Nova ciclovia foi inaugurada nesse domingo no Rio de Janeiro

A ciclovia Tim Maia, nomeada em homenagem ao cantor popular que faleceu em 1998, e localizada na avenida Niemeyer, teve mais um trecho concluído na orla oceânica do Rio de Janeiro nesse domingo (17).

O trecho, que já pode ser percorrido pelos ciclistas, liga os bairros do Leblon e São Conrado, passando pelo Vidigal, em uma extensão de 3,9 km e 2,5 m de largura, com vista para o mar em todo o trajeto.

De acordo com a prefeitura, ainda neste semestre, os ciclistas poderão seguir do Centro a Grumari, na zona oeste, sem interrupções, com a inauguração do trecho que liga São Conrado à Barra da Tijuca.

As outras ciclovias existentes no Rio de Janeiro ligam o centro ao Leblon e a Barra da Tijuca ao Recreio dos Bandeirantes. Com o novo trecho, o Rio de Janeiro passa a ser a cidade com a maior malha cicloviária urbana da América Latina. Com a inauguração da ciclovia Tim Maia, o Rio passa a ter 438,9 km de ciclovia. Entretanto, a meta da Prefeitura, cujo projeto de execução é da responsabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, é alcançar 450 km até o fim de 2016, 300 km a mais do que havia em 2009, início da gestão do prefeito Eduardo Paes.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, a cidade tem hoje 2.500 bicicletários disponíveis nas estações do BRT, do metrô, dos trens e barcas, nas rodoviárias e em vias públicas. Diariamente, são registradas mais de 2 milhões de viagens de bicicleta na cidade, número que inclui o uso do veículo turística e comercialmente e pela população local. Hoje, a bicicleta já representa 5% do total dos meios de transporte no Rio de Janeiro, número ainda inexpressivo se considerada a proporção entre o tamanho da cidade e a malha cicloviária.

Para o subsecretário municipal de meio ambiente do Rio, responsável pelas ciclovias da cidade, a obra é um avanço. "A inauguração da ciclovia da Niemeyer é um marco na história cicloviária e na luta por uma cidade para as pessoas, além de ser uma vitória contra a 'carrocracia', pois o projeto para a via sempre foi a duplicação para automóveis", diz.

Apesar da extensão, a população carioca não está satisfeita com a malha cicloviária da cidade, segundo a última edição da Pesquisa de Percepção, realizada pela ONG Rio Como Vamos, que aponta que 45% dos cariocas entrevistados acham que a construção de mais ciclovias é fundamental para o uso da bicicleta e que a segurança é o fator que mais lhes preocupa. Em 2015, foram registrados 260 roubos e furtos de bicicleta na cidade.

Embora a população e os turistas tenham aprovado a ciclovia, alguns usuários têm reclamações, como falta de sinalização vertical indicando a velocidade máxima permitida e a prioridade de pedestres. A Secretaria Municipal de Obras, órgão responsável pela construção da ciclovia, informou que a sinalização está em vias de implantação.

Especialistas também guardam críticas ao projeto cicloviário da cidade, que pode ser, ainda, melhorado. "Houve avanços, mas eu acho que a bicicleta poderia ter sido incorporada de uma maneira muito mais efetiva nos planos de mobilidade urbana da cidade, no contexto das obras impulsionadas pelos Jogos Olímpicos", diz Danielle Hope, gerente de projetos do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP).

Assim pensa, também, Pedro Rivera, arquiteto e urbanista do Studio-X Rio, uma parceria com a Universidade de Columbia, de Nova York. "Quero ver o Ciclo Rotas implementado, mesmo que após o término das obras viárias no centro. A ciclovia é algo ótimo para um momento de crise. Não é algo caro, e num contexto de economias, estamos falando de incentivar uma mobilidade de crise, barata", diz.

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Fonte fotos: fotospublicas