Conheça histórias de alguns guerreiros atletas olímpicos Rio2016

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Ser atleta já requer muita tenacidade, coragem, desprendimento e compromisso. Muitos dos nossos atletas vêm de famílias pobres - quantos mais teríamos se o Estado oferecesse, realmente, condições de que eles surgissem, não?

Como já dissemos no artigo sobre as atletas mulheres guerreiras, com medalhas ou não, que mostraram força e capacidade, fazendo das tripas o coração, suando sangue e lágrimas e que, tantas vezes nos dão a alegria de uma vitória mas, não são as vitórias, efêmeras, que nos dizem sobre a vida, real, dos atletas.

Aqui vou falar de alguns, brasileiros ou não, que demonstram, na prática, que fazer esporte de verdade é só para gente de garra, abnegados que acreditam na sua arte.

Histórias de meninos, homens, que são atletas, guerreiros e olímpicos

Robel Kiros Habte é etíope, tem 24 anos, meio gorduchinho e feliz da vida por estar na Rio 2016. Como ele diz, é o único nadador profissional da Etiópia, um país que produz, tradicionalmente, corredores de longa distância. Trabalha como treinador, para poder sobreviver, e treina sozinho. "Acho que a Olimpíada é o sonho de todos os atletas. É assim para mim. Eu treinei em Milão há dois ou três anos. Competi muito por lá, e isso ajuda a explicar a evolução". E pronto, nadou mal mas saiu feliz da piscina, e foi aplaudido.

Isaquias Queiroz, é baiano de Ubaitaba. Sua vida é recheada de “quase morreu” desde pequeno. Tem um rim a menos que perdeu ao cair de uma árvore. Foi sequestrado, se queimou com água quente e sua mãe, Dona Dilma Queiroz, sempre viveu com o “credo” na boca. Mas aí está esse menino, hoje campeão mundial de canoagem de velocidade. Isaquias trabalhava na feira, fazendo carreto, para ajudar em casa. Já treinava mas, quase sem tempo, tinha de trabalhar. O treinador fez “vaquinha”, juntou 50 reais por mês, essa foi a bolsa de esportes que Isaquias teve durante um bom tempo. Passou a treinar mais e, a fazer bicos nas horas vagas - 9 irmãos era demais para Dona Dilma sustentar sozinha.

Matheus Santana é carioca, filho de um funcionário dos Correios e é o melhor atleta brasileiro em natação. Ele já é campeão olímpico júnior e recordista mundial da categoria e hoje se apresenta pela UNISANTA, de Santos, São Paulo, onde treina e estuda. Matheus é diabético, insulino dependente e um grande nadador morenaço.

Felipe Wu, medalha de prata no tiro com pistola de ar 10 m, é militar, sargento, paulistano e míope. Felipe tem uma história incrível de superação, treinou sozinho no quintal de sua casa adaptando-se à falta de recursos materiais para treinar devidamente. Apesar do preconceito (nossa sociedade identifica a arma somente à violência e não ao esporte), Felipe é um campeão olímpico, a nossa primeira medalha na Rio2016 e espera que o feito mude nossa visão e traga investimento para este esporte olímpico. 

Chris Mears, na Rio2016, o britânico de 23 anos venceu a medalha de ouro no nado sincronizado com seu parceiro Jack Laugher, depois de quase ter morrido. O atleta foi infectado pelo vírus Epstein-barr, teve rompimento do baço, entrou em coma e os médicos lhe deram 5% de chance de sobreviver à doença. Sua história tem medalha de ouro mas Chris só por não ter desistido e continuar a competir, já seria considerado um campeão. 

O esporte é isso, histórias de superação, exemplos de vida, garra e determinação. E estes são apenas alguns casos, todo atleta é um vencedor.

Leia um pouco sobre as histórias de Daniele Hypolito, Flávia Oliveira e Marta Vieira, da Rafaela Silva, da Oksana Chusovitina, da Yusra Mardini, histórias que me comoveram e que traduzi, a emoção, em artigos aqui para o Greenme Brasil. Mas, temos também histórias pesadas, que não têm a ver com a origem de classe mas sim com experiências vividas que poderiam ter matado a vontade de seguir em frente: falo aqui da história de vida da Joana Maranhão, que venceu, a pulso, o trauma de ter sido estuprada aos 9 anos de idade pelo seu treinador (Joana treina desde os 3 anos de idade, veja só) . É preciso ser “muito gente” para superar esse tipo de vivência. Parabéns, Joana, você tem, na vida, todas as medalhas que precisa e a da natação, chegará na hora certa, não se aperreie, menina.

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