Mais uma liderança indígena morre de Covid-19: Paulinho Payakan, líder Kaiapó

O povo Kayapó amanhece triste com a morte do seu cacique.

Paulinho Payakan (67), uma das principais lideranças indígenas do Brasil, morreu em decorrência de Covid-19 na noite dessa terça-feira (16) em Araguaia, no Pará.

De acordo com O Globo, o cacique Kaiapó estava internado desde o dia 9 de junho com um quadro de insuficiência respiratória.

A família de Payakan articulou-se com o Dsei Kayapó para que o sepultamento ocorresse na aldeia Ulkré. Lázaro Marinho, coordenador do Dsei Kayapó, explicou que:

“O Dsei está dando apoio à família. Os parentes assinaram um termo se comprometendo que não haverá o manuseio do corpo. Dentro da cultura Kayapó, quando há um enterro, um funeral, há o manuseio do corpo e existe um ritual de pinturas. Então, estes rituais não poderão ser feitos, entendendo que a Covid é altamente contagiosa”.

Vida de luta

Payakan é um símbolo da luta dos povos indígenas pela preservação de seus direitos. Ele foi um dos fundadores da Federação dos Povos Indígenas no Pará (Fepipa), que manifestou em nota a perda de “seu principal chefe”, que sempre esteve em defesa “dos direitos humanos e do meio ambiente”.

O cacique teve papel fundamental nas discussões que garantiram os direitos indígenas na Constituição Federal de 1988.

Paulinho Payakan também liderou as manifestações contra a construção da barragem hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no Pará, junto com o cacique Kaiapó Raoni, chamando a atenção do mundo todo sobre as consequências socioambientais de uma enorme barragem no rio Xingu, no meio da floresta amazônica.

Vulnerabilidade dos povos indígenas

A morte de Paulinho Payakan confirma a rapidez com que o Sars-Cov-2 está se espalhando pelos territórios indígenas e o quão frágeis eles são para enfrentar o vírus.

O coordenador-executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Paulo Tupiniquim, declarou que:

“Os povos indígenas não têm como fazer um isolamento para se prevenir do contágio. O estado deve, sobretudo, criar medidas que possa levar uma atenção especial à  população indígena. Hoje foi Paulinho Payakan, amanhã pode ser outros líderes que iremos perder nesse momento. Foi uma perda muito grande. Payakan foi uma pessoa que deixou um legado que nós, da nova geração, precisamos dar continuidade”.

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.