Belize é o país que mais protege a vida marinha

Trabalhando em parceria com os pescadores locais, Belize hoje é considerado um exemplo mundial na proteção dos oceanos. As informações são do jornal britânico The Guardian, que publicou, nesta quarta-feira (14), uma reportagem sobre o pequeno país da América Central.

Com um programa de acesso gerenciado aos recursos, implementado em 2016, os pescadores locais obtêm licenças para áreas específicas e precisam prestar contas do que capturam aos agentes do Instituto Toledo para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (Tide), responsáveis pela fiscalização das águas. Além disso, as zonas de exclusão foram ampliadas em três vezes, o que vem garantido a saúde dos recifes e a manutenção dos estoques pesqueiros.

Como ressaltou a administradora de pesca Beverly Wade,

“Belize é o único país do mundo que conseguiu dividir todas as suas águas territoriais, incluindo as águas pesqueiras funcionais. Direcionamos todos os pescadores em duas das nove áreas para construir uma arquitetura a partir do zero, onde um constituinte assume a propriedade dos recursos, porque seu sustento depende disso”.

Para Nicanor Requena, do Environmental Defense Fund (EDF), órgão sediado nos Estados Unidos, a relação com os pescadores locais é chave para que se obtenha sucesso nos programas de proteção à vida marinha. Ele relatou ao Guardian sua experiência de uma década visitando comunidades remotas de pescadores.

“No começo, eles não queriam saber, mas ganhamos confiança ao ouvi-los, e o conhecimento tradicional dos pescadores desempenhou um papel importante na formação do programa”, contou.

A recuperação de recifes e manguezais entraram na pauta do país, mobilizando a população, que pressionou por um referendo sobre a exploração de petróleo na região. As ações vêm gerando resultados, reconhecidos mundo afora por países como a Austrália e as Filipinas, bem como por órgãos de prestígio internacional: com 300 quilômetros da barreira de arrecifes e lar de uma grande variedade de peixes, o recife de Belize saiu da lista de perigo do Patrimônio Mundial da Unesco em junho de 2018, após 10 anos.

A expectativa é de que exemplo inspire países vizinhos, onde a sobrepesca levou os estoques pesqueiros ao esgotamento, como é o caso da Jamaica e das Bahamas.

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