Qual será o legado da Copa 2014 para o meio ambiente?

Copa 2014 para o meio ambiente

A FIFA reconhece que, pela magnitude que tem uma Copa do Mundo, o “impacto dela na sociedade e no meio ambiente é indiscutível”. Buscando mostrar seu compromisso com o assunto, a entidade chegou a publicar um documento por ocasião da Rio+20, “Estratégia de Sustentabilidade – Conceito”, posteriormente complementado.

O documento obviamente não possui foco exclusivo na sustentabilidade ambiental, contendo também aspectos sociais, políticos e econômicos. Ao tratar dos compromissos na área ambiental, a FIFA anunciou sua pretensão de compensar a sua parte na pegada de carbono deixada pelo evento, cujo total é estimado em 2,7 milhões de tCO2e (toneladas de dióxido de carbono equivalente).

Já o governo brasileiro estima que a emissão de GEE (gases causadores de efeito estufa) durante a copa será de 3 milhões de tCO2e, porém o montante emitido na preparação do evento superará os 11 milhões de tCO2e, principalmente na construção dos estádios e infraestrutura e nos deslocamentos aéreos internacionais.

Além disso, a entidade também mencionou a realização de treinamento com os operadores dos estádios, capacitação de voluntários, gestão de resíduos, sustentabilidade dos prestadores de serviço, e a proibição ao consumo de tabaco nos estádios. Dentre as intenções afirmadas nos documentos, está a de priorização das “iniciativas sustentáveis e capazes de deixar um legado duradouro”.

Algumas iniciativas merecem ser destacadas, como o aproveitamento de água da chuva e placas para captar energia solar nos estádios. No geral, contudo, os atrasos na entrega das obras acabam por ameaçar a concretização das medidas de sustentabilidade, que podem passar a ser consideradas não-prioritárias.

Para a Raquel Rolnik, professora da Universidade de São Paulo, “o legado urbanístico que a Copa do Mundo vai deixar não é significativo.” A urbanista menciona a não realização de ações que eram esperadas, como a despoluição da baía da Guanabara, mas reconhece a realização de algumas obras de mobilidade que não eram consideradas prioritárias, como BRTs (trânsito rápido de ônibus, a sigla em em inglês, que podem ter algum impacto positivo do ponto de vista ambiental) e vias de ligação que estão sendo construídas.

Outra iniciativa digna de menção é a da Arena Fonte Nova, em Salvador (BA), a primeira no país a receber a certificação LEED (liderança em energia e design ambiental, na sigla em inglês). Na construção da nova arena foi reutilizado 100% do concreto resultante da demolição do estádio antigo que havia no local.

A nova arena também tem como características a captação de água da chuva, a utilização de lâmpadas de alto rendimento e a instalação de quebra-sóis visando conforto térmico e iluminação natural.

Além disso, o Maracanã, o Mineirão e a Arena Pernambuco instalaram painéis fotovoltaicos. Em Pernambuco foi instalada a Usina Solar São Lourenço em terreno anexo ao estádio, com potência instalada de 1 MWp (megawatt-pico), suficiente para fornecer energia elétrica para até seis mil pessoas. O sistema é suficiente para fornecer 30% da energia utilizada no estádio durante os jogos.

Como é bem sabido, a realização da Copa do Mundo no Brasil também tem provocado muitas críticas e denúncias. Como a da utilização de areia dunar de uma área de proteção ambiental para construção da Arena das Dunas em Natal, cujo nome justamente homenageia a formação natural prejudicada.

Muito relevante é a iniciativa de um grupo de cientistas que, aos 40 minutos do segundo tempo, cruzou uma bola na área: propôs um esforço na retirada do tatu-bola, inspirador do mascote Fuleco (que recebeu esse nome pela fusão das palavras futebol e ecologia), da lista de espécies ameaçadas de extinção.

Os pesquisadores estão cobrando a concretização do projeto Parques da Copa, que deveria investir US$275 milhões em 47 unidades de conservação – eles afirmam que até 2013, apenas 2% desse valor havia sido destinado ao projeto.

Além disso, os estudiosos, liderados por Enrico Bernard, da UFPE, desafiaram a FIFA e o governo brasileiro a transformar mil hectares de caatinga em área protegida para cada gol marcado na Copa. Isso equivaleria a aproximadamente 1.500 km² – apenas 0,002% da área ocupada pelo simpático mamífero – de áreas protegidas, considerando-se a média da competição.

Agora é esperar que alguém ponha essa bola para dentro e marque esse gol...mas ao que parece, o Brasil já perdeu a esperança de tirar algum proveito desta Copa e, desta vez, vai torcer contra. Será????

Fonte foto: downloadswallpapers.com