Consumir cebola cortada e deixada na geladeira faz mal à saúde? Este e outros mitos

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cebola cortad

Circula na Internet, e principalmente no WhatsApp, uma mensagem de alerta sobre os perigos de deixar a cebola cortada na geladeira e depois consumi-la, alegando que isso é muito prejudicial à saúde pelo fato de a cebola absorver bactérias, causadoras de doenças. Será que isso é, de fato, verdade?

Alguns sites foram atrás de comprovações científicas para saber se realmente as afirmações das mensagens escritas ou em áudio procedem, e neste conteúdo serão mostrados os resultados, devidamente linkados, das pesquisas coletadas.

Acompanhe os esclarecimentos para saber se realmente as informações de que "as cebolas cruas protegem da gripe porque absorvem bactérias e são tóxicas aos cães", são verdadeiras ou não.

1. Cebolas cruas protegem da gripe, são imãs para bactérias e fazem mal aos cães?

Texto da mensagem:

"Em 1919, quando a gripe matou 40 milhões de pessoas, havia um doutor que visitou muitos agricultores para ver se ele poderia ajudá-los a combater a gripe, pois que muitos deles que haviam contraído a doença haviam morrido.

Em uma visita na propriedade de outro fazendeiro, na mesma região, o médico se surpreendeu ao saber o bom estado de saúde que lá encontrou.

Todos estavam muito saudáveis.

Quando o médico perguntou ao fazendeiro o que eles estavam fazendo para se protegerem da gripe, a mulher deste prontamente respondeu que ela colocava uma cebola cortada (com casca) em pratos e distribuía-os nos quartos da casa.

O médico não podia acreditar no que ouviu.

Pediu ao fazendeiro para lhe entregar umas das cebolas que estava usando e pôs sob seu microscópio, quando então observou enorme número de bactérias da gripe ali acumulados.

Levado a um pneumologista, este explicou que as cebolas são um imã enorme para as bactérias, especialmente as cebolas cruas.

Em suma, nunca mantenha cebolas fatiadas para serem usadas no dia seguinte, mesmo que colocadas em sacos fechados, herméticos ou na geladeira.

Seu consumo deve ser imediato, vez que pode ser um perigo consumi-las à posteriori.

Além disso, os cães nunca devem comer cebolas.

Seus estômagos não podem metabolizar cebolas.

Lembre-se: é perigoso cortar uma cebola e consumir lá no dia seguinte.

A cebola se torna altamente venenosa, mesmo depois de uma noite única, e cria bactérias tóxicas.

Essas bactérias podem causar infecções no estômago adversos por causa de secreções biliares em excesso e intoxicação alimentar.

Repasse essa mensagem a todos os que você ama e se preocupa!"

2. Mito ou verdade?

O site Saúde Abril, recentemente consultou especialistas para averiguar se a cebola crua protege mesmo da gripe e absorve bactérias do ambiente. Para confirmar isso, buscou referências em estudos científicos e fez entrevista com dois profissionais: a nutróloga Nayara Almeida Alvez de Oliveira, do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco, em São Paulo, e o engenheiro de alimentos Edison Triboli, do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul.

Os dois especialistas afirmaram que essas informações sobre a cebola são falsas.

O site G1 já havia feito essa pesquisa anteriormente, pois, essa notícia da cebola vem circulando há tempos na Internet e, para isso, checou essas informações com os especialistas da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e a diretora de hospital veterinário Pet Care.

3. O que disseram os especialistas

O presidente da SBPT, Fernando Lundgren, esclarece que a cebola não evita a gripe e que a gripe mencionada na mensagem foi causada pelo vírus influenza e não por bactérias.

Integrante da equipe de Lundgren, a médica pneumologista Fernanda Miranda, diretora de comunicação da SBPT, conta que algumas pessoas têm o hábito de cortar a cebola ao meio e deixar no quarto; o que ela não apoia, alegando que "a cebola pode ser contaminada por várias bactérias e fungos sabidamente muito nocivos para os pulmões." De acordo com a médica, a presença da cebola no ambiente não controla a transmissão da gripe, que é uma doença causada por vírus de transmissão de pessoa para pessoa. Além disso, não há estudo que comprove que as cebolas sejam imãs para bactérias, continua, entretanto, ela faz uma ressalva, não se deve, deixá-las sem acondicionamento adequado e diz:

"O que se aconselha é nunca deixar alimentos muitas horas fora de recipientes próprios.

Todos os alimentos devem ser guardados conforme indicação do fabricante e/ou Vigilância Sanitária.

Alguns devem ser guardados na geladeira, outros devem ficar em temperatura ambiente, porém bem tampados."

Já sobre a cebola ser tóxica aos cães, a médica veterinária Carla Berl, diretora do Hospital Veterinário Pet Care, confirma que a ingestão de cebola intoxica o animal.

Isso acontece porque a cebola contém tiossulfato e os cães não têm a enzima para metabolização dessa substância.

A ingestão da cebola por cães desencadeia a metahemoglobinemia, que transforma a hemoglobina em metemoglobina, impedindo a hemoglobina de transportar oxigênio para células, causando com isso anemia no animal.

Segundo a Dra. Carla, o grau de intoxicação depende da quantidade de cebola ingerida e do tamanho do cão, por isso, cães menores têm maiores probabilidades de se intoxicar com menor quantidade de cebola, enquanto cães maiores podem, com a mesma quantidade, não apresentarem sintoma algum ou ter sintomas mais leves. Sobre isso ela explica: "é um quadro reversível, mas também pode ser fatal."

4. Nem tudo que é divulgado na Internet se deve levar ao pé da letra

E para concluir, o site boatos.org, especialista em averiguar a veracidade das notícias que circulam na Internet, em 2013, quando iniciou a circulação dessa mensagem da cebola, já havia divulgado o que havia de falso e inverídico nesta mensagem e que vai de encontro com os esclarecimentos dados pelos especialistas.

Em síntese, até prova em contrário, a cebola, como todo alimento natural que manuseamos e consumimos, traz benefícios se usados e armazenados corretamente.

Sabendo disso, fica o alerta para que antes de compartilhar e divulgar uma mensagem, pesquise a veracidade dela, evitando causar comoção desnecessária e até desencadear algum prejuízo por estar passando uma informação incorreta e sem fundamento.

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