©Amie Martin/Unsplash

Halloween: comemoremos o fim da Inquisição e da Caça às Bruxas

Halloween chegando é sempre uma boa pedida falar sobre bruxaria. Houve um tempo em que praticar curas naturais, ser um fitoterapeuta, utilizar oráculos, comemorar festas pagãs, folclóricas ou acreditar no sobrenatural, era considerado bruxaria.

Esses atos recebiam o julgamento do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição da Igreja Católica, com veredito final e penalidade que chegava ao máximo da condenação com a pena de morte na fogueira.

Nesse Tribunal foram julgadas personalidades que marcaram e fizeram a diferença em nossa história, provocando transformações positivas, mas que na época eram consideradas uma ameaça aos dogmas da Igreja Católica.

Dentre os que foram condenados à morte pela Inquisição temos o cientista italiano Giordano Bruno e a mística, vidente e revolucionária francesa, a jovem Joana D’Arc,

Muitos de nós, se vivêssemos naquela época poderíamos ser perseguidos e até condenados por não seguir o que a Instituição Católica ditava como verdade absoluta. Por isso, não havia liberdade de se ter outras ideologias, valores, ideias, pontos de vistas ou religião, pois só havia uma: o catolicismo.

Homossexuais, místicos, curandeiros, cientistas, filósofos, magos, ciganos, entre outros, eram  considerados bruxos e hereges, não tinham liberdade de expressão e precisavam evitar a exposição de suas ideias.

Galileu Galilei, o astrônomo italiano que percebeu que a Terra girava ao redor do Sol (Heliocentrismo), e não o contrário como acreditavam as autoridades do catolicismo, foi perseguido pela Inquisição. Sua descoberta quase lhe rendeu a condenação à fogueira. Isso só não aconteceu porque ele acabou negando sua afirmação e desistindo de defendê-la, para escapar com vida e não morrer na fogueira.

Por tudo isso, é interessante saber mais sobre a Inquisição e como ela foi deixando de existir. Hoje, temos motivos para comemorar.

O que foi a Inquisição?

A Inquisição era um sistema jurídico cujo objetivo era combater a heresia, a bruxaria, a blasfêmia e outros costumes considerados desviantes da igreja católica. Esse sistema foi instaurado e praticado durante os séculos XIII e  XIX.

A Igreja Católica Romana era uma instituição que atuava junto ao Estado e normatizava a conduta moral, social e religiosa da sociedade.

O Tribunal do Santo Ofício, também conhecido como Inquisição, foi criado com o objetivo de impedir que as pessoas que não seguissem os ensinamentos católicos, influenciassem os seguidores dessa Igreja.

Para intensificar os julgamentos e condenações, em 1484, durante o papado de Inocêncio VIII, foi emitida uma bula oficial com a normatização e legislação do que era passível de ser considerado bruxaria.

Dois inquisidores, James Sprenger e Heinrich Kraemer, foram responsáveis por emitir essa bula, denominada “O Martelo das Feiticeiras”, que se tornou o livro que norteou uma série de perseguições e julgamentos aos acusados de bruxaria e a caça às bruxas.

Estima-se que cerca de 100.000 pessoas foram executadas pela suposta “prática de bruxaria”, geralmente na fogueira.

Como funcionava o Tribunal da Inquisição

Esse órgão legislador era composto por um tribunal que julgava os atos considerados crimes contra a religião (que era uma só, a católica).

Todos os acusados de heresia eram denunciados, vigiados, espionados, perseguidos, torturados, interrogados, julgados e condenados.

As penas podiam variar desde prisão temporária ou perpétua até a morte na fogueira, na qual os condenados eram queimados vivos em plena praça pública (que horror!).

Vários países onde o catolicismo imperava aderiram a este Tribunal, como por exemplo: Portugal, França, Itália, Espanha e até o Brasil, que era colônia de Portugal.

O que eram heresias?

Heresia era todo ato considerado contrário à igreja, como por exemplo, as práticas que envolviam a cura através de chás ou remédios feitos de ervas ou outras substâncias naturais. 

