Aumento de casos de câncer de pulmão preocupa, inclusive, não fumantes

Aumento de casos de câncer de pulmão preocupa, inclusive, não fumantes

O câncer de pulmão tem aumentado em todo o mundo, e não são apenas os fumantes que devem ficar preocupados com essa informação. Quem não fuma também corre o risco de contrair a doença.

O tipo de câncer que mais adoece pessoas em todo o mundo é o câncer de pulmão. Os dados mais recentes disponíveis diagnosticaram 1,8 milhão de novos casos, sendo que 58% deles estão em países em desenvolvimento, segundo divulgado pela BBC.

Além desse dado alarmante de novos casos sendo registrados da doença, outro preocupa ainda mais: nas últimas décadas, não houve o aumento de sobrevivência dos pacientes. Na década de 1970, a chance de um paciente sobreviver, após o diagnóstico, por cerca de 10 anos era de 3%, em 2010 esse número passou para apenas 5%.

Uma questão, então, que intriga é: por que não tem havido aumento de sobrevida em pacientes como câncer de pulmão como vem ocorrendo com outros tipos, como o de mama, cujas pacientes viram suas chances de sobrevivência quase dobrarem 10 anos após o diagnóstico – de 40% para 78%?

Questão de gênero

Um primeiro problema é que não tem havido redução do número de câncer de pulmão no mundo. Outro problema está na questão de gênero: embora mais homens sejam diagnosticados com câncer de pulmão, o índice de mulheres jovens com a doença aumentou e, nas duas últimas décadas, houve declínio no diagnóstico de homens com a doença e o aumento entre elas, segundo pesquisas realizadas nos Estados Unidos.

Estudos feitos em mais de 100 países sobre a relação igualdade de gênero e taxas de fumantes têm demonstrado que naqueles onde as mulheres são mais empoderadas, as taxas de mulheres que fumam é maior do que as de homens. Segundo a BBC, o resultado das pesquisas diz que: nos EUA, 22% dos homens e 15% das mulheres fumam; na Austrália, 19% dos homens e 13% das mulheres; no Brasil, são 11% das mulheres e 9% dos homens.

A igualdade de gênero deve continuar, mas as taxas de mulheres e homens fumantes deveriam cair!

E os não fumantes?

Outra questão intrigante é que o câncer de pulmão em não fumantes existe e “não é trivial”, de acordo com Charles Swanton, médico-chefe da organização Cancer Research UK. Embora fumar apresente um risco de 85% chance de câncer de pulmão, não fumar não garante qualquer imunidade à doença.

Esse estranho fato foi confirmado em um estudo cujo resultado concluiu que 1 em cada 5 mulheres com câncer de pulmão nunca fumaram. Esse número é mais favorável aos homens: 1 para cada 10. No Reino Unido, entre 2008 e 2014, 67% dos pacientes que passaram por cirurgia de câncer de pulmão sem nunca terem colocado um cigarro na boca eram mulheres.

O fumo passivo parece ser uma das explicações para o problema. Ser um fumante passivo representa entre 20% e 30% de chance de ter câncer de pulmão e causa 430 mil mortes, anualmente, em todo o mundo, sendo que 60% delas são entre mulheres.

Segundo a Superinteressante, pessoas expostas ao cigarro tem 30% mais chances de desenvolver a doença. A lei de controle ao tabagismo em lugares fechados ajudou a melhorar a situação aqui no Brasil, onde o número de fumantes passivos caiu 42% nos últimos oito anos.

Outro problema é o aumento de pacientes com câncer de pulmão que nunca fumaram. No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de haver 28,2 mil casos anuais de câncer de pulmão no Brasil – 10% não causados pelo fumo direto. Um estudo realizado em 2017 indicou uma possível relação: queimadas na Amazônia produzem uma fumaça capaz de danificar as células pulmonares e causar câncer; além disso, o alto nível de poluição nas cidades provoca estragos aos pulmões. A Organização Mundial da Saúde, desde 2013, trata a poluição ambiental como uma substância cancerígena.

O gás radônio também é um perigo: ele é natural, incolor, inodoro e cancerígeno. Ele é obtido a partir da desintegração de dois elementos químicos, urânio e tório, no solo e em rochas. Em Caetite (BA), a taxa de pessoas com câncer de pulmão é 19 vezes mais alta do que no resto do estado, porque os níveis de radônio por lá são muito elevados.

Exposição a gases radioativos e fatores genéticos também entram na lista. “São vários fatores que juntos podem aumentar a quantidade de pessoas com a doença”, alerta Marcelo Cruz, oncologista clínico da Northwestern University, em Chicago (Estados Unidos) para o Portal UOL.

De olho nos sintomas

Os não fumantes têm uma falsa percepção de que estão imunes ao câncer de pulmão, pelo fato de não fumarem, o que tende que eles sejam diagnosticados tardiamente, quando o câncer já está em estágio avançado. Esse quadro dificulta ainda mais o tratamento. Qualquer sintoma preocupante deve levar as pessoas a buscarem um médico, entre eles, chiados no peito e tosse com sangue.

O câncer de pulmão é resultado de mutações em genes específicos que, quando identificados a tempo, mais específico e mais eficaz é o tratamento. A identificação do tipo de mutação e o tratamento adequado podem levar o paciente a ter 15% de sobrevida, segundo Cruz.

Todo o cuidado com a saúde é importante. Infelizmente, nossas atitudes não são suficientes para estarmos livres do risco de câncer de pulmão, já que a poluição ambiental é, além do tabagismo, uma das causas da doença.

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