25 anos de latinhas de alumínio recicladas no Brasil

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Para comemorar 25 anos de reciclagem de latas no Brasil, diversos artistas expuseram 15 latas de alumínio gigantes espalhadas pela cidade de São Paulo, com pinturas e desenhos que homenageiam o ato da reciclagem e a sua importância.

Nas ruas as pessoas se interessam pelas “latonas” pintadas, param, conversam, reflitem.

A produção de latas de alumínio é uma produção de altíssimo custo, econômico e ambiental. O Brasil é o país que mais produz latas, 24 bilhões ao ano, e se orgulha de que 97% destas já são originárias da reciclagem.

Segundo Katia Campos, diretora geral dos serviços de limpeza urbana do Distrito Federal, em entrevista à EBC, essa liderança do nosso país em reciclagem de alumínio não se deve à consciência ambiental da população e sim, à pobreza que nossa população enfrenta diariamente. Assim, é bastante grande o número de catadores que vivem da reciclagem e, o seu elemento preferencial de coleta é a latinha de alumínio que alcança melhores preços no mercado, em comparação com garrafas pet, ao papel ou papelão.

Atualmente, menos de ¼ dos municípios brasileiros têm implantado programa de coleta seletiva efetivo. A informação é de que somente 1.000 municípios o executam e, mesmo assim, não atendem 100% dos seus domicílios. No entanto, mesmo naqueles municípios onde a coleta seletiva ainda não é realidade, os catadores recolhem grande parte do lixo reciclável, porta a porta e os sucateiros, que compram esta produção dos catadores, os transportam para os grandes centros, entrando esse material no circuito de reciclagem nacional.

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A Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/10, institui a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos: dos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, o cidadão e titulares de serviços de manejo dos resíduos sólidos urbanos na Logística Reversa dos resíduos e embalagens pós-consumo e pós-consumo. Criou metas importantes para a eliminação dos lixões e instituiu instrumentos de planejamento que visavam, até 2014, a obrigação de se mandar para aterros sanitários somente os rejeitos, ou seja, aquilo que não é possível ser reciclado ou transformado, como os materiais orgânicos, que deveriam ser encaminhados para a produção de composto. Porém, este horizonte ainda está distante já que não foram concretizados, em todos os municípios brasileiros, os ditames da lei.

É importante que a população separe seu lixo, pelo menos em dois recipientes – orgânicos - molhados e, recicláveis. Assim, se o seu município ainda não consegue realizar a coleta por separado, o catador poderá recolher os recicláveis (latinhas, metal, plástico, papel seco, papelão) reduzindo o que vai para o aterro.

É graças ao trabalho dos catadores brasileiros e também de alguns pequenos empresários, que o Brasil se tornou líder mundial de reciclagem, o que é um avanço muito importante para a preservação ambiental já que esta situação, objetivamente, reduz a área necessária para aterros sanitários.

E, como afirma Katia Campos, também é significativa a participação dos consórcios públicos que, juntando vários municípios, dispõe o lixo coletado em um único aterro, como é o caso de várias regiões metropolitanas, pelo país.

Mas, ainda está longe o momento de se poder considerar ampla vitória brasileira no jogo do lixo versus reciclagem. A população ainda não reconhece o valor intrínseco do lixo que produz e os danos que causa ao jogar lixo nas ruas, não separar os recicláveis, não devolver à terra a matéria orgânica na forma de composto ou até mesmo, ao não embrulhar o caco de vidro quebrado para impedir que o catador ou o gari se machuquem.

É importante dar o exemplo então, separe você o seu lixo, faça contato com os catadores que andam pelo seu bairro ou cidade, organize na sua comunidade a recolha dos recicláveis, que podem reverter em benefício financeiro aos catadores e, mais ainda, ao meio ambiente.

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Fonte foto: fotospublicas.com