Degradação da Amazônia afeta todo o clima brasileiro, causa seca e muitos outros problemas

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Se você acha que a Amazônia fica longe demais da tua para ter de se preocupar com ela, você precisa entender o que estudos apontam sobre a relação entre desmatamento naquela região, e seca em outras partes do Brasil.

Sibélia Zanon em reportagem para o site Mongabay, explica que a perda de cobertura vegetal da floresta amazônica, seja por desmatamento, queimada, invasão ou qualquer outro tipo de degradação, influi diretamente no clima do resto do Brasil e vem causando seca nas regiões Centro-Oeste, Sul e parte do Sudeste.

São vários os fatores que influenciam o clima de uma região ou um continente. Dentre eles, estão fenômenos meteorológicos, já aguardados e previstos, e outros que podem ser inesperados.

No caso da Floresta Amazônica, um fenômeno bem comum conhecido e esperado pelos cientistas, é a umidade produzida pelas árvores que é carregada pela massa de ar em forma de vapor. Ela é conhecida, esperada e monitorada.

Essa umidade, inclusive, abastece outro fenômeno, não tão comum, os chamados “rios voadores”, grandes fluxos maciços de água em forma de vapor, só que aéreos, suspensos no ar, voando como nuvens.

Esses rios voadores partem do Oceano Atlântico e são alimentados pela umidade que evapora da floresta.

Esses rios de umidade, que atravessam a atmosfera rapidamente sobre a Amazônia até encontrar com os Andes, influenciam principalmente o clima do Sul do Brasil e países vizinhos e são vitais para a produção agrícola e a vida de milhões de pessoas na América Latina.

Opinião de especialista

Segundo Antônio Nobre, pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe):

“No caso da Amazônia, uma árvore frondosa, com uma copa de 20 metros de diâmetro, transpira mais de 1.000 litros em um único dia. Nós fizemos a conta, que também foi verificada de forma independente, e surgiu o incrível número de 20 bilhões de toneladas (ou 20 bilhões de litros) de água que são produzidos todos os dias pelas árvores da Bacia Amazônica”.

Ainda segundo Nobre, ele analisou mais de 200 artigos científicos sobre a Amazônia e sua relação com o clima e as chuvas no Brasil, e concluiu que o desmatamento dessa região influencia a falta de água sentida nas regiões mais populosas do país, incluindo o Sudeste.

O estudo do pesquisador resultou no relatório “O Futuro Climático da Amazônia“, lançado em 2016, o qual traz a seguinte constatação:

A América do Sul está secando devido aos efeitos combinados do desmatamento e das mudanças climáticas”.

Derrubada de árvores e falta de chuva

Desde 2012, os órgãos de monitoramento conseguiram identificar que a falta de chuvas estava diretamente relacionada com a derrubada da floresta, a partir da conclusão de que a diminuição da quantidade de árvores no bioma impede o fluxo de umidade entre o Norte e o Sul do país.

Segundo um boletim do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, lançado em junho deste ano, nos últimos dois anos, a seca tem atingido gravemente as regiões Centro-Oeste, Sul e parte do Sudeste, incluindo o estado de São Paulo, principalmente o interior, e sul de Minas Gerais.

De acordo com a pesquisadora Adriana Cuartas, do Cemaden:

“A seca começou no Nordeste e durou quase sete anos de forma muito severa, depois, em 2014, o abastecimento de água na área metropolitana de São Paulo ficou em condições críticas. Agora, as preocupações estão voltadas para o Sul, onde há quase dois anos as chuvas estão abaixo da média”.

Setores mais afetados

Os setores afetados mais visíveis e perceptíveis são a agricultura e abastecimento de água, mas a seca severa também importa numa cadeia sucessiva de impactos que vão desde o clima até comportamento da fauna, flora, capacidade e volume dos rios, e por aí vai.

Já deu para perceber que o planeta funciona como uma perfeita engrenagem, qualquer peça faltando ou modificada, alterada ou trocada de lugar, qualquer falta de lubrificação, manutenção, bom uso e cuidado, podem desencadear alterações ruins, não andamento da máquina e, no final, pode ter certeza, todos serão afetados, de uma forma ou de outra. É imprescindível que movimentos sejam feitos para que sejamos afetados positivamente, infelizmente não é esse o caminho que temos trilhado.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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