A poluição asiática está mudando o clima em todo o mundo

poluição asiática está mudando o clima

O incrível vídeo abaixo mostra a emissão de aerossol e seu transporte atmosférico entre setembro de 2006 até abril de 2007. A animação inclui localidades, indicadas nos pontos vermelhos e amarelos, dos incêndios e queimadas causadas espontaneamente pelo homem. Tudo isso foi captado pelo instrumento MODIS, dos satélites Terra e Aqua da NASA, a Agência Espacial Norte-Americana.

A grande questão é a seguinte: as consequências da poluição de origem asiática, Pequim e Nova Déli, não é sentida apenas por seus habitantes – que é resultante das economias, como a chinesa, baseada em queima de carvão. A questão é que o ar poluído do continente atravessa o Oceano Pacífico e causa problemas à atmosfera da Costa Oeste dos Estados Unidos.

Pior ainda, uma das facetas da poluição é a de que não é ‘apenas’ isso. Pesquisadores do Jet Propulsion Laboratory e da California Institute of Technology, ambos em Pasadena, Califórnia, estão estudando sobre como a poluição asiática está mudando o clima e o tempo em todo o mundo.

É importante destacar que a ciência costuma denominar partículas em suspensão na atmosfera, em geral, de aerossóis. O efeito, entre os mais básicos, da presença desses aerossóis na atmosfera, é o de aumentar as nuvens em uma região.

Para formá-las, o vapor de água na atmosfera necessita de partículas nas quais se condensar. Com mais aerossóis, podem existir mais nuvens densas.

Em um mundo em constante aquecimento isso é ótimo, já que faz com que os raios solares incidam sobre o topo das nuvens e sejam refletidos de volta ao espaço, sem sequer atingir a superfície terrestre. Em suma: ficamos mais refrescados sob a cobertura das nuvens.

Contudo, esse efeito simples, nem sempre ocorre. Se não houver vapor d’água no ar – pelo fato do ar estar seco – os aerossóis não formam nuvens. Diferentes tipos de aerossóis consistem em diferentes efeitos, e o mesmo aerossol pode ter mais de um efeito, dependendo de sua concentração no ar e do quão alto se encontre.

Partículas de fuligem, em certas altitudes, podem causar evaporação de partes de nuvens, resultando em neblina. Sob outras altitudes, a fuligem leva nuvens a se tornarem mais densas e altas, produzindo muitas tempestades de raios ou granizo.

Por sua variabilidade, os aerossois são uma das grandes fontes de incerteza, a respeito da previsão sobre as extensões de mudanças futuras do clima. Durante as últimas três décadas, as nuvens sobre o Oceano Pacífico cresceram e se tornaram mais densas e as tempestades no Pacífico Noroeste se tornaram 10% mais intensas.

É curioso notar que esse é o intervalo no qual ocorreu o boom econômico na Ásia. Estudos foram feitos para constatar tal relação e funcionaram de modo a utilizar um modelo numérico que incluiu fatores climáticos como temperatura, regime de chuvas e pressão barométrica, sobre o Oceano Pacífico, bem como o transporte de aerossóis.

Os cientistas fizeram duas simulações, na primeira, as concentrações de aerossol de antes da Revolução Industrial. Na segunda, as emissões atuais. A diferença entre os dois conjuntos de dados mostrou os efeitos da poluição crescente sobre o tempo e o clima.

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Fonte foto: nasa.gov