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Perigo: estamos muito mais expostos ao bisfenol A do que pensamos

O bisfenol A (BPA) é uma substância química perigosa que está presente em muitos produtos comumente utilizados por nós, como por exemplo, as garrafas de plástico rígido, entre outros.

Um novo estudo afirma que a exposição à essa substância pode realmente ser muito maior do que se acreditava anteriormente.

Várias vezes alertamos sobre os malefícios do bisfenol A, e dos riscos para nossa saúde quando absorvemos essa substância que atua como um desregulador endócrino

De fato, alguns estudos vinculam o BPA a um alto risco de problemas de fertilidade e a alguns tipos de câncer, mas, apesar disso, esta substância continua sendo amplamente utilizada para endurecer o plástico, impedir a corrosão do metal e revestir o papel.

O bisfenol A também é frequentemente encontrado nas embalagens de alimentos enlatados e em equipamentos médicos.

Agora, um novo estudo acrescenta mais um avanço no assunto, explicando que a maneira que os cientistas geralmente vêm medindo o bisfenol A pode drasticamente estar subestimando a nossa real exposição a este produto químico.

Atualmente, nossa exposição ao BPA é geralmente medida usando o que é conhecido como método indireto. 

O novo estudo, publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, alerta que esse método pode não ser preciso, e relata que uma técnica mais recente encontra níveis de BPA muitas vezes mais altos do que o esperado.

Nesse contexto, o que o novo estudo realmente descobriu? 

A resposta é que, quando nosso organismo absorve o BPA, começa a decompô-lo rapidamente e assim essa substância se converte em metabólitos e isso significa que acaba não sendo encontrada com exatidão na urina humana, frequentemente usada como método para exame e monitoração dessa exposição.

Esse fenômeno ocorre porque o BPA, uma vez decomposto vira metabólitos e, por isso, até  a pouco tempo atrás os pesquisadores não podiam medir diretamente esses metabólitos e a única maneira de determinar os níveis de exposição em humanos era indiretamente convertendo os metabólitos em BPA, novamente.

Com os novos métodos diretos que vêm surgindo nos últimos anos, o BPA e seus metabólitos podem ser medidos de uma vez só vez, como esclarece Roy Gerona, Ph.D., professor assistente da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, São Francisco, que gerencia o laboratório de toxicologia clínica e biomonitoramento ambiental da UCSF. Entretanto, esses métodos ainda não foram amplamente adotados.

Roy Gerona, principal autor do novo estudo, trabalha há anos em um método direto para medir os metabólitos do BPA e quer com essa pesquisa comparar essa nova técnica com a antiga que tem abordagem indireta.

Sua equipe usou as duas técnicas para analisar amostras de urina coletadas de 29 mulheres grávidas, cinco não gestantes, e cinco homens. 

O novo método direto encontrou níveis de BPA quase 19 vezes maiores do que os identificados pelo método indireto e, além disso, detectou que quanto maior a concentração de BPA, mais o método indireto o subestimava.

“Se as conclusões são verdadeiras e podem ser generalizadas para outras populações, as comunidades reguladoras e de pesquisa em todo o mundo subestimaram sistematicamente os riscos à saúde apresentados pelo BPA, talvez com uma margem bastante ampla”, comentou Jonathan Martin, Ph.D., Professor do departamento de ciências ambientais e química analítica da Universidade de Estocolmo, que embora não tenha participado do novo estudo, fez esta observação sobre o resultado da pesquisa.

O professor Jonathan Martin também pediu cautela na interpretação dos resultados do novo estudo, que ainda precisa ser mais ampliado:

“A magnitude do problema mostrado aqui pode não ser amplamente generalizada. Estou reservando o julgamento até que resultados como esses possam ser replicados em outros laboratórios com outras amostras.”

Por outro lado, o Food and Drug Administration – FDA e suas contrapartes no Canadá e na União Europeia mantêm o posicionamento que o BPA usado em embalagens e recipientes para alimentos não apresenta riscos para os consumidores, já a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos está atualmente revisando as pesquisas mais recentes sobre o bisfenol e poderá atualizar suas recomendações em 2020. 

Pelo sim ou pelo não, é bom cada um fazer sua pesquisa individual para saber o que vem absorvendo através dos produtos que consome e utiliza, buscando alternativas de produtos mais naturais, que sejam mais seguros e que não apresentem perigo para a saúde.

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Sobre Deise Aur

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Professora, alfabetizadora, formada em História pela Universidade Santa Cecília, tem o blog A Vida nos fala e escreve para GreenMe desde 2017.

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