E se o jornalista dinamarquês fosse ecologista?

jornalista dinamarquês fosse ecologista

Em recente artigo, um suposto jornalista dinamarquês, supostamente chamado Mikkel Jensen, causou um verdadeiro rebuliço ao relatar sua suposta visão sobre a Copa no Brasil. Durante dois anos ele esteve trabalhando na capital do Ceará, Fortaleza, para a cobertura do evento, mas declarou que teria desistido do trabalho e que ria embora do país, por conta de todos os problemas socioeconômicos que percebeu à sua volta.

O suposto relato fez sucesso pelo fato de um estrangeiro falar mal da gente, o que já se verificou em tantas outras ocasiões que é o tipo de coisa que faz sucesso e vira viral. Ocorre que, talvez a história do jornalista seja falsa, talvez ele nem exista ou de qualquer forma, alguma coisa foi muito mal contada embora muito bem propagada pois, a revista que veiculou primeiramente o relato é uma das maiores do país.

Contudo, para nós, o grande fato que resta a respeito dessa história, é uma confrontação entre o sonho de sediar um grande evento e a realidade, que é bem diferente daquela que fora apresentada, na candidatura do país como sede da Copa do Mundo de 2014.

Olhando friamente, acreditar nesse “sonho” seria, no mínimo, inocência, uma vez que, se considerarmos o caso da África do Sul – sede da competição em 2010 –, também um país em desenvolvimento como o Brasil, seus legados da Copa foram desastrosos, inclusive ampliando as desigualdades sociais naquele país e promovendo danos ambientais, uma vez que o turismo não contou com uma fiscalização adequada.

Em suma: construtoras lucrando exorbitantemente, sustentabilidade em segundo plano, mão de obra em subempregos, violência controlada artificialmente por forças armadas etc. Esse é o legado da Copa da África. Parece familiar ao Brasil, não?

Por aqui, em especial no Rio de Janeiro, temos um problema extra, uma vez que apenas dois anos separam a Copa – que terá algumas partidas com sede na capital carioca – e os Jogos Olímpicos de 2016 – integralmente realizado na cidade.

Além disso, os estádios brasileiros que, à louvável exceção do Mineirão, em Minas Gerais, foram superfaturados e feitos com atraso acabaram por comprometer todos os fatores que consideravam os parâmetros de sustentabilidade previstos inicialmente.

O que tem sido feito – no geral, e também no setor do meio ambiente – não é nem perto do aceitável, quem dirá do verdadeiramente necessário para que possamos nos orgulhar: aeroportos em reformas intermináveis, taxas de violência em alta, política de gentrificação, poluição de lagoas e da Baía de Guanabara – ambos locais que serão palco de competições olímpicas – enfim, quem tem alguma dúvida de que a “herança" da nossa Copa também será "maldita”?

Resta saber se povo brasileiro irá primeiramente torcer por seu país. E se o Brasil vencer a competição, será que iremos esquecer todos os problemas pelos quais passamos na preparação do evento?

Fonte foto: placar.abril.com.br