Destruição galopante de áreas silvestres no planeta: Amazônia tem as maiores perdas

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Um trabalho realizado na University of Queensland, na Austrália, deu origem ao artigo “Catastrophic Declines in Wilderness Areas Undermine Global Environment Targets” foi publicado na revista Current Biology  que mostra, em mapas, que a destruição das áreas silvestres está acontecendo em ritmo maior do que podiamos prever.

No resumo deste trabalho está assinalado que as áreas selvagens, ou silvestres, vêm se mantendo como refúgios vitais para a manutenção dos processos ecológicos e evolutivos naturais. Estas são áreas onde a presença humana é mínima e portanto, as perturbações de origem antrópicas esperava-se que não fossem significantes porém, dada a falta de políticas públicas especificamente direcionadas à sua proteção, já se perderam, nas últimas duas décadas, mais de 10% de todas as áreas silvestres no mundo.

A função das áreas silvestres intactas é muito importante para a humanidade: é nelas que ainda é possível a preservação da biodiversidade, o armazenamento e sequestro de carbono, o tamponamento climático e regulagem das alterações climáticas de todo o globo. Mas, estas áreas, que não são economicamente interessantes para o sistema imperante, são marginalizadas ou totalmente ignoradas das políticas públicas e acordos ambientais multilaterais com a desculpa de que não são uma prioridade para os esforços de conservação e estão, comparativamente a outras, distantes dos processos que ameaçam a integridade dos ecossistemas.

O problema é que estas afirmações não são verdadeiras já que projetos de hidrelétricas, poluição do ar, uso de matéria prima, modificação do regime hídrico, dentre várias outras causas, afetam diretamente a saúde ambiental destas regiões provocando sua degradação.

Este estudo, pioneiro, apresenta uma nova metodologia de análise comparativo de mapas de cobertura vegetal, avaliando a situação das áreas, a nível global, desde 1990.

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As perdas verificadas por este estudo são realmente alarmantes: 3,3 milhões de km2, sendo que a maior porção deste total ocorreu na Amazônia (30%) e África Central (14%). Nestas duas macrorregiões, o que empurra a destruição inexorável das matas é, sem dúvida, o avanço das fronteiras agrícolas, sempre em busca de mais terra para seus cultivos intensivos e esgotadores da fertilidade do solo.

Com este avanço destruidor, par e passo do qual avança também a fronteira de uso de agrotóxicos, estaremos fadados a, em poucos anos, não termos mais nenhuma área silvestre intacta, nem para mostrarmos para os futuros habitantes do planeta como eram as magníficas florestas do planeta Terra, antes da industrialização.

Os resultados apontam “uma necessidade imediata de políticas internacionais para reconhecer os valores vitais das áreas silvestres e as ameaças sem precedentes que enfrentam e para sublinhar urgente em larga escala, as ações multifacetadas necessárias para mantê-los”.

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