Antioxidantes podem ser muito bons, mas muito ruins também

Antioxidantes são substâncias formadas por uma molécula que é capaz de atrasar ou inibir a oxidação de outras moléculas. Portanto, com essa ação, as substâncias antioxidantes podem proteger células sadias da ação oxidante dos radicais livres.

E os radicais livres? Bom, essas são moléculas instáveis eletronicamente, o que quer dizer que, por não possuírem um número par de elétrons na sua última camada eletrônica, estão sempre passíveis de transferir elétrons a uma molécula vizinha, numa reação conhecida como oxi-redução. Já a oxi-redução é uma reação sem parada, em cadeia, que pode levar as células à morte ou ao dano permanente.

É o equilíbrio entre essas duas situações que mantêm as células sadias e que extermina as células doentes.

Mas, como em tudo na vida, onde há excesso, pode ocorrer dano também, dependendo das características genéticas da pessoa que está se tratando com o antioxidante.

A pesquisa

Pensando nos benefícios de uma determinada proteína, o dissulfeto isomerase, foi pesquisada a sua ação no remodelamento dos vasos sanguíneos e na prevenção do seu estreitamento excessivo. Esta pesquisa demonstrou tanto os benefícios quanto as contraindicações do uso de antioxidantes, levantando uma questão séria ao consumo irrestrito destes como suplementos alimentares, e foi orientada pelo Professor Francisco Laurindo, do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Biomedicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e alguns pesquisadores de outras instituições.

“Quando sofremos um corte na pele, os fibroblastos secretam colágeno e o tecido cicatriza por constrição – por isso a cicatriz fica com aquele aspecto repuxado. A maioria dos tecidos cicatriza dessa maneira, mas o vaso sanguíneo não pode cicatrizar exatamente da mesma forma para não fechar. Suspeitamos que a proteína dissulfeto isomerase participa do mecanismo que mantém o vaso aberto durante a cicatrização”, disse Laurindo.

Nem sempre benéfico

O ácido lipóico, por exemplo, é um poderoso antioxidante muito vendido como suplemento alimentar, e considerado bastante seguro. Porém, em laboratório foi constatado que, quando usado por portadores da síndrome de Marfan -distúrbio genético que afeta o tecido conjuntivo em 1 a cada 10 pessoas - o ácido lipóico pode ajudar no aumento da dilatação e do rompimento da aorta, o que o torna potencialmente perigoso.

Claro, essa conclusão resulta de experimentos laboratoriais com roedores portadores de condição similar à síndrome de Marfan humana, mas de por si, já levanta o alerta, certo? Principalmente levando em conta a popularidade dos suplementos alimentares em nossa sociedade, principalemente pelos espeortistas.

As informações já obtidas pelos pesquisadores requerem maior aprofundamento em outras pesquisas, mas para já, as cobaias de laboratório acusam essa disparidade.

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Fonte foto: wikipedia.org