Praticantes de bruxaria eram, por exemplo:

  • os benzedeiros
  • alquimistas
  • místicos
  • médiuns
  • sensitivos
  • ocultistas
  • pessoas com transtornos psicológicos, deficiências físicas ou marcas de nascença
  • seguidores da cultura e doutrina pagã ou religiões politeístas (com vários deuses)
  • judeus, que seguiam o judaísmo (que não acreditavam que Jesus era o Messias)
  • ateus
  • homossexuais, lésbicas e bissexuais
  • cartomantes, tarólogos e leitores de outros oráculos
  • astrólogos

Além dessas perseguições, a Igreja Católica em parceria com os Reis, se aproveitara da Inquisição para perseguir e eliminar todos aqueles que eram uma ameaça ao poderio político e econômico que ambos detinham.

Com isso, vários nobres e burgueses foram perseguidos e mortos, além de terem suas propriedades confiscadas, o que deixou a Igreja Católica bem rica e cheia de posses.

A Caça às Bruxas

O termo “Caça às Bruxas” foi e é utilizado para fazer referência à perseguição ocorrida, principalmente às mulheres que possuíam poderes sobrenaturais, e para designar as perseguições e condenações a todos aqueles que não seguiam, ou que se opunham, à doutrina da Igreja Católica.

A Caça às Bruxas foi intensificada por esta instituição, principalmente entre os séculos XV e XVIII e, durante este período morreram muitas pessoas notáveis.

Veja a lista com algumas das pessoas perseguidas e executadas -> AQUI.

Marcas do Demônio

As “Marcas do Demônio” eram na verdade sinais de nascença como pintas e verrugas, ou sinais adquiridos como as cicatrizes.

Estas marcas eram averiguadas pelos inquisidores através de um exame público, após retirada de todos os pelos corporais. Nessas marcas eram utilizados instrumentos cortantes e, caso houvesse sangramento, a pessoa era inocente; se não houvesse, era culpada (os resultados eram forjados intencionalmente pelo inquisidor).

Fim das Heresias e da Inquisição

Com advento do Humanismo e do movimento Iluminismo, que defendiam ideias mais liberais e combatiam o poder da Igreja Católica, vários pensadores e pessoas influentes da época acabaram aderindo e se opondo à inquisição.

Dessa forma, a Igreja Católica foi sendo combatida e perdendo seguidores e, consequentemente, se enfraquecendo em sua influência política e em seu poder social, o que contribuiu para o término do Tribunal da Inquisição no século XVIII.

Comemorar o Halloween

Dia 31 de Outubro está chegando. Neste dia é comemorado o Hallowen, uma festividade originária da cultura pagã.

Outra data comemorada neste dia e que faz parte da cultura brasileira é o Dia do Saci Pererê, um mito do nosso folclore.

Já pensou se a Inquisição não tivesse tido fim? O que hoje é considerado misticismo ou folclore, seria inconcebível e considerado bruxaria.

Ainda bem que a humanidade evoluiu nesse sentido, e tamanha barbaridade fundamentada em preconceito, dogmatismo, fundamentalismo e ignorância, acabou!

Seguidores da Wicca, bruxos modernos, fitoterapeutas, xamãs, holísticos e esotéricos: comemorem!

Talvez te interesse ler também:

Halloween: como esculpir a abóbora para fazer uma lanterna (FOTOS)

Gostosura ou travessura e outras brincadeiras para o Halloween

Fantasias de Halloween criativas e fáceis de fazer em casa

Decorações para o Halloween: 10 ideias fáceis e sustentáveis!

Como fazer saia, chapéu e maquiagem para o Halloween

Sobre Deise Aur

Avatar
Professora, alfabetizadora, formada em História pela Universidade Santa Cecília, tem o blog A Vida nos fala e escreve para GreenMe desde 2017.

Veja Também

Desmontando mitos: por que Gandhi não é unanimidade

Como dizia Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra”. A radicalidade da evocação da fala do …