A saga de Marcos para salvar seu cão, Nego, de um osteosarcoma

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cachorro doente

Há aproximadamente 3 meses, Marcos Nadona, tutor de um cão pit-bull chamado Nego, percebeu que seu cão estava com uma repentina dificuldade em andar e ficava mancando. Inicialmente, até pelo temperamento elétrico dele, Marcos achou que poderia ser apenas uma entorse ou algo assim, tendo em vista que ele era muito ativo e corria no quintal, de lá para cá, quando via algum movimento na rua.

O sintoma do Nego foi ficando um pouco mais preocupante, quando Marcos percebeu que, além de mancar, a pata dianteira esquerda do Nego estava inchando.

Esse sinal já dava indício que parecia ser algo mais grave do que uma simples entorse, como Marcos achou no início.

Preocupado, Marcos levou Nego ao veterinário que examinou o inchaço na pata dele e prescreveu uma caixa do anti-inflamatório Maxicam do mais forte, tendo em vista que Nego estava com cerca de 35 kg.

Foi administrada toda a caixa do medicamento e de nada adiantou, pelo contrário Nego mancava cada vez mais e o inchaço não retroagia.

Marcos fez por conta própria compressas de gelo no local, utilizou pomadas para problemas de contusão e nada adiantava.

Novamente, Marcos levou Nego ao veterinário que lhe disse que era melhor seguir com Nego para uma clínica que dispusesse de raio X, com o objetivo de averiguar o problema de forma mais precisa.

Marcos conversou com uma sua amiga, Josiane, sobre o problema de Nego, e ela sugeriu que o levasse à Hovet na faculdade de medicina veterinária da Unimes em Santos, pois lá as consultas são mais baratas e dispõe de todos os equipamentos, no caso de exames como raio X e outros, com um custo menor.

Em uma terça feira, após mais ou menos 15 dias do início do problema, Nego foi atendido na primeira consulta na Hovet. Lá ele foi recebido por uma equipe composta de uma veterinária recém-formada, uma veterinária residente e uma aluna.

No exato momento em que Nego chegou, a equipe que o viu já tinha quase certeza de qual era o problema dele, mesmo sem um exame específico, só pelo questionário que fizeram no início.

O problema que afetou a pata do Nego é uma tendência em cachorros de mais idade e de raça grande.

nego 2

A veterinária recém formada, que estava à frente da consulta, olhou para a veterinária formada há mais tempo, que a supervisionava e perguntou, sigo o protocolo?

E a mesma respondeu sim, pode seguir.

Neste momento, Marcos perguntou para a veterinária:
- Sabe me dizer de qual problema se trata com o Nego?
Ela respondeu:
- Sim, é necessário alguns exames comprobatórios, mas é bem provável que seu animal tenha um tumor na pata!

Naquele momento, Marcos ficou sem chão e até se sentindo culpado por não haver percebido logo no início.

Em seguida, a veterinária começou a explicar para Marcos o passo a passo de como seriam os procedimentos e o tratamento da doença.

A respeito disso, ela disse:
- Olha, Marcos teremos de realizar alguns exames para ter 100% de certeza, o primeiro será uma citologia, que consiste em fazer uma punção com uma agulha muito fina no local afetado para que possamos analisar microcélulas, em seguida será necessário algumas imagens de raio X da pata, tórax e pulmão.

Tenho de lhe dizer diretamente que este tipo de tumor, caso se confirme, é um tumor ósseo muito agressivo e rápido, chama-se osteosarcoma, além de devastador no local acometido, tem um poder de disseminar células doentes pela corrente sanguínea, criando metástases principalmente no pulmão, fígado e rins.

Desesperado, Marcos pergunto:
- Doutora, então não existe chance alguma?

Ela respondeu:
- Neste momento é difícil precisar, vamos aos exames!

Após isso, fizeram a coleta do material com a agulha, no mesmo dia iria ser realizado o raio X, porém o técnico em radiologia não havia chegado e só seria possível no dia seguinte.
Marcos apreensivo e tenso voltou com Nego, no dia seguinte, logo cedo, ao Hovet.

Chegando lá, ele perguntou à veterinária:
- Doutora, quando sairá o resultado da coleta para exame realizada ontem?

Ela respondeu:
- O resultado levará mais ou menos 5 dias para ficar pronto, mas o raio-x já nós dará a dimensão e confirmação do que é.
Com muita expectativa, Marcos aguardou o resultado do raio X.

Quando lhe chamaram novamente no consultório, deram a triste notícia de que realmente se tratava do osteosarcoma e que ele já havia corroído 80% dos dois ossos da pata dianteira do Nego.

