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Maturidade emocional-psicológica: o que é e como conseguir?

Certamente, esse é um assunto do qual a maioria de nós não possui domínio, ou não se enquadra numa posição de pessoa psicologicamente madura. Eu mesma preciso evoluir muito para chegar nesse patamar. Em contrapartida, se eu fizer uma comparação entre o meu grau de maturidade emocional atual e o de alguns anos atrás, posso afirmar que houve uma evolução muito grande em alguns aspectos e em outros confesso que houve uma regressão por conta de algumas experiências particulares e afins.

Contudo, este artigo não é para falar sobre mim, mas sim sobre o que é maturidade emocional e psicológica, bem como consegui-la. Sabe do que estou falando? Eis uma frase (oração) muito conhecida, a qual resume bem o conteúdo deste:

“Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado…

Resignação para aceitar o que não pode ser mudado…

E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.”

São Francisco de Assis

Para aqueles que não acreditam em santos ou pertencem a outras religiões, essa frase é atribuída a Reinhold Niebuhr, com algumas pequenas modificações.

Independente de quem seja a frase, o que importa é que a maioria de nós concorda e até roga pelo significado dela. Isso porque, segundo o Dr. Flávio Gikovate, médico-psiquiatra in memoriam, uma pessoa emocionalmente madura é aquela que possui capacidade de lidar com as frustrações inevitáveis da vida, livrando-se rapidamente das tristezas por elas provocadas.

Sim, tristezas! Pessoas emocionalmente maduras passam por frustrações, se entristecem, mas não ficam nesse estado por muito tempo. Além disso, essas pessoas não contaminam as outras e não descontam sua raiva ou tristeza nelas. Bem como não são consideradas pessoas “bipolares”, muito pelo contrário, são pessoas que apesar de todas as dificuldades, conseguem contornar a situação, possuem humor estável e ainda cativam pessoas justamente por esta dádiva.

Pessoas emocionalmente maduras atraem bons amigos, parceiros, sócios e colegas de trabalho, devido à confiança, segurança e equilíbrio que transmitem. Porém, apesar de todas essas qualidades, o indivíduo psicologicamente maduro não é perfeito e continua em constante transformação, pois acredita que ainda tem muito a melhorar.

A disciplina consigo mesmo é algo fundamental, principalmente relacionada ao controle racional das emoções como: preguiça, inveja, ciúmes, anseios eróticos e românticos, raiva, ansiedade… Não que elas não tenham esses sentimentos, mas possuem certo controle sobre eles.

Todo esse controle e equilíbrio psicológico e emocional também é conhecido como Inteligência Emocional, que faz com que, além da pessoa ter maior controle sobre seus sentimentos e emoções em relação às situações da vida, as pessoas dotadas de I.E. são mais seguras de si, ousadas e determinadas.

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O medo do fracasso é um sentimento comum para todas as pessoas, mas as pessoas emocionalmente maduras conseguem driblar esse medo e encarar o desafio, seja ele qual for. Quando erram ou fracassam, elas aprendem com a situação ao invés de ficarem se lamentando ou simplesmente desistirem antes mesmo de tentar.

Contudo, para conseguirmos toda essa façanha, segundo o Dr. Flávio é essencial ter consciência do tal “princípio da incerteza” que consiste basicamente em aceitar que não sabemos o sentido da vida, de onde viemos, para onde vamos e por quanto tempo ficaremos aqui. Segundo ele, temos que viver com otimismo e persistência, mesmo sabendo que situações adversas podem acontecer a qualquer momento.

Outros especialistas em psicologia, definem ainda a maturidade psicológica de diversas maneiras. Segundo o escritor escocês M.J. Croan, “A maturidade é quando o mundo se abre e você percebe que não é o centro dele“.

Quando paramos de olhar só para os nossos problemas e para a nossa própria vida, e passamos a observar as pessoas ao nosso redor, bem como compreender que tudo o que acontece não depende de nós e nem sempre atenderá nossas expectativas, daí então teremos alcançado a maturidade psicológica.

Como conseguir a maturidade emocional-psicológica?

Ok! Sabemos que simplesmente “viver com otimismo” não é fácil, principalmente porque existe uma série de fatores envolvidos, como bloqueios internos, limitações, traumas, etc. Mas então, como conseguimos a tão desejada maturidade emocional-psicológica?

Assim como a pergunta é complexa, a resposta não poderia ser diferente: para conseguir a maturidade emocional-psicológica é necessário dar tempo ao tempo e colecionar experiências, bem como parar de brigar com a realidade e de fugir das situações que não podemos mudar.

