Educação é essencial e o Brasil sabe disso: 15M – Manifestações em todo o país

Desde junho de 2013, o Brasil não via uma manifestação autêntica reunindo milhões de jovens defendendo um direito. Se, naquele momento, os jovens defendiam o direito de ir e vir, exigindo que a tarifa de transporte público não aumentasse R$ 0,20, nessa quarta-feira (15), jovens e todos aqueles que acreditam em um projeto educacional para o Brasil saíram às ruas para evitar o corte de 30% dos recursos das universidades e institutos federais.

O 15 de maio, conhecido como 15M, já entrou para a História do Brasil como o Dia Nacional da Greve pela Educação. A data não só foi um ato em defesa da educação, mas também uma mobilização contrária à reforma da previdência. Secundaristas, universitários, pós-graduandos, professores e trabalhadores da Educação estiveram juntos, em várias cidades brasileiras, em uma verdadeira mobilização nacional. Segundo a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias, a expectativa é de que a sociedade apoie e participe dos atos, informa a Rede Brasil Atual.

O governo federal vem vinculando o argumento equivocado de que a aprovação da reforma da previdência evitaria os cortes na pasta do Ministério da Educação. Entretanto, se isso fosse mesmo verdade, tal medida seria implementada a partir de 2020, e não já em 2019.

Pesa ainda a mesma artimanha usada durante a campanha presidencial de 2018: as fake news. Na última semana, imagens de desrespeito aos trabalhadores e estudantes das universidades federais se multiplicaram no Whatsapp. As imagens mostravam festas em que apareciam, supostamente, pessoas nuas e usando drogas dentro das universidades. Entretanto, tais imagens foram desmascaradas, pois elas sequer eram brasileiras.

charge gilmar

Após quatro meses de um governo complicado, as ruas desafiaram o presidente Jair Bolsonaro. Ontem foi o primeiro protesto nacional contra o seu governo. As imagens das manifestações em todo o país mostram o descontentamento popular com os cortes na educação, com a reforma da previdência, contra o armamento, contra os casos de corrupção envolvendo a família Bolsonaro, entre eles, o caso Queiroz.

Pressão contra o governo

O presidente Bolsonaro, que está Dallas, nos EUA, questionou a legitimidade do movimento:

“A maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil”. A resposta das ruas foi imediata. Cartazes com a fórmula da água apareceram nos protestos junto com B17, a fórmula da ignorância. Outros cartazes diziam: “melhor ser um idiota útil do que um idiota inútil”.

formula agua bolsonaro

Já o ministro da Educação, Abraham Weintraub, passou a tarde dessa quarta-feira respondendo a parlamentares na Câmara dos Deputados sobre o corte orçamentário para a educação. Foi mais uma derrota do governo casa, já que houve 307 votos favoráveis à convocação e 82 contra, informa O Globo.

De acordo com o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB): “o povo brasileiro” quer saber “qual é o projeto de Educação do governo para o Brasil”, após O MEC cortar R$ 7,4 bilhões de seu orçamento para atender a equipe econômica do governo, comandada pelo ministro da Fazenda, Paulo Guedes.

Junho de 2013 x Maio de 2019

O blog do Sakamoto fez uma análise comparativa entre os dois movimentos que levaram tantos jovens para as ruas. De acordo com institutos de pesquisa, a maioria dos jovens de 2013 não voltaram para as ruas para defender ou criticar o impeachment, o que significaria que os estudantes não se viram representados pelas narrativas do impeachment.

O que aconteceu, então, que levou os estudantes secundaristas e universitários para as ruas em 2019, considerando que Bolsonaro tem estrutura e recursos para influenciar o debate público nas redes sociais? Sakamoto analisa que a insatisfação a um governo é um motivo muito mais forte para sair à rua do que para defendê-lo – sem falar na dificuldade de controlar “as variáveis que compõem o imponderável”.

Já sabemos que processos as jornadas de junho desencadearam. Agora vejamos o que a mobilização de ontem causará para o Brasil. Que seja a manutenção da educação e da previdência, direitos sociais assegurados pela Constituição, pelos quais temos que lutar juntos.

A sociedade brasileira mostrou, ontem, que está unida para não abrir mão de nem um direito!

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.