Será que você é alcoólatra? O que torna uma pessoa alcoólatra? Veja os sinais e sintomas

O que torna uma pessoa alcoólatra? Quais sintomas ela apresenta? Quem bebe apenas aos finais de semana pode ser considerado alcoólatra ou somente aqueles que bebem diariamente, ainda que em pequenas quantidades?

É difícil estabelecer esses limites, sobretudo, porque vivemos em um país onde o consumo de bebidas etílicas é altamente permissivo, sendo apenas vedada a venda para menores de 18 anos. No Brasil, bares, botecos, restaurantes, boates funcionam até o último cliente ir embora.

Existem algumas distinções sobre os padrões de consumo de álcool: há pessoas que não têm problema algum quando bebem; as que fazem uso abusivo do álcool; e aquelas que são dependentes da substância.

O quanto é normal beber?

Em entrevista ao UOL, o médico Drauzio Varela explica que, atualmente, há um consenso na medicina de que um homem saudável pode beber em uma ocasião o equivalente a dois ou três taças de vinho, ou dois copos de chope, ou uma dose pequena de destilado. Já para a mulher, as doses variam para menos, devido a uma maior sensibilidade biológica. Isso seria um padrão de consumo moderado do álcool.

O especialista esclarece que, em uma festa, se uma pessoa bebe cinco copos de cerveja ou três de uísque, já está ingerindo uma quantidade superior à tolerada pelo organismo em termos de intoxicação alcoólica, ou seja, está ultrapassando o que seria definido como consumo moderado.

Seria este um sinal de alerta, como o amarelo do semáforo?

O que é alcoolismo?

De acordo com o Dr. Drauzio, o alcoolismo é uma doença crônica que se caracteriza por aspectos comportamentais de consumo compulsivo de álcool. Para a medicina, uma pessoa passa a ser diagnosticada como alcoólatra quando se torna progressivamente tolerante à intoxicação da substância e apresenta sintomas de abstinência quando fica sem ela.

Fatores genéticos também não podem ser ignorados no diagnóstico, já que o alcoolismo é frequente em algumas famílias. Há estudos que comprovam que os filhos abstêmios de pais alcoólatras têm mais resistência aos efeitos do álcool do que jovens cujos pais não apresentam essa condição.

Efeitos do álcool e tolerância

O álcool chega ao cérebro rapidamente, logo após um drink. Os efeitos que provoca costumam ser: euforia, perda de inibição, emotividade exacerbada, entre outros. Quando consumido em alta dosagem, há pessoas que se tornam agressivas e perdem, inclusive, o controle. O cérebro perde algumas funções cognitivas, como dificuldade em encadear palavras, perda da capacidade motora, visão dupla, taquicardia.

A resistência a esses efeitos é um sinal de que a pessoa desenvolveu tolerância ao álcool. Há aquelas que já chegaram à fase aguda, quando aparentam, após beber em demasia, sobriedade.

Varela afirma que há diversos estudos que demonstram que as pessoas resistentes ao efeito do álcool têm, estatisticamente, maior chance de tornarem-se dependentes.

No cérebro, os sintomas da abstinência são: tremores, distúrbios de percepção, convulsões e delirium tremens.

Por ser um hábito aceito socialmente, o alcoolismo é negado pelo dependente. É comum defesas do tipo “só mais uma cervejinha”, “eu apenas estava alegre”. Admitir que se está bebendo muito, mesmo quando não se trata de um caso de alcoolismo, é algo difícil para qualquer pessoa.

Qual é o limite?

Do ponto de vista biológico, ainda que uma pessoa não seja alcoólatra, quando ela bebe em demasia – por exemplo, no churrasco do fim de semana -, o álcool provoca lesões ao organismo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que esse tipo de pessoa que bebe bastante apenas no churrasco de sábado faz uso nocivo do álcool, embora não seja dependente, já que consegue passar dias sem beber e sem beber pela manhã, ou seja, apresenta um padrão razoável de consumo.

O problema é que esse padrão, no Brasil, é socialmente aceito e, com isso, vai sendo passado para gerações mais jovens, além dos problemas de acidentes no trânsito, violência doméstica e outros tipos de violência, provocando um grande custo social.

Na televisão, são abundantes os anúncios publicitários de marcas de bebidas alcoólicas. Também há um certo relativismo sobre o consumo de álcool por parte de alguns pais, que creem que o filho “apenas beber e não usar drogas” é um comportamento inofensivo.

Se pensarmos que, antes de as campanhas publicitárias de cigarro serem proibidas no Brasil, o número de fumantes – e de jovens fumantes – no país era elevado, por que não adotar a estratégia da proibição e/ou restrição de anúncios que vendem álcool?

Tratamento

Reconhecer o alcoolismo é o primeiro passo para o tratamento, que se dá em duas fases:

  • Desintoxicação – realizada durante um breve período sob supervisão médica, a fim de evitar os efeitos agudos da retirada do álcool. É comum o paciente ter recaídas nessa fase, por isso, o alcoolismo não deve ser tratado, exclusivamente, pela medicina convencional, mas, também, deve contar com supervisão psicológica;
  • Reabilitação – é o chamado Alcoólicos Anônimos (AA). Após controlados os sintomas agudos da crise de abstinência, os pacientes devem ser encaminhados para programas de reabilitação, a fim de ajudá-los a viver uma nova fase da vida – sem álcool.

É fundamental a participação e o apoio de familiares e amigos durante o tratamento para ajudar o paciente a não ter recaídas.

Problema de saúde pública

De acordo com dados de 2018 da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 3 milhões de mortes são provocadas, anualmente, pelo uso abusivo do álcool, informa o UOL.

O alcoolismo, que tem tamanha abrangência e causa tantos prejuízos sociais, precisa de uma ampla cobertura de saúde para ser tratado. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) atende gratuitamente pacientes com problemas com o álcool nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), como ação da Política Nacional de Saúde Mental.

Os CAPS contam com equipes multiprofissionais que atuam no atendimento desses pacientes, inclusive, em situações de crise dentro dos processos de reabilitação psicossocial.

Não hesite em pedir ajuda ao reconhecer que está bebendo demais, mesmo que não se trate, ainda, de um caso de alcoolismo. Rever os hábitos, estabelecer uma nova rotina de vida, sem que o álcool esteja tão presente, pode ajudar quem pressente que está exagerando um pouco na dose, antes de que ela aumente, junto com o problema.

No vídeo a seguir, o Dr. Drauzio esclarece alguns aspectos que servem de alerta sobre o alcoolismo:

Talvez te interesse ler também:

Será que você bebe demais? Reveja sua relação com o álcool e liberte-se

Câncer de pâncreas: sintomas, fatores de risco, taxas de sobrevivência

Álcool faz mal em qualquer quantidade, dizem pesquisas

É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.