Especialista acredita que acabar com o desmatamento é um compromisso para antes de 2030

O pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa Ambiental (Ipam), Paulo Moutinho, assim como a maior parte dos ambientalistas não está satisfeito com o compromisso do governo brasileiro de zerar o desmatamento ilegal na Amazônia em até 2030, aliás, tal decisão será a contribuição brasileira levada à 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima (COP21), em dezembro, em Paris e apesar de ser alguma coisa...

Não dá para esperar até 2030 para zerar o desmatamento. O governo sabe que tem condições para uma antecipação bastante considerável dessa meta. As alterações já ocorrem na Amazônia devido à combinação de desmatamento com a influência da mudança climática global. É preciso fazer um esforço com a sociedade de cumprir essa meta muito antes do que está anunciado”, afirmou contundentemente Moutinho.

Lembrando que o Brasil apresentou o INDC, Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada, no último dia 27 na reunião da ONU em Nova York, Estados Unidos. O documento afirma que o país pretende diminuir a emissão de gases de efeito estufa em 37% até o ano de 2025, seguida de uma redução maior de 43% até 2030, além do tratado para restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares, recuperar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e integrar 5 milhões de hectares de lavoura, pastagem e pecuária.

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Sobre este assunto também se pronunciou o coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, Tasso Azevedo, que aproveitou para analisar outros aspectos da proposta brasileira, enfatizando que não há nada que detalhe zerar o desmatamento em outros biomas, como o Cerrado, ambiente nacional que sofre com a degradação.

A favor do INDC, o diretor de Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Adriano Santhiago, afirmou que o governo contemplou somente o Amazonas porque o sistema de monitoramento dessa região é o mais desenvolvido, consequentemente, é o mais “fácil” de receber as sansões do INDC. Santhiago também afirmou que a meta pode ser antecipada:

Fizemos uma proposta ambiciosa mas que dialogasse com a realidade do país. Ainda falta desenvolver o sistema de monitoramento nos outros biomas. O Cadastro Ambiental Rural vai ajudar no monitoramento dos outros biomas, estamos com 70% das propriedades já cadastradas no sistema”, afirmou Santhiago.

Depois das críticas, Tasso comentou a importância das ações do Brasil: “É um país em desenvolvimento com metas de redução de emissões absolutas. O principal problema hoje é mover os países para metas absolutas, para poder ter um número de emissões. O Brasil está puxando a discussão para outro patamar porque constrange a China, a Índia e outros países a ter que pensar sua INDC de uma outra maneira”, concluiu Tasso.