122 dias de tratamento, a massa tumoral de um gato com linfoma imunofenotipo B, que é extremamente agressivo, deixou de existir.”

Sobre a decisão de optar pelo tratamento à base de uma planta medicinal que não conhecia, Drika diz que sentiu que era a melhor escolha, pois ela priorizava o bem-estar da Luna e sobre o motivo que a levou a seguir esse tratamento ela diz:

“O mieloma é um caso de difícil cura, acho que não existe nenhuma que a gente saiba.
E assim como a quimioterapia, ele daria uma sobrevida, só que com qualidade.
Ela não passaria mal, ela apresentaria melhora de todo aquele mal-estar que ela sentia e por isso nós optamos por este tratamento e eu acabei abrindo mão da quimioterapia por completo.”

“Apostar nesse tratamento não me deixou insegura. Eu tive uma segurança inicial e total no tratamento, aliás, eu tinha a intuição que esse tratamento poderia curar a Luna, então nós fizemos esse tratamento intensivo, todos os dias, porque eu acreditei nele.”

Assim como Drika, Walter confiou no tratamento e sobre isso ele disse:

“Eu não fiquei inseguro, apesar do tratamento pouco conhecido, era uma alternativa.
A quimioterapia dava 90 dias, o que eu tinha a perder?”

4. A recuperação de Luna após o Viscum

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Os primeiros resultados positivos foram perceptíveis já na primeira semana de aplicação do Viscum em Luna. No dia 08 de janeiro de 2018, após uma nova radiografia em Luna, a boa notícia: o mieloma desapareceu!

Dr. Daniel Baptista, que há aproximadamente setes meses antes tinha detectado a neoplasia, se surpreendeu com o resultado e sobre isso afirmou:

“Em um dos últimos controles radiográficos, sabendo a história da Luna, esperava ver uma vértebra com o aspecto mais agressivo ainda, como sendo uma evolução radiográfica comum nestes casos de neoplasia.
Fiquei surpreso ao ver que a vértebra havia se remodelado, mas ainda mantinha sinais radiográficos de uma estrutura óssea, como se houvesse feito um ‘calo ósseo’ de uma fratura vertebral, sem indícios de aumento de volume nos tecidos moles adjacentes, nem os mesmos sinais agressivos característicos da neoplasia óssea.”

Dra. Ana Catariana, ficou maravilhada com o resultado do tratamento considerando o resultado surpreendente!

Luna, a partir do tratamento com Viscum album recuperou a vivacidade, alegria, disposição e voltou a brincar e se divertir com a Maya, mesmo com as limitações por conta da paraplegia.

5. Outras terapias que contribuíram para a recuperação de Luna

O que também contribuiu para a recuperação de Luna foi a forma holística como foi conduzido o seu tratamento envolvendo vários especialistas como: 

  • Dra.Sylvia Angélico, especialista em alimentação natural para animais e é uma das fundadoras do site Cachorro Verde.
  • Dra. Katia Bizaroli, especialista em acupuntura e ozonioterapia.

A veterinária Sylvia Angelo tratou de Luna prescrevendo uma dieta alimentar anticâncer, sobre isso ela explicou :

“A primeira estratégia em que pensei foi mesmo na dieta natural cetogênica. Essa é uma dieta capaz de modificar profundamente o metabolismo do paciente, que passa a queimar gordura ao invés de açúcar (glicose).
Isso, porque a dieta cetogênica possui uma distribuição muito peculiar de macronutrientes.
Ela pode conter tipicamente entre 80 e 90% de gordura, 9-17% de proteína e apenas 1% de carboidratos na forma de vegetais fibrosos.
Uma dieta nesses moldes acarreta uma mudança de ‘combustível’ que pode ‘matar de fome’ as células do câncer, uma vez que elas não conseguem aproveitar a energia fornecida por gorduras, ao contrário de todas as células saudáveis do corpo.”.

A Dra. Katia Bizaroli tem tratado o problema de retenção urinária de Luna, por conta da paraplegia, e sobre isso ela esclarece a importância da acupuntura no caso da cadelinha:

“Por causa da compressão que o tumor causou na medula da Luna, ela não consegue urinar sozinha, por isso tem que tomar uma medicação que ajuda a contrair a bexiga.  Existe na acupuntura, alguns pontos usados para tratamento da retenção urinária, no caso da Luna, eu comecei usando somente agulhas, só que ela tem alergia em alguns dos pontos, então eu optei por uma técnica chamada farmacopuntura, onde se aplica determinada medicação nos pontos de acupuntura (no caso da Luna, vitamina B12) para estimular mais esses pontos e com essa técnica, conseguimos reduzir significativamente a dose da medicação que ela toma para urinar.”

6. Tratamento Holístico, uma evolução na medicina veterinária

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O empenho e a dedicação dos tutores de Luna foram fundamentais para a efetivação do tratamento dela.

Procedimentos terapêuticos e curativos, englobando ações integradas de vários especialistas que compuseram uma tratamento mais abrangente de caráter holístico, levando em conta todas as necessidades de Luna, e não só combatendo a doença, de forma agressiva, mas o inverso, ou seja, promovendo a revitalização do organismo dela.

Que o caso de Luna possa ser um estímulo para ampliação do horizonte da medicina veterinária, levando os profissionais desta área à busca e à prática de novas alternativas de tratamento que promovam o bem-estar do animal e, por consequência, de seus tutores que querem o melhor para seus pets.

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