“Cerrado, Berço das Águas” em risco: campanha pela valorização deste bioma

cerrado

Uma campanha de valorização do Cerrado brasileiro foi lançada ontem (27), em Brasília, por diversas entidades, entre elas a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

A campanha “Cerrado, Berço das Águas”, publicizada pela Rádio EBC, visa a alertar a população brasileira sobre o risco que o Cerrado está correndo com a destruição de seu bioma, que envolve importantes nascentes de nossas bacias hidrográficas e da América do Sul. São elas: a bacia Amazônica, a do Araguaia/Tocantins, a do São Francisco e a do Prata.

O Cerrado não tem a mesma visibilidade da Amazônia, o que o torna mais frágil. De acordo com Isolete Wichinieski, da CPT, a campanha chama "a atenção mesmo para essa realidade que o Cerrado está vivendo e da sua importância estratégica. Você tem uma visão muito ampla da Amazônia, uma defesa da Amazônia, e o Cerrado é deixado em segundo plano”.

Preservar a biodiversidade Cerrado é cuidar, também, das populações que dele dependem. Há muitas comunidades tradicionais cuja sobrevivência vem do Cerrado. O pequeno agricultor Pedro Alves dos Santos, de Campos Lindos do Tocantins, explica a importância do Cerrado para as comunidades campesinas: “Viver bem não é só estar aqui no ar-condicionado não. Viver bem, é você se alimentar bem, você viver bem com sua família, você ter convivência com a natureza e dar valor a ela. Porque é nossa vida. A água é nossa vida, a natureza é nossa vida”.

Além de reforçar a importância do Cerrado para a sociedade, a campanha pretende forçar o Congresso a aprovar a PEC 504/2010, que determina que o Cerrado seja reconhecido na Constituição Federal como Patrimônio Nacional. Além disso, objetiva-se debater a possibilidade de uma moratória do Cerrado, a fim de que o bioma possa se recuperar sem que o agronegócio atue sobre ele. 

As entidades envolvidas na campanha estão lutando, também, para que o projeto Matopiba, que delimita uma nova fronteira agrícola nos estados Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, seja interrompido, pois ele estaria afetando o Cerrado e sua população de forma negativa. 

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