Terra Yanomami - Olhando de cima o Pico da Neblina - uma foto de Marcos Amend

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Pico da Neblina

O Pico da Neblina, nosso ponto mais alto e mais ao norte, é sempre um bom motivo para a gente escrever e, mais ainda quando surge uma nova foto do Marcos Amend para ilustrar a fala.

Marcos Amend é um fotógrafo ambiental de primeira linha - sai pelo Brasil, de norte a sul, buscando os melhores pontos de perspectiva para nos mostrar como é que é, na real, a nossa belíssima natureza.

As fotos do Marcos são belíssimas, não há o que se dizer. Já falamos delas aqui no Greenme, lembra? Foi quando falamos de uma outra foto que o Marcos intitulou de A Barreira do Yaripo e comentamos que o Pico da Neblina - assim se chama o Yaripo para nós, brancos urbanoides - está fechado para visitação e que o projeto turístico futuro prevê a participação ativa dos Yanomamis, ancestrais detentores da proteção do lugar.

Bem, a história desta foto, em especial, eu não vou repetir pois ela já está muito bem contada pelo próprio fotógrafo mas, junto com ela vem toda uma nova maneira de se entender nossas riquezas naturais e os povos que as povoam e cuidam.

Este é o caso dos Yanomami e do Pico da Neblina. Paro aqui só para lembrar que a subida ao Yaripo, monte sagrado dos Yanomamis, é um pedação de chão entre as águas e as nuvens, de 2995 metros de altitude, percurso que atualmente só expedições técnicas podem fazer já que o Parque Nacional do Pico da Neblina colindante com a Terra Indígena Yanomami, ainda está fechado para visitação turística.

UM POUCO SOBRE A TERRA INDÍGENA YANOMAMI

Esta é a maior terra indígena demarcada, homologada, do nosso território, reconhecida por sua importância relevante na proteção da biodiversidade amazônica.

São 9.664.975 hectares (96.650 km²) de floresta tropical localizada nos estados de Roraima e Amazonas, fronteira com Venezuela e sobreposta, em parte, por dois parques nacionais venezuelanos, um parque nacional brasileiro, o do Pico da Neblina, e a Floresta Nacional da Amazônia.

yanomami mapaFonte mapa

Para quê tanto parque nacional? Pois, para preservar melhor a Terra Indígena que é, na verdade, a maior preservadora da biodiversidade local.

Para fechar este tema, te convido a conhecer a Expedição ÕKÃPOMAƗ, realizada por yanomamis junto com técnicos do Instituto Socioambiental, um fotógrafo e um repórter do Mídia Ninja, que teve por objetivo percorrer a Terra Indígena Yanomami, no estado de Roraima, em busca de sinais de pressão ambiental, degradação ou invasão por não-indígenas.

Esta expedição percorreu mais de 50 km da borda leste da Terra Indígena Yanomami, durante o mês de outubro de 2014:

“A terra-floresta só pode morrer se for destruída pelos brancos. Os riachos sumirão, a terra ficará friável, as árvores secarão e as pedras das montanhas racharão com o calor. A terra-floresta se tornará seca e vazia. Os xamãs não poderão mais deter as fumaças-epidemias e os seres maléficos que nos adoecem. Assim, todos morrerão.” — Xamã Davi Kopenawa

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