Boto-vermelho entra na lista vermelha da IUCN

Uma notícia preocupante para o Brasil e para o mundo foi anunciada pela União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN): o boto-vermelho entrou para a lista vermelha de animais em perigo de extinção.

A IUCN publicou em novembro o alerta que coloca o boto-vermelho (Inia geoffrensis) a dois passos da classificação de “extinto”. Ele é um dos animais mais importantes da fauna amazônica e vem sendo vítima da caça ilegal para ser usado como isca na pesca da piracatinga (Callophysus macropterus), bem como da captura em redes de pesca acidental, informa o site da AMPA. O boto-vermelho também é conhecido como boto cor-de-rosa, e é o maior dos golfinhos de água doce do mundo.

Outro animal em risco é o tucuxi (Sotalia fluviatilis), o golfinho-daAmazônia, cuja situação encontra-se como “dados insuficientes” na lista. A IUCN valeu-se, para classificar os golfinhos, dos dados de pesquisas do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), do qual fazem parte pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

A pesquisadora Vera da Silva, coordenadora do projeto, conta que o Projeto Boto do Inpa existe há 25 anos. A espécie investigada é está na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Mamirauá.

“Desde 2000 as pesquisas nos mostram que a população de botos naquela região vem reduzindo drasticamente a cada década. A preocupação maior é a velocidade que esta espécie está sendo retirada da natureza, se isso acontece no entorno de uma reserva protegida, modelo na Amazônia, imagine em uma área sem proteção”, alerta a coordenadora.

O boto-vermelho e o tucuxi são ameaçados pela mesma razão: captura direta, captura acidental e poluição dos rios, que contêm poluentes como mercúrio, entre outros. O tucuxi deverá entrar na lista na categoria de ameaça até março de 2019, após ser feita uma revisão do seu processo.

A classificação “em perigo de extinção”, segundo a bióloga, é um alerta para que as espécies sejam conservadas em ações demandadas pelo poder público brasileiro.

Uma dessas ações ocorreu em 2014 para evitar a extinção das populações do boto-vermelho em uma moratória, pelo período de cinco anos, assinada em um acordo entre o Ministério de Meio Ambiente e o Ministério de Pesca e Aquicultura, por recomendação do Ministério Público Federal.

Entretanto, o prazo de cinco anos é insuficiente para a recuperação das espécies. Silva explica que:

“para a moratória não ser renovada os órgãos responsáveis pela pesca na região terão que provar que a pesca a piracatinga não envolve os golfinhos da Amazônia nessa atividade e que encontraram uma solução para que o boto-vermelho não seja utilizado com isca”.

Se você quiser contribuir para a sobrevivência dessa espécie, acesse aqui a Campanha Alerta Vermelho da AMPA – Associação dos Amigos do Peixe-boi.

Abaixo um vídeo com cenas fortes sobre a matança do boto-vermelho na Amazônia. Não recomendado para pessoas sensíveis, mas fica como um alerta sobre a importância de preservar.

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.
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