Guarani-Kaiowá: o massacre que sofre essa etnia indígena brasileira

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Mais um assassinato de indígena no Mato Grosso do Sul - o agente de saúde indígena Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, 23 anos. Os Guarani-Kaiowá foram atacados por milícias privadas, fortemente armadas, que atuam a mando dos fazendeiros locais - morreu Clodiodi, covardemente assassinado e mais 4 pessoas resultaram feridas, dentre elas, uma criança de 12 anos.

Ataque de fazendeiros e assassinato do agente de saúde Clodiodi, indígena guarani

Isso aconteceu terça feira passada, dia 14, na região de Caarapó, no Mato Grosso do Sul, quando os fazendeiros, fortemente armados, e seus capangas, jagunços, assassinos a soldo, abriram fogo contra a comunidade indígena que ocupava área do seu território tradicional, a “Toro Passo”, na Terra Indígena (TI) Dourados-Amambaipegua I. “O Ministério da Justiça orientou que o caso seja investigado e enviou a Força Nacional à região. A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), vinculada ao Ministério da Saúde, emitiu uma nota de pesar pelo assassinato, registrando que “o jovem agente foi morto covardemente”.” (ISA, editorial).

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As terras tradicionais em Caarapó

“O relatório de identificação da TI Dourados-Amambaipegua I foi publicado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), em maio, no mesmo dia do afastamento da presidente Dilma Rousseff. A medida vinha sendo esperada pelos índios há anos, mas foi postergada por determinação expressa do Ministério da Justiça. Outras retomadas já haviam acontecido na região de Caarapó, caso do território Pindo Roky, onde foi morto o jovem Denilson Barbosa, em 2013, e de Te'yjusu, no ano passado, alvo de inúmeros ataques já denunciados. Todas essas áreas estão na região da Reserva Indígena de Caarapó, onde os Guarani Kaiowa foram confinados pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), no início do século passado. Lá, hoje, vivem mais de seis mil índios, espremidos em cerca de 3,5 mil hectares.”. (ISA, editorial).

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O Mato Grosso do Sul possui um dos maiores índices de concentração fundiária do Brasil e também o segundo maior contingente de população indígena do país, atrás do Amazonas. O Brasil é o país com a segunda maior taxa de concentração fundiária em todo o mundo, superada apenas pela da África do Sul. No Mato Grosso do Sul a questão indígena não está resolvida, nem de perto: os indígenas foram confinados em áreas diminutas sendo esta solução, absurda, uma das causas da pressão insuportável pela sobrevivência que vivem os povos ancestrais, legítimos donos das terras indígenas tradicionais.

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Demarcação já!

É “absolutamente urgente a demarcação das TIs do estado e que ainda aguardam essa providência. A medida é imprescindível para a superação dos conflitos pendentes. Da mesma forma, se insiste na aprovação urgente pela Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda Constitucional 132/2015, já aprovada por unanimidade pelo Senado e que prevê indenização aos portadores de títulos legítimos incidentes sobre terras a serem demarcadas”. Mas este processo vêm, há anos, sofrendo o boicote sistemático da bancada ruralista no Congresso brasileiro. E os conflitos, e assassinatos impunes, vão em aumento. Um verdadeiro massacre da população indígena guarani-kaiowá, dentre outras, que lutam pela legítima pertença de suas terras ancestrais há décadas, ao amparo da lei nacional.

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Segundo informa o CIMI - Conselho Indigenista Missionário “o número de feridos deve ser ainda maior porque os indígenas se dispersaram pelo território, em fuga, com a chegada de cerca de 200 caminhonetes, motocicletas, cavalos e trator usados por pistoleiros, capangas e homens que chegaram atirando contra o acampamento em que os Guarani e Kaiowá estavam na Fazenda Yvu, incidente sobre a terra indígena, atualmente em processo de demarcação pelo Ministério da Justiça (MJ).”.

Violência comprovada

A ação violenta das milícias dos fazendeiro foi filmada pelos próprios Guarani-Kaiowá. Nos vídeos “é possível ver uma centena de homens armados, queimando motos e demais posses dos indígenas. A maioria dos indivíduos está vestida com um uniforme preto; nas filmagens, é possível ouvir gritos de: “Bugres! Bugres!”, forma pejorativa usada para se referir aos indígenas na região sul do país. Caminhonetes circulam como moscas ao redor dos homens de preto e das enormes fogueiras usadas para incendiar tudo o que antes era o pouco que estes Guarani e Kaiowá possuíam, além da terra tradicional pela qual mais um massacre contra o povo se registra”. Os Guarani e Kaiowá não saíram da área retomada. Refugiaram-se de forma dispersa em outros rincões do território, e na própria reserva que compõem a terra indígena.

 

Assista aqui também o filme divulgado pela ONG Survival International onde os guaranís descrevem os pistoleiros que lhes atacam as terras tradicionais.

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Fontes: ISACIMI e BBC