Inaugurada a primeira faculdade indígena do Brasil

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No mês passado foi inaugurada a primeira faculdade indígena do Brasil. Esta fica na Aldeia de Porto Lindo, município de Japorã, estado do Mato Grosso do Sul, a 480 km da capital, Campo Grande.

A faculdade dará o curso de Pedagogia e, já na primeira turma, atenderá a 40 alunos, 20 indígenas e 20 não indígenas. O curso será ministrado pela plataforma EAD (Educação à Distância) da UAB (Universidade Aberta do Brasil), para a extensão Joaquim Martins, localizada na aldeia.  A faculdade ocupará duas das seis sala da escola indígena da Aldeia Porto Lindo. A Aldeia, de etnia Guarani, tem 4.900 índios, correspondendo a 63% da população de Japorã.

A UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) já se comprometeram com a abertura de novos cursos, para 2016, e o atendimento de mais 300 novos alunos.

Estes cursos, também no formato EAD pela UAB, serão dados no pólo da UAB Japorã, inaugurado em fevereiro passado e que já tem 100 alunos cursando o 5º ano do ensino fundamental (diurno). Segundo informou a professora Vanessa Pedrancini, a UEMS irá instalar dois cursos de graduação, em Ciências Sociais e Administração Pública e um de pós-graduação, Especialização em Gestão Pública abrindo, pelo menos, 160 vagas e a UFGD, abrirá nova turma de Pedagogia, para mais 40 alunos.

Esta conquista foi muito festejada por todos os habitantes da aldeia pois,  concretiza um dos grandes sonhos do povo Guarani, o acesso à educação superior em seu próprio território. São palavras do seu líder, Roberto Carlos: “Hoje nasce o futuro dos povos guarani de Porto Lindo. Sinto orgulho de fazer parte dessa história. É a primeira faculdade dentro de aldeia no Brasil”. Aos calouros indígenas, o líder lembrou a necessidade de se adequarem à realidade para poderem sobreviver e, aos alunos não indígenas, deu as boas vindas.

A festa de comemoração foi grande, com danças típicas de um grupo indígena paramentado e com pinturas nos rostos.

“Estamos muito felizes hoje. Nosso povo vai poder ter futuro melhor. Aprender para ser professor é um sonho”, comentou o capitão da aldeia, Miguel Cáceres.

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