Tendemos a negar a realidade por causa das nossas ideias fixas que teimamos em não aceitar modificações e também pela falta de mecanismos psicológicos que são necessários para enfrentar as situações. Essa atitude reduz a ansiedade, porém não resolve o problema e pode piorá-lo, uma vez que não se pode fugir da realidade.

A pessoa psicologicamente madura não resiste às mudanças, mas as aceita com inteligência e sem resignação. Para conseguir isso, é necessário passar por um processo de autoconhecimento, inclusive dos gatilhos do cérebro que bloqueiam o indivíduo diante de uma situação difícil.

Algumas pessoas, contrárias a esse comportamento, possuem uma dificuldade enorme em conhecer a si próprio e, em situações adversas, se limitam por conta de lembranças passadas, sentimento de incapacidade, infelicidade e conflitos internos.

Por isso o processo de autoconhecimento é essencial para o desenvolvimento da maturidade psicológica. É através dele que conseguiremos enxergar os problemas com outros olhos, de forma clara, objetiva e positiva, possibilitando enfrentar os problemas e aceitar a realidade sem sofrer desnecessariamente.

Outra atitude madura destacada pelos especialistas é o famoso “rir de si mesmo“. Nos cobramos demais quando cometemos erros, mas eles são comuns e fazem parte do aprendizado, como já destacamos anteriormente. Porém, quando conseguimos entender isso e rir dos nossos próprios erros, entendendo que fazem parte do passado, teremos atingido um nível de crescimento necessário para sermos considerados emocionalmente maduros.

Muitas vezes a realidade é dolorosa, mas não devemos ceder a ela e nos colocar no papel de vítima. Ao contrário, recomenda-se aceitá-la de forma inteligente, encarando-a de frente, mantendo o equilíbrio emocional e adotando uma atitude proativa.

Falando em pró-atividade, a pessoa psicologicamente madura busca satisfazer não só suas próprias necessidades básicas, como também se sentem responsáveis pela vida e ações das pessoas. Isso se dá porque a pessoa psicologicamente madura é tão evoluída ao ponto de não se importar somente com o que acontece com ela, mas sim com o meio em que vive, porém de forma natural e harmônica.

Segundo os especialistas, essas pessoas destacam-se no meio da multidão, pois são extravagantes, não se queixam de tédio e possuem verdadeiro interesse por paz e vida, sendo que alguns possuem ainda certo espírito aventureiro.

Para alguns psicólogos, uma das características da maturidade pessoal é a liberdade de escolha e a flexibilidade nas manifestações. De uma forma resumida, os atributos que definem uma pessoa com maturidade psicológica são:

  • Comportamento natural e espontâneo;
  • Envolvimento relativo nos processos mundiais;
  • Não há interesses mercantis e formas artificiais de comportamento;
  • Metas definidas, significados globais e trabalho constante;
  • Sensibilidade à injustiça e incapacidade de trair seus próprios ideais;
  • Relacionamentos de longo prazo, profundos e abertos;
  • Criatividade e senso de humor.

Quanto ao nível de maturidade psicológica, este é medido de acordo com a capacidade de socialização do indivíduo. Ou seja, quanto mais essa pessoa consegue interagir com as outras, mais madura ela é, respeitando o limite do outro. Se ela for capaz de socializar com as pessoas e ao mesmo tempo deixá-las livres e a vontade para se exporem, ou até mesmo ir e vir em um relacionamento, por exemplo, mais madura ela é, segundo a pesquisa.

Por isso, para se atingir a maturidade emocional e psicológica é necessário não se prender a crenças, padrões e limites impostos por pessoas e a sociedade como um todo, mas sim entender e aceitar que eles existem e procurar melhorar se possível for, sem bater de frente ou causar danos e sofrimento a si próprio ou às outras pessoas.

Conclui-se que a maturidade emocional e psicológica é uma combinação de toda a experiência acumulada no decorrer da vida, seja ela curta ou longa, em que se pôde extrair aprendizados significativos e essenciais para a própria vida e para a sociedade em geral. Por isso, devemos estar sempre perto de pessoas assim, para aprendermos com o exemplo delas e edificarmos nossas próprias vidas.

Lembrando que a verdadeira maturidade emocional e psicológica é atingida quando conseguimos lidar com as situações adversas da vida, sentir o que precisa ser sentido no momento, seja tristeza, dor ou qualquer outro sentimento que a circunstância venha lhe causar, mas ainda assim tirar a lição de tudo o que aconteceu e seguir em frente, dia após dia, sem se deixar abater.

Será que conseguimos? Esperamos que sim e vamos todos tentar!

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Sobre Eliane A Oliveira

Eliane A Oliveira
Formada em Administração de Empresas e apaixonada pela arte de escrever, criou o blog Metamorfose Ambulante e escreve para GreenMe desde 2018.

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