Lama que não tem fim: Samarco não assina Termo para ressarcir vítimas

Tão grave quanto a tragédia ocorrida em Mariana, foram os vários fatos e ações tomados pela responsável pela barragem que rompeu e inundou de rejeitos a cidade prejudicando todo um ecossistema, a Samarco. E agora temos mais uma para a lista de “notáveis” decisões da mineradora: não assinar o termo para ressarcir as vítimas.

O Termo de Conduta foi proposto pelo Ministério Público e, em seu conteúdo, havia a garantia de de ressarcimento às vítimas do rompimento da barragem. A justificativa da mineradora foi de que ainda está estudando o documento juntamente com o MP, que confeccionou o Termo. Mas o que será que eles tanto discutem? Talvez qual seria a grandeza da tragédia?

Vamos ajudar:

Números de afetados pelo rompimento da barragem em Mariana

Entendemos, com muita boa vontade, a demora da Samarco em assinar o Termo. Afinal a mineradora ainda deve estar processando os números dos estragos da catástrofe a qual foi responsável. Vamos refrescar a memória dos donos da Samarco com os números, que ainda não estão em sua totalidade (com tamanha destruição, vai demorar ainda um bom tempo para termos os números finais da tragédia) fornecidos pela prefeitura da cidade:

* 25 pessoas desaparecidas, sendo 13 funcionários e 12 moradores;

* Cerca de 600 pessoas com as casas parcialmente ou totalmente destruídas pelos rejeitos;

* Mais de mil cabeças de gado perdidas;

* 150 hectares de milho destruídos, sendo que, grande parte deste milho iria se transformar em ração para o alimento do gado sobrevivente (que, à essa altura do campeonato, já não deve ter sobrevivido);

* 200 hectares de eucalipto soterrados;

* Toneladas de peixes mortos no Rio Doce e a destruição de todo um ecossistema que deve levar décadas para se recuperar.

ONU fará um relatório sobre a situação precária dos atingidos

Inspetores do Alto Comissariado de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas estiveram reunidos na semana passada com desabrigados e representantes da Samarco juntos, para colherem dados e elaborarem um relatório sobre o incidente. A reunião foi fechada à imprensa mas o grupo fez duras críticas à situação precária em que se encontram os atingidos pela tragédia.

Os inspetores teriam se impressionado com a falta de auxílio e com a ausência de amparo por parte da empresa responsável, e prometem chamar a atenção do governo federal sobre estes fatos. O relatório será divulgado amanhã em Brasília.

Estes são alguns dos principais fatos ocorridos após a tragédia causada pela Samarco, que acabou com a vida de muitos moradores da cidade de Mariana e região, e, ainda assim, a empresa ainda não assinou o Termo de Conduta para ressarcimento dos moradores. Como disse o promotor Guilherme Meneghim que acompanhou o grupo de inspetores da ONU: “Essa é a maior decepção, ver que estamos lutando praticamente sozinhos contra o poder econômico de grandes mineradoras. O governo federal passou por Mariana de helicóptero e sequer abraçou as vítimas”.

Acompanharemos o desenrolar dessa história!

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Fonte foto: fotospublicas