Microesfera ecológica pode substituir o microplástico usado pela indústria

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Quando se pensa em degradação ambiental, a primeira ideia que as pessoas têm é a dos males causados pela eliminação de dióxido de carbono, a derrubada indiscriminada de árvores, ou até mesmo o impacto humano na redução da biodiversidade. No entanto, os danos ao meio ambiente podem ser muito mais sutis e estarem presentes, por exemplo, em produtos aparentemente inofensivos. São os microplásticos, que por serem extremamente pequenos (medem cerca de 0, milímetros), são despejados para os mares e oceanos, poluindo as águas, adoecendo e matando animais e prejudicando a saúde humana.

No entanto, esses microplásticos, amplamente utilizados pela indústria, podem estar com os dias contados, graças a uma nova alternativa sustentável feita com celulose.

A descoberta partiu de pesquisadores do Centro de Tecnologias Químicas Sustentáveis (CSCT) da Universidade de Bath, no Reino Unido, e foi publicada na revista ACS Sustainable Chemistry and Engineering.

Proveniente da celulose encontrada nas madeiras e plantas, essas microesferas renováveis e biodegradáveis são mais maleáveis que a versão feita com plástico. Por isso elas se mantêm estáveis em produtos, mas são quebradas quando entram nas redes de esgoto, evitando assim que parem nas águas dos mares e oceanos.

Microplástico: um problema ambiental

Os microplásticos, que são encontrados em cosméticos, como os esfoliantes, itens de higiene, como as pastas de dente, e até mesmo roupas de fibras sintéticas e no sal de cozinha, são despejados no esgoto, graças a ação de bilhões de pessoas fazendo coisas parecidas todos os dias, como escovar os dentes e cuidar da pele.

Estima-se que, em um único banho, por exemplo, cem mil partículas de plástico cheguem as águas oceânicas e mares. Essa água contaminada é ingerida pelos seres marinhos, que não sabendo especificar o que é comida do que não é, adoecem e morrem, em contato com essas substâncias. Além do mais, essas microesferas se juntam, ao chegar as águas, com mais partículas tóxicas, e aí o estrago é gigantesco.

Já existem estudos, por exemplo, que mostram que os produtos químicos, como o microplástico, estão aumentando os casos de câncer em animais selvagens, como o Demônio da Tasmânia. Ademais, um dos mais afetados por essas micropartículas são os zooplânctons, responsáveis por produzir boa parte do oxigênio da Terra. Os males aos seres vivos, entre eles os humanos, que ingerem os peixes e outras espécies marinhas, vão longe, causando problemas intestinais sérios e até mesmo alterações hormonais.

Por todas essas coisas, descobertas como essa dos pesquisadores britânicos são, não somente importantes, como também necessárias e podem salvar vidas, inclusive a dos humanos.

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