O poder pacificador da mulher: na Venezuela um exemplo de competência e coragem feminina

Catuche, Caracas

Uma reportagem feita pela BBC Mundo conta como foi que em Caracas, Venezuela, as mães de filhos mortos pelo crime conseguiram acabar com a violência no bairro em que vivem.

Na semana passada, como soubemos, um menino de 10 anos foi morto pela polícia enquanto roubava um carro. As investigações estão correndo mas notícias deste tipo, infelizmente vemos todos os dias pois, a dura verdade é que nossas crianças são delinquentes de pai e mãe, nasceram em um contexto tão violento que difícil mesmo, senão impossível, seria ver uma daquelas crianças se formando doutor. Como evitar que as crianças caiam e morram no crime?

Caracas, Venezuela, a cidade mais violenta do mundo em 2015, tem um exemplo para dar. Ali algumas mães chegaram a perder até 5 filhos para o crime e, ao invés de facilitarem a vida criminosa dos filhos (como muitas fazem escondendo suas armas por exemplo e apoiando em algum modo), elas começaram em 2016 uma espécie de acordo de paz entre os dois bandos rivais no bairro central de Catuche. Desde então apenas um homicídio foi registrado até agora.

Como tudo mudou?

Com uma mudança cultural, claro. As mães são aquelas que cuidam, e muitas vezes sozinhas, de seus filhos, e naquela localidade elas deixaram de ser cúmplices dos crimes da sua prole e conseguiram criar uma cultura de paz onde antes reinava a cultura do malandro.

 
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Tudo começou com o trabalho social de uma associação católica chamada Fe y Alegría que conseguiu, graças à assistente social Doris Barreto, marcar uma reunião apenas com as mães das duas facções criminosas. Da reunião surgiu um acordo pela paz assinado pelos integrantes dos dois bandos, ou seja, as mães foram as entidades pacificadoras que conseguiram o que o Estado não consegue: fazer com os criminosos respeitassem as regras pela paz dentro do bairro, exatamente como os filhos obedecem suas mães dentro de suas casas.

Mas para isso, precisa mesmo coragem e muita vontade de não ter nunca mais que ver, um filho seu assassinado. Será que o exemplo pode servir ao Brasil?

A reportagem completa pode ser lida aqui.

Foto: Fabiola Ferrero para El estímulo.

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