Cresce o número de indígenas mortos pelo coronavírus. Povo Kokama pede socorro: “estamos morrendo”

Infelizmente já é uma realidade o avanço da Covid-19 entre os indígenas de diversas etnias pelo país, principalmente na região Amazônica, sendo Manaus, uma das capitais mais atingidas do Brasil.

Segundo a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB, até 18 de maio, havia 161 casos suspeitos, 345 confirmados e 89 mortes.

Fonte gráfico

Para fazer a estatística dos casos, a COIAB utiliza fontes próprias, consultando diretamente as lideranças indígenas de seus cadastros, mas também dados oficiais, fornecidos pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão vinculado ao Ministério da Saúde.

Segundo a Sesai, o total de mortes por coronavírus era de 20 indígenas, até 18 de maio.

Há uma discrepância enorme entre os números de mortes apurados pela COIAB e os números oficiais informados pela Sesai.

Racismo institucionalizado

A Apib – Articulação dos povos indígenas do Brasil, através de sua coordenadora Sônia Guajajara, adverte que a Sesai pratica um “racismo institucionalizado”, quando desconsidera os indígenas que não vivem em terras consideradas indígenas pelo governo ou aqueles que vivem em meio urbano.

No Brasil, o primeiro caso confirmado de contaminação por Covid-19 entre indígenas brasileiros foi de uma jovem de 20 anos do povo Kokama, no dia 25 de março, no município amazonense Santo Antônio do Içá.

De lá pra cá, o povo Kokama é a população indígena com mais mortos por Covid-19, em quatro dias dobraram as mortes, um crescimento de 9 para 22 mortes, registradas em um único povo, entre os dias 3 e 7 de maio.

As entidades e líderes indígenas acusam o governo de omissão e negligência, falta de implantação de medidas preventivas, de atendimento clínico, de informação e distribuição de materiais de higienização.

Pedido de Socorro

A situação dos indígenas é agravada por causa de desvantagens econômicas, sociais, de acesso à saúde e saneamento, além do modo de vida coletivo, o que os torna grupos de risco para a pandemia.

A maior proporção da população indígena vive nas áreas com menores recursos de saúde, menor número de leitos hospitalares, além de haver maior distância dos hospitais, que exige recursos para transporte e tempo, o que pode dificultar ainda mais o atendimento efetivo para eles.

O pesquisador Andrey Moreira Cardoso, da Fiocruz, explica que após o coronavírus entrar nas comunidades indígenas, ele pode se espalhar muito rápido e ser muito difícil de conter. Os povos indígenas representam uma população extremamente vulnerável à pandemia porque estão imunologicamente suscetíveis a vírus que nunca circularam antes, como é o caso do SARS-CoV-2.

O principal desafio hoje é conter a propagação do vírus nas aldeias, evitando que milhares de vidas sejam perdidas.

Quer ajudar? Acesse AQUI o pedido de socorro feito pelas lideranças do povo Kokama e fortaleça a pressão do movimento indígena para enfrentar a pandemia.

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Sobre Juliane Isler

Juliane Isler
Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher

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