A equipe mostrou para Marcos as imagens que realmente comprovavam a agressividade e malignidade da doença.

Sem chão, Marcos perguntou à veterinária o que seria feito?
Ela respondeu:
- Marcos, inicialmente pelas imagens de tórax e pulmão não visualizamos metástases que, como já havia dito, são bem comuns principalmente no estágio de destruição que se encontra a pata do Nego. Existe ainda uma pequena possibilidade de fazer com que ele tenha uma sobrevida, sem garantias de tempo.

Essa possibilidade implica na amputação imediata do membro afetado!

Sei que é extremamente chocante, mas isso pode impedir que o tumor continue espalhando células doentes pelo organismo, repito, não é garantia de cura, porém há uma possibilidade de sobrevida.

Marcos, arrasado perguntou:
- Doutora, com a cirurgia qual a expectativa de vida do Nego?

Ela respondeu:
-Então, Marcos, é impossível lhe afirmar algo neste sentido, tudo depende de quanto de células doentes existem no organismo do Nego, entre outros fatores, mas, após da cirurgia, em média de 3 a 6 meses, infelizmente, porém, se não fizer a cirurgia, além dele continuar sofrendo horrivelmente as dores que o impede de apoiar a pata no chão, o tumor irá se espalhar e nem mesmo os 3 meses ele irá suportar.

Marcos então perguntou sobre a cirurgia:
- Doutora, está cirurgia será realizada aqui? Qual o custo? Como será o procedimento?

No que ela respondeu:
- Sim Marcos, a cirurgia será feita aqui, porém o pós-cirúrgico necessitará de uma internação de pelo menos 24 horas, para controle da dor, isso não será feito aqui, não dispomos de leitos e equipe para isto, temos um anexo que é uma enfermaria particular que pode receber o Nego.

Então, Marcos indagou:
- Certo, e em relação aos custos?

A doutora respondeu:
- Então, somando, exames pré-operatório, cirurgia e a internação, você irá gastar por volta de 5.800,00 reais, se fizer aqui.
Vale reforçar Marcos que o ideal seria já coletar os exames dele hoje e marcar a cirurgia o mais breve possível. Como eu disse, estamos correndo contra o tempo!

Aflito, Marcos disse:
- Doutora, entendo sua colocação, mas preciso neste momento me acalmar e traçar uma estratégia, pois até chegar aqui já gastei muito mais do que podia com consultas, exames, transporte, etc...
Vou ver como fazer e amanhã entro em contato.

A situação de Marcos que já era complicada pelo abalo da notícia da amputação da pata do Nego, se tornou ainda mais desesperadora por saber que ele não dispunha nem da metade do valor financeiro que iria precisar para a cirurgia.

Diante disto, sem chão e sem saber o que fazer, até pela questão financeira, Marcos iniciou uma corrida contra o tempo.
As possibilidades não eram nada animadoras.

nego 1

Realmente neste momento, diante da possibilidade quase zero, Marcos sabia que precisava reagir e a única certeza que tinha era que, independente de como, iria fazer algo, e lutar para esta doença não vencesse!

Quando Marcos olhava nos olhos de Nego sentia que seu cão entendia que ele estava lutando para salvá-lo. Isso motivou Marcos a lutar mais e mais e a enfrentar ao lado de seu amigo Nego, o que estava por vir.

Para Marcos foi difícil conter o desespero da incerteza e as lágrimas, ao lembrar que quando Nego veio para sua vida, ele era um pedacinho de pit-bull que cabia literalmente na palma de sua mão, abandonado pela mãe que não queria mais amamentar os filhotes, por isso era um cachorrinho desnutrido.

Nestas horas, Marcos sentiu uma força e a confiança que Deus nunca nos vira as costas e, com perseverança e fé que ele sempre teve, seguiu na luta em busca de recursos para salvar seu cão Nego.

Nessa trajetória, Joseane, amiga de Marcos, teve um papel importante pois, muito abalada e comovida com a doença de Nego, que conhece desde filhote, deu a ideia a Marcos de levá-lo em um hospital veterinário públicpúblico, no qual, o atendimento, exames e cirurgia são gratuitos.

Marcos se animou com essa possibilidade e, tanto ele como sua amiga, começaram a pesquisar para encontrar informações e achar um hospital veterinário público que fosse mais próximo para realizar a cirurgia do Nego, já que onde mora não existe este tipo de atendimento para animais.

Após pesquisa de cá e de lá, eles encontraram um hospital veterinário público para levar o Nego.

Descobriram que o hospital funciona de segunda a sexta, atendendo uma média de 1000 pessoas, das 6:00 da manhã até a última pessoa que tenha adquirido uma senha que é entregue até às 10:00 da manhã.

