10 mil rãs encontradas mortas no Titicaca

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As autoridades peruanas ainda tentam entender o motivo que levou cerca de 10.000 rãs da espécie Telmatobius culeus a aparecerem misteriosamente mortas no lago Titicaca recentemente.

As rãs, em perigo de extinção, são conhecidas como “scrotum frogs” na língua inglesa, uma forma de fazer menção ao seu formato único com pele sobressalente. O lago Titicaca fica entre a Bolívia e o Peru, está a cerca de 4mil metros acima do nível do mar, considerado o lago mais alto do mundo.

Ainda não se sabe o motivo real que teria levado às rãs a aparecem mortas de forma tão repentina, no entanto, ativistas da região alegam que esta catástrofe é uma mera consequência da negligência governamental e da poluição da água nos últimos anos.

Antes do incidente, já era observado uma diminuição expressiva de rãs Telmatobius culeus no lago Titicaca, pois, como ela é um animal natural da região, a própria degradação local de seu habitat por influência humana e sua captura para alimentação tem tido fortes impactos na sobrevivência de sua espécie. Em apenas 20 anos, desde 1990 para cá, a população de rãs na área já diminuiu mais de 80%.

Agora, de acordo com o Serviço Nacional Florestal e de Fauna Silvestre (Serfor) do Peru, cerca de 10.000 dessas rãs (que são consideradas gigantes), apareceram estranhamente mortas, numa área de cerca de 50 km. “Eu precisei trazer os sapos mortos. As autoridades não percebem como estamos vivendo. Eles não têm ideia de como a poluição é grande”, afirma o líder do protesto realizado pelo Comitê Contra a Poluição do Rio Coata. “A situação é de enlouquecer”, continua.

Segundo o comitê, a situação só chegou a este ponto por descaso deliberado do governo que não propõe estrutura para que haja o tratamento de esgoto da água no local. A suspeita é de que a poluição seja oriunda do rio Coata, localizado numa região fronteiriça com a Bolívia, segundo Serfor. As rãs concentram-se especificamente nesse local por se tratar de uma área fresca, pois o anfíbio procura absorver mais oxigênio ficando exposto ao ar.

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Em junho do ano passado já houve um caso parecido, “centenas de rãs mortas e outras moribundas” foram encontradas flutuando no lago, de acordo com a Associated Press. Na época, a causa apontada foi a mesma que traz suspeitas agora: a falta de saneamento e esgoto, além da poluição das fábricas, deixando resíduos tóxicos que contaminam o habit do animal, prejudicando várias outras espécies.

No começo deste ano, no mês de janeiro, o Peru e a Bolívia assinaram um acordo de US$ 500 milhões para que o lago Titicaca seja limpo até 2025, mas os ativistas temem que seja tarde demais e as rãs já não existam mais. “Por que é que o Estado é tão apático? Precisamos de uma estação de tratamento agora”, diz Inquilla, líder do protesto.

Autoridades descobriram resíduos flutuando sobre a água, segundo a CNN. Amostras foram coletadas para que sejam testadas por especialistas do Zoológico de Denver, mas preliminares já apontam que os resíduos encontrados sejam de aldeões da região que começaram a jogar seu lixo no lago, o que aumentou ainda mais a contaminação e afetou diretamente as rãs. Além disso, o lixo também é oriundo das cidades dos arredores do lago Titicaca.

Desde 1996 a rã Telmatobius culeus é considerada uma espécie de rã em extinção. Uma catástrofe dessa grandeza representa um enorme perigo para a sobrevivência desse animal. Afeta também a vida dos moradores da região que têm as rãs como uma das bases de sua renda e alimentação. O caso da morte das rãs é um exemplo triste de que a preservação é necessária.

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