Domingo, 27: manifestações no Brasil contra rodeios e vaquejadas


O projeto de lei (PL) 24/2016 que quer instituir a vaquejada como patrimônio cultural brasileiro vem gerando muita polêmica. E não é para menos, já que tanto a vaquejada com o rodeio são práticas que causam maus tratos aos animais.

Para lutar contra isso, ocorrerão neste domingo, 27, em 38 cidades de todo o Brasil, manifestações em protesto ao PL que quer legitimar a prática da vaquejada. Em 19 estados, as entidades de proteção aos animais já estão organizadas para a manifestação.

Depois que o Senado Federal aprovou o PL que torna vaquejadas e rodeios “manifestação cultural nacional e patrimônio cultural imaterial”, só falta, agora, a sanção do presidente da República, Michel Temer. Mas não apenas o PL 24/2016 está em tramitação no Congresso Nacional. Há mais quatro projetos que pretendem regulamentar os rodeios e as vaquejadas.

A médica veterinária Vania Nunes, que também é diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (Fórum Animal), argumenta que: “Esses projetos propõem que a crueldade dos rodeios e vaquejadas sejam definidos como patrimônio cultural brasileiro. Além de inaceitável, isso pode inclusive abrir precedente para que rinhas, farras do boi e outras práticas abomináveis sejam novamente autorizadas e constitucionalmente protegidas”.

O Movimento Crueldade Nunca Mais e o Fórum Animal estão apoiando as manifestação em todo o país, que já conta com uma rede em defesa dos animais com mais de 130 entidades afiliadas.

Várias outras instituições também se opõem ao projeto de lei, como o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), que publicou um parecer classificando a vaquejada como uma prática que provoca sofrimento e lesão aos animais.

Há vários laudos técnicos que comprovam as lesões e o sofrimento aos animais: “Não há vaquejada sem sofrimento, especialmente porque a cauda, que recebe a tração, é uma continuação da coluna vertebral dos bois. Os animais podem ter diferentes lesões como luxação, fratura de vértebras e hemorragia interna”, explica a Dra. Irvênia Prada, professora da Universidade de São Paulo (USP).

Economia não é justificativa

O juiz do Tribunal Regional Federal Anderson Furlan diz que o uso do argumento econômico não justificativa a manutenção de uma prática de sofrimento. O argumento é falacioso, como bem ilustra o juiz: “Não podemos duvidar que quando as rinhas de galo foram proibidas, milhares de pessoas ficaram sem emprego (…). Se fôssemos levar (em consideração) apenas a questão do emprego, deveríamos legalizar outra atividades que geram emprego, o tráfico de drogas, por exemplo”.

Se fosse assim, até hoje teríamos o panem et circenses romano. A humanidade evolui por muitas vias, entre elas, abolindo práticas de crueldade.

Vamos todos, no domingo, manifestar contra o projeto de lei que quer legalizar no nosso país práticas que provocam dor e machucam os animais.

Confira aqui a lista dos 19 estados onde haverá manifestações no domingo.

Veja o vídeo: Rodeio, de que lado você está?

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Gisella Meneguelli

É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o greenMe desde 2015.


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