Ao saber disso, Marcos pensou:
"Meu Deus deve ter gente que madruga na fila para pegar a senha!"

Mesmo assim, preparou tudo colocou o Nego no carro, passou na casa da amiga Joseane e partiram de Praia Grande para SP, saindo meia noite e chegando lá, por volta da 2:00 da manhã, ao avistar o prédio onde funciona o hospital já havia uma fila com no mínimo 100 pessoas,com cadeiras de praia, cobertores toucas e cachecóis para aguentar o frio da madrugada de SP que, no finalzinho do inverno, castigava.

Lá ele achou um local para parar o carro, onde podia mesmo ao longe avistar, tendo em vista que Joseane ficaria no carro com Nego até que os portões do hospital fossem abertos.

Ao chegar na fila, já tinham mais de 100 pessoas.

Em contato com essas pessoas, Marcos se deparou com histórias que provavam o amor incondicional dos humanos para com seus animais de estimação.

Haviam animais com enfermidades simples, outros em estado terminal, mas os seus tutores tinham em comum, além do grande amor, a expressão no olhar da incerteza, medo, mas também a esperança de ter seu "filho" curado.

A madrugada dava lugar ao raiar do sol, ao amanhecer foram abertos os portões, as 5:30, e a extensa fila se dirigia para o imenso pátio em volta do prédio de 3 andares que abriga o hospital.

Às 6:00 em ponto começou a distribuição das senhas.

Marcos ao chegar no local da retirada da senha, o atendente lhe perguntou se era a primeira vez que vinha no hospital e qual o problema do animal?

Com a senha na mão, Marcos começou a longa espera até que a ficha do Nego fosse preenchida. A senha de Marcos era de número 145.

Após aguardar e ouvir vários relatos de pessoas que já haviam estado outras vezes neste hospital, finalmente às 10:40, Marcos e Nego foram chamados para o primeiro atendimento.

nego 3

Na sala, um médico veterinário e um auxiliar procederam a um um longo questionário e começaram a tirar conclusões a cerca do caso do Nego. De repente, uma moça interrompeu e disse que o número de fichas para exames naquele dia já estava esgotado.

Com este aviso o veterinário disse à Marcos que infelizmente naquele dia não seria possível fazer os exames para um diagnóstico preciso e pediu para ele retornar com Nego no dia seguinte e lhe passou um pedido de urgência para a realização de todos exames, incluindo sangue, ultrassom, radiografias e preparado para passar o dia inteiro no hospital!

Marcos deixou o hospital por volta do meio dia.

Na madrugada da terça para quarta, ele saiu novamente de casa a meia noite, chegou em SP novamente na mesma batalha para aguardar na fila, pegar a senha e passar pela espera, exames, etc...

Após o desgastante dia de horas em pé, ele e Nego foram chamados novamente para a consulta com o veterinário.
Então, o veterinário disse:
- Olá Marcos, como está o rapazinho?

Marcos respondeu:
- Ele está desgastado doutor, mas faz parte, não é?

E o veterinário disse:
- Sim, infelizmente é longa a espera, mas é necessário para que possamos ajudar nosso amigão!

Vamos lá, temos boas e más notícias.
A boa é que não temos indícios de metástases no pulmão e rins, porém o fígado dele aparece no ultrassom um pouco turvo, não temos como dizer agora que o órgão esteja afetado.

Ele está um pouco anêmico, mas se deve ao tumor, mas isso não é impedimento para a realização da cirurgia, porém aí vem a notícia não boa, só temos vaga para uma cirurgia dessa complexidade para terça-feira da semana que vem, você terá de providenciar uma bolsa de sangue de mais ou menos 300 ml.

Sem a bolsa aqui no dia da cirurgia, o procedimento não será realizado, após a cirurgia será opcional ficar ou não internado para controle da dor, se achar que tem como cuidar rigorosamente dele em casa com medicações no horário correto e cuidados para ele não se ferir, caso fique agitado, não será necessária a internação.

Aqui infelizmente não dispomos mais de internação, algumas especialidades foram cortadas de nosso quadro na gestão passada do prefeito João Dória, tínhamos internação, quimioterapia no pós cirúrgico, etc.

Hoje tudo isso será por sua conta, tendo em vista que ele provavelmente terá de passar por quimioterapia, pelo menos de 8 a 10 seções.

Marcos, vale ressaltar algumas coisas antes da cirurgia: toda cirurgia é um risco por mais simples que seja o procedimento, aqui só operamos com com anestesia inalatória, que é uma das mais seguras, mas há risco.

A cirurgia é necessária, porém é para prorrogar a sobrevida do animal, não há como garantir quanto tempo ele vai sobreviver após a cirurgia, lógico que há uma média estatística, mas para quem tem fé e dependendo do merecimento de cada ser, tudo pode acontecer.

