SP: reabastecimento hídrico deve ser lento, devido ao solo seco no Sistema Cantareira

SP: reabastecimento hídrico deve ser lento

No dia 03 de novembro finalmente choveu forte em São Paulo. Entretanto, mesmo com a esperança de que o déficit de abastecimento do Sistema Cantareira fosse minimizado em parte, isso não ocorreu como o previsto.

A grande questão que leva ao quadro de dificuldades no aumento de água nos reservatórios é o que especialistas denominam de “efeito-esponja”.

O efeito-esponja

Tal efeito consiste na secura do solo de tipo argiloso que fica no fundo de parte da represa. Então, para que haja uma elevação no nível da água, deve haver primeiro um encharcamento do terreno, antes que seja possível armazená-lo para, finalmente, os níveis subirem. Exatamente por tal razão, o regime de chuvas precisa ser tão constante.

O complexo desse tipo de situação é não ser possível precisar com clareza qual o período de chuvas necessário para que o volume de águas comece a subir.

Além disso, as chuvas precisam ser fortes nas áreas de represa. Se o volume de chuvas for grande apenas em outros pontos da cidade de São Paulo, pouco contribuirá para a mudança do panorama de seca atual.

No Sistema Cantareira, a chuva apenas atingiu 15,7 mm, sendo apenas suficiente para frear o processo constante de queda do nível da água no local.

Alerta vermelho do Cantareira

O Sistema Cantareira, reservatório que serve ao abastecimento de toda a extensa região metropolitana de São Paulo, pode ter sua primeira etapa do volume morto extinta até o dia 14 de novembro.

Outras estações, como Guarapiranga, também vêm caindo de maneira intensa e rápida.

Há uma série de pancadas de chuva previstas para São Paulo nos próximos dias, por conta da chegada de uma grande frente fria nas regiões sul e leste do estado.

O dilema atual é o seguinte: no próximo trimestre – época repleta de chuvas – a média deve ser normal, compatível com outros verões. Se isso se confirmar, o Sistema Cantareira chegará à próxima fase de seca do ano – entre fevereiro e março – com volume bem baixo, o que já alarma as autoridades locais, pela perspectiva de uma seca ainda mais aguda para 2015.

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