As causas dos temporais na BA: la Niña, depressão subtropical e aquecimento global

As causas dos temporais na BA: la Niña, depressão subtropical e aquecimento global

As chuvas que vêm afetando de forma atípica a Bahia desde o início de novembro, seguem gerando tragédias e números impressionantes.

Segundo dados da Defesa Civil do Estado divulgados na terça (28/12), 21 pessoas morreram, 42,9 mil ficaram desalojadas e 470 mil foram afetadas de alguma forma pelas enchentes.

E o que está por trás disto?

ZCAS – Zona de Convergência do Atlântico Sul

Especialistas em meteorologia e clima apontam a influência de diversos fatores sobre a tradicional Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), descrita pelo Instituto Nacional de Meteorologia – INMET como “um dos principais sistemas meteorológicos responsáveis pela reposição hídrica em parte do Brasil no período chuvoso”.

Em geral, uma ZCAS tem como característica, “a persistência de nuvens que ficam, praticamente estacionadas, provocando muita chuva sobre as mesmas áreas por, pelo menos, 4 dias consecutivos“.

A ZCAS costuma ser um corredor de umidade que se estende desde partes da região Norte ao Sudeste do Brasil e ao oceano Atlântico Sul, passando também pelo Nordeste.

Mas o que aconteceu em dezembro deste ano na Bahia pode ser considerado fora do comum e extremo, afirma o meteorologista Willy Hag:

“Geralmente, a formação de eventos de ZCAS começa a partir da primavera entre meados de setembro e outubro e vai até os meses seguintes do verão e outono. Isso significa que é um fenômeno comum e esperado para essa época do ano, mas em dezembro temos visto esses eventos de ZCAS posicionados mais ao norte e atingindo o sul da Bahia com mais força”.

As causas dos temporais na Bahia

Para os especialistas, há pelo menos 3 fatores que podem estar associados à alta intensidade das chuvas recentes na Bahia:

  1. La Niña;
  2. depressão subtropical;
  3. e aquecimento global.

Os impactos da La Niña no clima do Brasil

La Niña no Brasil é exatamente isso:

  • chuvas fortes e abundantes;
  • aumento do fluxo dos rios;
  • e inundações subsequentes no Norte e no Nordeste do Brasil – seca no Sul do país.

Mas nenhum evento La Niña é igual ao outro.

Segundo o INMET, neste ano:

“A maioria dos modelos de previsão de ENOS (El Niño-Oscilação Sul), gerados pelos principais centros internacionais de meteorologia, indicam uma probabilidade superior a 60 % de que se mantenha o fenômeno La Niña durante o verão, podendo atingir a intensidade de moderado entre os meses de dezembro/2021 e janeiro/2022”.

De acordo com o INMET, saímos de uma La Niña entre o final de 2020 até maio de 2021, que foi responsável pela maior cheia na Amazônia nos últimos 120 anos, para entramos em outra agora que está prevista para durar pelo menos até o primeiro trimestre de 2022.

Isso soa o alarme para mais um período de chuvas elevadas e com todas as consequências socioeconômicas que estão ligadas, desde alagamentos a outras catástrofes.

Depressão subtropical

O climatologista Francisco Eliseu Aquino, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma que a ZCAS pode estar combinada com um outro fenômeno climático que se originou a partir de uma área de baixa pressão: a depressão subtropical.

Não muito comum, a depressão subtropical é um evento meteorológico que gira no sentido horário e é marcado pela formação de

  • nuvens;
  • ventos;
  • tempestades;
  • e agitação marítima.

Em alguns casos, ela pode evoluir para uma tempestade tropical. Explica Aquino:

“A combinação desses dois acontecimentos, a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e a área de baixa pressão, é o que intensificou a chuva nas regiões leste e sul da Bahia”.

Aquecimento global

Para o climatologista, é precoce associar esses eventos extremos na Bahia às mudanças climáticas no planeta, mas não descarta uma possível ligação entre eles. Segundo ele:

“As mudanças na circulação geral da atmosfera sugerem para nós que o oceano mais quente na costa do Brasil poderia formar com mais frequência áreas de baixa pressão como essa, levando à depressão subtropical.

Neste momento, não conecto diretamente as mudanças climáticas com esse evento extremo. (…) Mas, num planeta mais quente, eventos extremos tornam-se mais frequentes, com a formação de depressões subtropicais como esta na Bahia”.

Ainda, Hagi afirma que:

“De certa forma é possível que a ocorrência desses eventos extremos seja consistente com o que se espera para um mundo cada vez mais quente“.⁠

Muitas famílias ficaram desabrigadas, foram muitas deslizamentos e enchentes, casas destruídas e pessoas que perderam tudo que tinham.

Diante deste cenário trágico, a Bahia precisa de ajuda.

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