Passar fome é o novo elixir da juventude

Não comer não é apenas uma estratégia para emagrecer; também é uma forma de manter-se jovem por mais tempo.

Segundo cientistas, passar fome retarda o envelhecimento, efeito que já foi comprovado em outras espécies, como insetos, camundongos e cães. Esse “segredo” já é conhecido há décadas por cientistas, mas será que você estaria disposto a pagar o preço de ingerir menos 30% das calorias diárias que consome para manter-se jovem?

O que mudou no último século

O novo elixir da juventude não produz apenas um resultado estético, mas ajuda na prevenção de doenças como infarto, AVC, câncer e doenças neurodegenerativas. Naturalmente, a velhice não é um mal, mas existem várias doenças decorrentes do processo de envelhecimento.

Conforme explicou Javier Sampedro ao El Pais, os seres humanos não foram “programados” para viver 90, 100 anos, mas sim 45 – expectativa de vida média desde o Paleolítico até o início do século XX.

Como, em menos de um século, a expectativa de vida humana quase dobrou? Graças à ciência. Saneamento básico, vacinas e antibióticos venceram as doenças infecciosas que tanto devastaram populações. Doenças como Mal de Alzheimer, câncer e infarto nunca chegaram a ser, de fato, um problema porque as pessoas não envelheciam o suficiente para desenvolvê-las.

Benefícios de comer menos

Existiria, pois, alguma forma de driblar o envelhecimento de forma natural? Parece que a resposta é positiva. Com restrição calórica pode-se viver mais e melhor. Comer pouco é o novo elixir.

Consumir 30% menos calorias – de forma a não desequilibrar os nutrientes essenciais para o organismo – é um passo em direção ao antienvelhecimento. Isso já havia sido previsto pelo professor Clive McCay, da Universidade Cornell, em Ithaca (Estados Unidos), em 1935, quando ele fez ratos passarem fome ao mesmo tempo em que ingeriam vitaminas e minerais. O resultado foi que os roedores viveram quatro anos mais do que seus companheiros glutões.

O projeto continuou a ser testado nas últimas décadas por cientistas que descobriram que uma dieta restritiva em calorias aumenta a vida de leveduras, vermes, insetos, camundongos e cães. Ainda não há provas de que em seres humanos o processo seja similar, mas existem evidências de que os efeitos da velhice possam ser retardados.

Um novo estudo, que acaba de ser publicado na revista científica Cell, detalha o que acontece com um corpo quando submetido à restrição calórica. Mapeando os genes e as moléculas responsáveis pelo envelhecimento, os resultados sugerem que é possível controlar o tempo e manipulá-lo a favor do antienvelhecimento.

Um dos autores do estudo, o pesquisador Juan Carlos Izpisúa, que é farmacologista e biólogo molecular no Instituto Salk (EUA), explica que:

“Este estudo mostra que o envelhecimento é um processo reversível. Mostramos que determinadas mudanças metabólicas que levam a uma aceleração do envelhecimento podem ser reprogramadas de maneira relativamente simples, reduzindo nossa ingestão calórica, para não apenas prolongar nossas vidas, mas, muito mais importante, que nossa velhice seja mais saudável”.

Um mecanismo natural

De acordo com os investigadores, os processos moleculares do envelhecimento estariam relacionados ao sistema imunológico, à inflamação e ao metabolismo. A razão é que a inflamação é um mecanismo natural de defesa imunológica, que se desregula com o passar dos anos para dar lugar a um quadro de inflamação sistêmica crônica e ao surgimento daquelas doenças típicas do envelhecimento.

A forma de driblar esse processo seria reprogramar o organismo através de uma dieta menos calórica. Pelo menos, é o que as evidências do estudo apontam, já que as células de gordura e as da aorta são as que mais se alteram com a idade avançada, podendo ser recuperadas com uma dieta restritiva em calorias.

Isso tudo parece ser uma maravilha, afinal, é mais uma possibilidade para chegarmos perto da imortalidade. Mas será que é isso mesmo o que queremos? Por que evitamos tanto um processo natural quanto o envelhecimento? O que, ao tornar-nos velhos, vemos no espelho da vida?

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.