Pesquisa sobre o aumento do nível de CO2 na Floresta Amazônica pode explicar o aquecimento global

aumento do nível de CO2 na Floresta Amazônica

Alguns pesquisadores acreditam que uma maior concentração de CO2 na atmosfera possa promover um aumento na absorção de carbono pela vegetação amazônica, contribuindo para retardar o processo de aquecimento atmosférico. Com base nessa premissa, um projeto de grandes proporções, mais de 20 instituições diferentes, está sendo implantado na Floresta Amazônica, numa região ao norte de Manaus, sendo fomentado pelo governo brasileiro, Banco de Desenvolvimento Inter Americano, BNDES e Noruega. O valor total do projeto é de 78 milhões e a previsão é de que seja executado por 13 anos.

O projeto, chamado Amazon Face, consiste em posicionar torres pela mata fechada, que emitem altas concentrações de CO2, para que seja medido por sensores a reação da vegetação quando essa concentração atinge 200 partes por milhão (PPM). A previsão mais otimista das Nações Unidas é de que a concentração atmosférica de CO2 chegue a 600ppm em 50 anos.

As florestas tropicais em todo o mundo são um verdadeiro termômetro para medir o aquecimento global. Eles armazenam bilhões de toneladas de carbono e seu potencial para continuar a absorver gases do efeito estufa da atmosfera é crítico para determinar por quanto as temperaturas ainda poderão subir nos próximos anos.

O pesquisador Carlos Nobre afirma que "os resultados serão de grande importância para outras florestas tropicais, para compreender como essas elas serão afetadas pelas mudanças climáticas ao longo deste século". Alguns especialistas ainda afirmam que um retardo no aumento da temperatura pode ser promovido pela maior concentração de CO2, que causa absorção de maior quantidade de carbono pela vegetação. Outros afirmam que o aumento na temperatura pode afetar negativamente a vegetação causando maior mortalidade, reduzindo a quantidade de carbono. Um modelo utilizado no Reino Unido mostrou que em 2013 os níveis de CO2 em 2100 variaram muito, de 669 a 1130 partes por milhão, dependendo de como as árvores lidam com a maior concentração do gases estufa. Esses valores podem significar um aumento de até 2 graus na temperatura.

Outro convênio assinado entre o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em maio, dia 14, visa medir o efeito estufa na Amazônia. O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do ministério, Carlos Afonso Nobre afirma que o convênio é importante porque fornece uma fonte estável de recursos para tirar a pesquisa do papel.

O projeto tem previsão de conclusão em 2027 e pretende monitorar oito regiões florestais: quatro delas com alta concentração de gás carbônico; e outras quatro com as concentrações atuais.

Fonte foto: wallpapers.brothersoft.com