Tem alguma dúvida?

Marcos respondeu:
- Não doutor, só quero que ele tenha uma chance de vida maior do que ele tem agora.

Após deixar o hospital com seu amigo Nego, Marcos começou a processar as informações e a incerteza e a insegurança passaram a ser cada vez maiores, até por saber que seu cão chegaria no hospital com 4 patas e, se Deus permitisse, sairia somente com 3.

Marcos já havia visto várias matérias que diziam que cães, em casos de amputação de pata se recuperam e adaptam bem com 3 patas. Naquele momento, Marcos, só queria salvar Nego!

Em uma nova etapa da batalha, Marcos começou a buscar locais que pudessem fornecer a bolsa de sangue compatível. Após muita procura, o local mais barato que ele encontrou forneceu a bolsa por R$ 600,00.

Com a bolsa garantida ele começou a rezar e a aguardar até a terça-feira. Chegado este dia, a cirurgia estava marcada para as 7:00 da manhã.

Neste dia, ele não precisou madrugar na rua, saiu de casa um pouco mais tarde! Ao chegar lá iniciou a espera, 7:00, 8, 9, 10, 11 horas e nada!

Marcos foi à recepção perguntar o que havia acontecido? E foi informado que apesar de estar marcado para as 7 da manhã não havia garantia que fosse esse horário.

E foram se passando as horas, 12:00, 13, 14, 15 horas e nada!

Ele foi ficando desesperado porque o Nego estava em jejum total de água e comida!  Às 15:15 finalmente o chamaram! Essa hora o seu coração disparou!

Ele entregou seu bebezão na porta do centro cirúrgico e a apreensão tomou conta de cada parte do seu corpo, até que por volta das 21:00 lhe chamaram.

Neste momento a impressão que Marcos teve é que não ia conseguir chegar até a sala onde o cirurgião estava!

Ao entrar na sala que dá acesso ao centro cirúrgico, ele se deparou com Nego em pé, com um palmo de língua para fora e com uma pata a menos.

Ao ver aquela cena foi um misto de felicidade e tristeza ao ver seu amigo naquela condição!

Marcos não consegui se controlar, chorou muito e o veterinário veio lhe me acalmar.

Após isso, o veterinário que realizou a cirurgia do Nego passou a relação de procedimentos que seriam necessários daquele momento em diante.
Muitos remédios, curativos e cuidados.

Foi entregue para Marcos um pote com material extraído da cirurgia, para que ele providenciasse a biópsia e só depois iniciar o processo de quimioterapia mais indicada para o Nego, baseada no tipo de tumor que o afetou.

Marcos mandou o material no dia seguinte para análise, mas infelizmente ainda não saiu o resultado, a cirurgia foi realizada dia 18/09/2018 e ele já retornou com o Nego 2 outras vezes para repetir exames de sangue e verificar os pontos.

O médico ficou muito surpreso com a condição dos pontos e por Nego estar muito bem tratado e preservado.

Marcos confia que para Deus nada é impossível e fará tudo o que for possível para que Nego viva mais!

Nesta trajetória, Marcos ouviu muita coisa positiva que lhe motivou a seguir na luta para salvar Nego, mas também ouviu muita coisa absurda e desanimadora, como: "Cara, é só um cachorro, ele já era, não adianta fazer nada!"

Isso não lhe influenciou, muito pelo contrário, serviu para que ele se mantivesse firme em seu propósito de lutar pela vida de seu amigo.

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Para Marcos é triste e impactante ver Nego sem uma pata, mas por outro lado ver seu cão sem dor como antes e com a carinha melhor e perceber no olhar dele que ele é seu porto seguro, faz valer a pena tudo que foi feito!

A caminhada ainda está só na metade, tem ainda as seções de quimioterapia, novos exames e consultas e Marcos seguirá até onde Deus permitir!

Neste caminho Marcos viu o quanto é grande a solidariedade de pessoas que muitas vezes nem o conheciam e lhe ajudaram de alguma forma, seja financeira, com informações, divulgando o caso no Facebook ou mesmo com palavras incentivadoras e de conforto e se sente grato por toda essa solidariedade!

Esta história foi contada com rigor de detalhes baseada no depoimento do próprio Marcos para mostrar o amor, a parceria e amizade que pode envolver o convívio com um animal.

Pessoas que já passaram por situações parecidas como esta, vão entender o sentimento que existe entre humano e animal e o sofrimento que o tutor sente quando seu amigo adoece.

E para quem não sabe o que é isso, fica a mensagem que amor não faz distinção de espécie!

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