Porquê não visitar o novo aquário de São Paulo e nenhum outro lugar que confine animais

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Foi inaugurado no último dia 16 de abril a nova área do Aquário de São Paulo, localizado no bairro do Ipiranga, na Zona Sul da capital paulista. O espaço conta com mais de seis mil metros quadrados e investimento de 15 milhões de reais para recepcionar 36 novos animais, entre eles um casal de ursos-polares, leão, lobo marinho e cangurus, para se juntar aos 3 mil animais de 300 espécies diferentes que já residem no local. A questão que permeia o novo espaço e o acréscimo no número de animais para o aquário é: existe mesmo necessidade de confinar animais selvagens para o entretenimento dos seres humanos?

Já abordamos o tema aqui em outra oportunidade, falando do preço que os animais pagam pela nossa diversão. No caso específico dos aquários, as pessoas talvez não sintam o peixe como um animal tão próximo como o sentem com outros animais terrestres, e talvez tenham a impressão de que o fato de os peixes estarem na água bastaria para que estes animais estivessem bem, pois a água é seu ambiente natural. Ledo engano!

Todos os animais precisam do seu habitat natural para viverem bem. Não importa o quão bem montado seja o cenário, ele sempre será artificial e trará consequências para a saúde da maioria dos espécimes neles contidos. Um exemplo é o que aconteceu no Sea World, onde as baleias Orcas começaram a apresentar problemas de nascença por conta do confinamento.

E nem mesmo as espécies menores são exceção. Talvez elas sofram menos porque muitos peixes no ambiente selvagem vivem em grandes grupos, formados por centenas e centenas de indivíduos, e fazem isso para se sentirem a salvo dos predadores e, obviamente, em aquários essa necessidade não pode ser satisfeita, exceto para as espécies bem pequenas e a consequência disso é que os peixes maiores estão geralmente nervosos e com medo.

Quanto aos animais de ambiente frio, eles são como o personagem de Jim Carrey, Truman Burbank, no filme “O Show de Truman”, em que o personagem vive dentro de uma “bolha” artificial que imita o mundo real, e a sua vida é transmitida 24 horas pela televisão. Com o tempo, ele descobre que aquilo é falso e faz de tudo para sair. O mesmo acontece com os ursos-polares, por exemplo, que vieram de um país gelado para viver às custas de um ar-condicionado potente, em um país tropical que tenta ser o círculo polar Ártico deles.

Por melhores que sejam as condições em seu cativeiro, os animais querem voltar para suas casas. Um caso extremamente comovente é o do urso-polar, Taco, do zoológico do Chile, cujo cativeiro tinha uma parede pintada com uma imagem do Ártico, da qual Taco olhava por horas, todos os dias, com saudades de casa. Sim, você leu certo, “olhava”. Isso porque Taco faleceu no dia 17 de abril, um dia depois de seus irmãos tornarem-se as novas atrações do Aquário de São Paulo, para, provavelmente, sofrerem o mesmo destino.

Quanto aos golfinhos em aquários, nem precisa dizer o quanto são fofos e inteligentes e por isso mesmo atraem um grande número de crianças. Mas quem ama os animais deve pensar que os golfinhos estão presos em uma piscina de tamanho insignificante em comparação ao mar. Transformá-los em atração de espetáculo é realmente o fim da picada, pior que isso, só mesmo o experimento que pretendia ensinar estes animais a se comunicarem com os humanos.

A única coisa que podemos fazer contra os aquários, zoológicos, circos e todos os lugares que confinam animais  é simplesmente não frequentá-los. Além do que já foi dito, não é instrutivo para as crianças passarmos a imagem de que é normal capturar os animais da natureza e colocá-los em exposição.

Em vez de ir ao Aquário de São Paulo, que tal fazer um passeio de barco onde se possa ver os peixes em estado selvagem sem lhes fazer nenhum mal? Custa caro? E quem disse que o aquário é grátis? Ou então, que tal ir à beira de um rio?

Na natureza é possível aprender e ensinar às crianças, sem tem que ficar cara a cara com o sofrimento animal.

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Fonte foto: tripcoolturismo.com.br