Frente de ex-ministros do Meio Ambiente contra Ricardo Salles, em defesa da biodiversidade brasileira

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Ricardo Salles

Uma frente inédita, composta por ex-ministros que ocuparam o Ministério do Meio Ambiente desde a redemocratização, quando a pasta foi criada, em 1992, foi formada para defender a biodiversidade brasileira.

Como informou o El Pais, fazem parte do coletivo os ex-ministros Rubens Ricupero, Gustavo Krause, José Sarney Filho, José Carlos Carvalho, Marina Silva, Carlos Minc, Izabella Teixeira e Edson Duarte, os quais assinaram um comunicado, em São Paulo, para alertar os brasileiros e o mundo inteiro sobre as práticas de uma “política sistemática, constante e deliberada de desconstrução e destruição das políticas meio ambientais", que tem sido implementada pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Desde 1992, todos os ministros que ocuparam a pasta do Meio Ambiente tentaram preservar, em alguma medida, uma unidade para o ministério, apesar de suas diferenças ideológico-partidárias.

Entretanto, o governo que diz querer acabar com “práticas ideologizantes” tem feito prevalecer a sua, de forma autoritária, destruindo toda uma estrutura existente há quase 30 anos, enfraquecendo órgãos fiscalizadores e de proteção ao meio ambiente, como o Ibama e o ICMbio.

O grupo de ex-ministros acusa o atual, Ricardo Salles (NOVO), de acabar com um trabalho que vem sendo edificado há décadas não por um governo ou um partido, mas por todo o povo brasileiro, ressaltou Marina Silva, que dirigiu o MMA entre 2003 e 2008.

Todos eles defenderam que não existe incompatibilidade entre desenvolvimento econômico e defesa da biodiversidade e de combate às mudanças climáticas. Silva destacou, ainda, que o Brasil "depende do meio ambiente para ser a potência agrícola e mineradora que é", já que o país chegou a crescer cerca de 3% ao ano ao mesmo tempo em que fomentava o agronegócio e reduzia em 80% o desmatamento na Amazônia.

Salles, por sua vez, rebateu as críticas dizendo que “vem se dedicando a uma inédita agenda de qualidade ambiental urbana, até então totalmente negligenciada" – sem esclarecer o que, de fato, significa essa agenda. É difícil para Salles dar credibilidade às ações tomadas pelo atual ministério sob a sua responsabilidade, haja vista que, em apenas quatro meses, várias medidas, denominadas de "retrógradas" pelo grupo de ex-ministros, foram tomadas, como:

- Transferir para o Ministério da Agricultura a demarcação de terras indígenas e o Serviço Florestal Brasileiro;
- Perder a Agência Nacional de Águas para o Ministério de Desenvolvimento Regional;
- Extinguir a Secretaria de Mudança Climática;
- Praticar assédio aos fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), responsáveis por aplicar multas ambientais para poluidores e desmatadores, além das ameaças de desmantelar áreas protegidas;
- Reduzir o Conselho Nacional do Meio Ambiente;
- Eliminar o Instituto Chico Mendes (ICMbio);
- Autorização indiscriminada de agrotóxicos na agricultura;
- Convocar militares e policiais militares para os cargos de chefia do IBAMA e do ICMbio sob o pretexto de que podem conferir um maior poder de política para esses órgãos.

Como assevera Silva, estão transformando o Brasil é um "exterminador do futuro". E para impedir que isso aconteça, o grupo decidiu se manifestar publicamente. Ricupero pediu aos jovens brasileiros que se inspirem nos jovens europeus, que têm dado uma aula de cidadania ao ocuparem as ruas pressionando os governos a não praticarem uma agenda antiambiental.

O Brasil, atualmente, vem perdendo credibilidade no mercado financeiro internacional ao colocar em prática ações contra o meio ambiente.

Vários países já deixaram de exportar nossos produtos por causa disso, causando prejuízos à economia brasileira.

Leia a resposta de Salles

Em resposta ao "manifesto", Ricardo Salles se pronunciou em seu Twitter, dizendo acolher com satisfação a carta subscrita pelos ex-ministros. O atual ministro pontua cada crítica recebida e afirma seu compromisso com a defesa do meio ambiente sem contudo se esquecer do “necessário e impostergável desenvolvimento econômico”:

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