Giorgio Armani, carta para o mundo da moda: “não quero mais trabalhar assim, precisamos desacelerar e acabar com o desperdício”

Giorgio Armani tem um estilo próprio e não apenas em suas roupas e coleções de moda. Em uma carta recente, abordando o mundo da moda, ele fez uma série de considerações muito importantes sobre o momento que estamos vivendo e sobre o futuro desse setor, que deve necessariamente passar por mudanças: “desacelerar” e tornar a moda mais ética e sustentável.

Na  emergência que o mundo está vivendo, Giorgio Armani se destacou várias vezes por uma série de ações. Antes de tudo, ele foi um dos primeiros a não subestimar a situação do coronavírus, tanto que decidiu apresentar sua nova coleção a portas fechadas em Milão. Depois se distinguiu por ter doado 1.250 milhões de euros à hospitais e finalmente por ter disponibilizado seus meios de produção e fábricas para confecção de vestidos descartáveis para médicos e enfermeiros.

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A carta desse famoso estilista foi publicada no WWD Women’s Wear Daily, uma revista dedicada ao universo da moda, lida principalmente por profissionais dessa área. Nela, Armani fez algumas reflexões muito importantes sobre o momento presente, mas também a respeito do futuro desse setor, que após essa experiência, sem dúvida precisará mudar.

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Giorgio Armani wrote an open letter to WWD responding to an article on “slow fashion” published on April 2. ⁣⁣ ⁣⁣ "Congratulations: The reflection on how absurd the current state of things is, with the overproduction of garments and a criminal non-alignment between the weather and the commercial season, is courageous and necessary. I agree with each and every point of it, in solidarity with the opinions expressed by my colleagues,” Armani said. ⁣⁣ "This crisis is an opportunity to slow down and realign everything; to define a more meaningful landscape. I have been working with my teams for three weeks so that, after the lockdown, the summer collections will remain in the boutiques at least until the beginning of September, as it is natural. And so we will do from now on," the designer continued.⁣⁣ ⁣⁣ Tap the link in bio to read the full letter. ⁣⁣ ⁣⁣ Report: @luisazargani ⁣ ⁣ —⁣ #wwdfashion⁣ #giorgioarmani ⁣ #slowfashion

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Na carta, Armani se coloca contrário à “moda rápida”, ou seja, à moda descartável, em constante mudança e sempre pronta, independentemente se está em consonância com as estações do ano, o clima, a natureza e o meio ambiente. Isso não é mais aceitável e ele a define como  imoral:

“O declínio do sistema da moda, como a conhecemos, começou quando o setor de luxo adotou os métodos operacionais de moda rápida com o ciclo de entrega contínuo, na esperança de vender mais… Não quero mais trabalhar assim, é imoral. Não faz sentido que minhas jaquetas ou roupas que ficam na loja por três semanas, tornem-se imediatamente obsoletas e sejam substituídas por novas mercadorias, que não são muito diferentes das que as precederam. Eu não trabalho assim, acho imoral fazê-lo.”

Ele ainda completa:

“Sempre acreditei em uma ideia de elegância atemporal, na criação de roupas que sugerem uma maneira única de comprá-las: que durará com o tempo. Pela mesma razão, acho absurdo que, durante o inverno, na boutique, tenha roupas de linho e durante o verão, casacos de alpaca, pelo simples motivo que o desejo de comprar seja estimulado de forma imediata.”

Isso não é tudo, Armani pede a seu setor que faça ações concretas, mude e desacelere:

“Esse sistema, impulsionado por lojas de departamento, tornou-se a mentalidade dominante. Errado, precisamos mudar, essa história deve terminar. Essa crise é uma oportunidade maravilhosa de desacelerar tudo, realinhar tudo, traçar um horizonte mais autêntico e verdadeiro. Sem espetacularização, sem mais desperdício. “

O estilista contou em primeira mão, o que está fazendo para fazer toda essa mudança:

“Há três semanas trabalho com minhas equipes para que, após o bloqueio, as coleções de verão permaneçam nas boutiques pelo menos até o início de setembro, como é natural. E assim faremos, a partir de agora.  Essa crise também é uma excelente oportunidade para restaurar o valor da autenticidade: chega da moda como um jogo de publicidade, com desfiles de moda em todo o mundo, com o único objetivo de apresentar ideias sem graça. Simplesmente para se divertir com programas grandiosos, que hoje se revelam inapropriados e vulgares, também. Muitos dos desfiles, em todo o mundo, são feitos envolvendo transportes poluentes; com desperdício de dinheiro para os shows (as fashion weeks), são apenas pinceladas de esmalte afixadas sobre o nada.

O momento que estamos passando é turbulento, mas nos oferece a oportunidade verdadeiramente única de corrigir o que está errado, remover o supérfluo, encontrar uma dimensão mais humana… Essa talvez seja a lição mais importante desta crise.”

E se Armani diz tudo isso, esperamos que muitos estilistas da moda façam o mesmo,  seja por identificação com suas ideias ou por inspiração e admiração por esse profissional.

Realmente, precisamos dessa mudança. Do jeito que estava, não dava para continuar. Isto é fato!

Sigamos com as mudanças necessárias, nosso planeta está precisando!

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Sobre Deise Aur

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Professora, alfabetizadora, formada em História pela Universidade Santa Cecília, tem o blog A Vida nos fala e escreve para GreenMe desde 2017.

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