Por que frentistas não devem encher o tanque de gasolina até a boca?

não devem encher o tanque de gasolina até a boca

Quem nunca assistiu a um comercial de posto de gasolina e ouviu o motorista dizer ao frentista: “completa” ou “enche até a boca”. As tradicionais frases ditas em comerciais e no cotidiano, são entendidas como um pedido do motorista para encher o limite acima da programação automática, mas parece que este simples gesto pode fazer um mal tremendo à saúde dos profissionais de postos de gasolina.

Abastecer o tanque, além da programação automática das bombas, pode expor os profissionais a níveis até três vezes maiores de benzeno, substância considerada cancerígena.

Quem faz o alerta é o deputado estadual do Rio de Janeiro, Carlos Minc do PT acompanhado de ambientalistas, que promoveram um ato no dia 15 de maio para conscientizar os motoristas a respeito desses riscos quando solicitam para encher o tanque “até a boca”.

De acordo com o médico do trabalho Luiz Roberto Tenório, a exposição, mesmo mínima, pode causar danos à saúde porque ela é diária e prolongada. "Quando você manda encher o tanque (além do travamento), esse pouquinho (a mais) que passa faz com que o benzeno contamine os frentistas. E essa contaminação por benzeno é muito perigosa porque pode causar câncer de pulmão e é responsável por uma doença muito grave que é a leucemia", explica o médico.

O médico afirma que os motoristas não correm nenhum risco, pois a exposição não é prolongada.

A questão interessante no ato do deputado e dos ambientalistas, é que ele não deveria ser necessário. Isto porque a prática de abastecer além do travamento automático da bomba já é proibida por lei no estado. Em vigor desde 21 de janeiro deste ano, a Lei 6.964 de 2014 prevê multa de 5 mil Unidades Fiscais de Referência (Ufirs) – R$ 13.559 mil – para os postos de gasolina que descumprirem a legislação. O valor pode chegar a R$ 27.119 mil caso haja reincidência, mas a desobediência e os problemas de fiscalização, faz com que o ato seja mais do que necessário, pelo bem dos frentistas.

O deputado ainda defende que os cariocas passem a utilizar mais os meios de transporte públicos, assim como a bicicleta.

“Os cidadãos devem priorizar o transporte público e a bicicleta e, caso andem de carro, [utilizem] o álcool em vez da gasolina. A medição constatou que os níveis de benzeno expelidos chegaram a ser três vezes maiores quando o tanque foi abastecido até a boca”, acrescentou o parlamentar.

Enquanto que o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência do Município do Rio de Janeiro (Sindcomb) afirma que o motorista deve aprender a legislação e não insistir para encher até a boca ou mesmo mandar completar com o mesmo propósito (algo que ainda acontece com frequência no estado, mesmo com lei), mas sim completar de forma correta, o que não gera risco para o frentista e nem para o carro, já que o sindicato alega que encher até a boca também pode trazer prejuízos mecânicos ao motor do veículo.

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Fonte foto: freeimages.com