Pepino-do-mar: animal considerado afrodisíaco é ouro para o crime organizado

Pepino-do-mar: animal considerado afrodisíaco é ouro para o crime organizado

Você já ouviu falar em pepino-do-mar? Trata-se de um animal marinho da classe dos equinodermos. O nome, como se supõe, vem da sua aparência, sendo inclusive considerado uma iguaria na culinária asiática. Este ser é alvo do crime organizado pois seu valor é equiparável ao ouro!

Apreciado na cozinha de países asiáticos como China, Japão e Malásia, na medicina tradicional chinesa, o pepino-do-mar é considerados um remédio natural para diversos males como cansaço, dores nas articulações, artrite e artrose, pois é rico em sulfato de condroitina, o componente principal da cartilagem.

Mas o que está fazendo com que o animal esteja em risco é a sua fama de ser um alimento afrodisíaco e um remédio para curar impotência, isso porque, ele tem formato peniano, pode enrijecer e expelir suas vísceras como mecanismo de defesa.

Tais características, erroneamente, faz com que muitas pessoas acreditem que o animal tenha poderes afrodisíacos, e por isso, ele virou objeto de desejo não apenas dos impotentes sexuais, mas também do potente crime organizado.

Comércio extremamente lucrativo

O comércio ilegal de pepinos-do-mar está afetando a biodiversidade e prejudicando a vida dos pescadores no Sri Lanka. Trata-se de uma atividade incrivelmente lucrativa que está levando estes animais à extinção.

Para se ter uma ideia, na década de 1980, os pepinos-do-mar custavam menos de £ 50 o quilo (o equivalente a 400 reais); agora os preços subiram para mais de £ 200 o quilo (R$1.600), com espécies mais raras avaliadas em mais de £ 2.500 o quilo, como informa uma reportagem do The Guardian.

Os pepinos-do-mar são essenciais para os ecossistemas oceânicos, eles se alimentam dos detritos sedimentares, ajudam a reciclar nutrientes e a excretar nitrogênio, amônia e carbonato de cálcio, ingredientes fundamentais para os recifes de corais. Isso ajuda a desacelerar a acidificação dos oceanos causada pela atividade humana.

Presentes em lugares paradisíacos e protegidos, como no arquipélago Laquedivas (Índia), Palk Bay e Golfo de Mannar (entre a Índia e o Sri Lanka), estes animais também estão protegidos mas o crime organizado acha um jeito de burlar a lei, aproveitando das diferenças de regulamentações entre os países vizinhos para contrabandear o animal.

Os contrabandistas tiram proveito da regulamentação do Sri Lanka, que permite a pesca ea  exportação de pepinos-do-mar. Já a Índia proibiu totalmente o comércio desses animais, desde 2001. No entanto, os pescadores contrabandeiam os pepinos-do-mar capturados na Índia para o Sri Lanka, de onde são exportados legalmente para o sudeste da Ásia, ou exportados da Índia com rótulos falsos.

Os pescadores do Sri Lanka que possuem licença para a pesca, também estão ameaçados de perderem seus trabalhos para a sobrepesca e pelo tráfico, pois pescadores ilegais estão atravessando as fronteiras para coletarem os pepinos-do-mar neste país e no sul da Índia.

De acordo com a reportagem do The Guardian, esse crime está se espalhando cada vez mais à medida que os recursos diminuem. Laquedivas, por exemplo, é uma região primitiva da Índia e os comerciantes estão se mudando para lá. Porém, as autoridades estão fechando o cerco para impedir o contrabando para o Sri Lanka e combater a pesca ilegal.

Laquedivas – ©Anuj Chauhan/Unsplash

O foco é interromper a cadeia de abastecimento do crime e fazer com que os pescadores entendam a importância desses animais para a biodiversidade. Se os pepinos-do-mar forem extintos, a vida marinha ficará em perigo.

E estamos falando de lugares que podem ser chamados de “paraíso na Terra”.

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