Alimentos industrializados e agrotóxicos estão alterando a química do corpo humano

Alimentos industrializados e agrotóxicos estão alterando a química do corpo humano

Um estudo mostrou que a composição química do corpo humano mudou com o passar dos anos devido à forma como nos alimentamos.

A alta demanda por alimentos industrializados, produzidos com agrotóxicos e fertilizantes sintéticos está fazendo com que os humanos de hoje sejam semelhantes entre si e muito diferentes dos seus ancestrais.

O estudo

Analisando a composição química dos cabelos e unhas de corpos recentes, cientistas descobriram que quanto mais alimentos produzidos em massa consumimos, mais semelhantes nossos esqueletos ficam. Essa análise foi publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Essa mudança ocorre principalmente nas comunidades urbanizadas e ricas, que dependem dos supermercados para obter a maior parte dos alimentos. Os únicos que escapam dessa tendência são os que vivem em comunidades agrícolas, que ainda plantam e colhem o próprio alimento.

A dieta moderna é composta basicamente por trigo, milho, arroz e cereais ricos em amido, cultivados com a introdução de fertilizante sintético de nitrogênio, a partir de 1910.

Antes disso, a composição química das pessoas era bem diferente uma das outras, confirmam os arqueólogos.

Os pesquisadores analisaram a proporção dos isótopos de nitrogênio e carbono presentes nos restos corporais, para conseguirem identificar o que as pessoas comem. Segundo eles, a produção agrícola e os padrões de consumo de alimentos foram reduzidos globalmente nos últimos 100 anos devido a pesquisas e políticas que se concentram em safras específicas.

Veja a explicação científica publicada no site Mongabay:

“No caso de fertilizantes à base de nitrogênio, a proporção de isótopos de nitrogênio reflete sua proporção na atmosfera, não o que existiria em solos naturalmente férteis. Quando micróbios fixadores de nitrogênio extraem nitrogênio da atmosfera, ele produz uma proporção diferente dos dois isótopos do que o fertilizante químico.

Quando as plantas absorvem nitrogênio do solo, elas absorvem dois isótopos de nitrogênio estáveis ​​em uma proporção fixa. Essa proporção muda à medida que os nutrientes sobem na cadeia alimentar por meio do intestino de outros organismos. A forma mais leve de nitrogênio tem maior probabilidade de ser usada para funções corporais e excretada como resíduo, mas o corpo retém isótopos mais pesados. Assim, uma parte maior do isótopo de nitrogênio mais pesado sobrevive à ascensão da presa ao predador.

Os isótopos de carbono, por sua vez, esclarecem os tipos de alimentos que as pessoas consomem: uma dieta rica em milho ou aquela em que o arroz é um alimento básico deixará para trás um sinal de isótopo de carbono diferente no tecido humano. A faixa de valores dos isótopos de carbono também diminuiu hoje, segundo a análise, porque comemos alimentos semelhantes.

No entanto, as comunidades que dependem da agricultura de subsistência apresentam taxas de isótopos semelhantes às dietas humanas anteriores a 1910. Isso não é necessariamente bom ou ruim em termos de saúde.”

Variar é preciso

Em outras palavras, isso mostra que as dietas eram mais diversificadas antes da agricultura industrial. O problema da forma atual de sustento é a perda de resiliência, pois a dependência de uma cadeia alimentar de apenas duas etapas é um risco, segundo os especialistas.

Um exemplo disso é a invasão de gafanhotos ou a pandemia, que podem desordenar o sistema. No entanto, não é possível voltar aos modos de produção anteriores, dada a crescente população humana e a alta demanda por alimentos práticos e rápidos.

Contudo, a principal recomendação é para que a produção agrícola e os padrões de consumo de alimentos sejam diversificados. Ou seja, mais tipos de culturas devem ser produzidas, proporcionando benefícios nutricionais não só para os humanos, mas principalmente para o meio ambiente.

Infelizmente, não é possível reverter a tecnologia agrícola para o que era 100 anos atrás, mas é possível criar novas tecnologias para alimentar e nutrir o mundo, alertam os cientistas.

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