Anistia Internacional demanda a redução de homicídios no Brasil

Anistia Internacional demanda a redução de homicídios no Brasil

Na última terça-feira, 24, o relatório da Anistia Internacional apresentou um pedido ao Brasil: que o governo agilize um projeto nacional para a redução do número de homicídios no país. Segundo os dados do documento, 154 pessoas morrem todos os dias, assassinadas.

Ainda de acordo com o relatório da Anistia, o Brasil, sozinho, é responsável por 10% dos assassinatos que ocorrem ao redor do mundo. Entre os elementos que reforçam esse índice de mortes estão o péssimo sistema prisional, o atendimento público falho e a violência policial.

Algumas das comparações são assustadoras: de 2004 a 2007 morreu mais gente por homicídio em território nacional, do que nas 12 zonas de guerra atuais. Brasileiros que perderam a vida por causa da violenta somam 192 mil, bem mais do que os 170 mil que morreram por causa da guerra.

O Brasil está precisando ouvir de instituições como a Anistia Internacional, que o esquema atual não está dando certo. Ao invés de reeducar os prisioneiros para que estes saiam recuperados de seus crimes contra a sociedade, a prisão se tornou uma espécie de escola do crime.

Os jovens que caem no mundo da contravenção, uma vez pegos, são encaminhados aos presídios e lá aumentam a rede de contatos, fazem parcerias, entram para serviços de crime organizado, enfim, como se estivessem mesmo em uma escola.

E quanto mais repressão, pior.

Mas pior mesmo é ler com tanta frequência, nas redes sociais e nos comentários às notícias do cotidiano sobre a violência que nos assola, o apoio da população à ideias inconstitucionais como a pena de morte.

Não estamos falando sobre defender bandido, como a nossa sociedade costuma "dividir-se", mas em colocar algumas questões básicas para tentar entender que nem sempre, nem sempre, repetimos, o bandido - pobre, favelado - é o culpado pela situação de degrado em que se encontra. Os nossos governos contribuem muito para que as coisas estejam como estão. Como podemos esperar que um favelado, nascido e crescido em uma situação quase desumana, onde dignidade não existe pois nem saneamento básico existe, se torne um engenheiro? Façamos outras perguntas ou bastaria esta?

Leia também: Aumentam os assassinatos de adolescentes no Brasil

Fonte foto: freeimages.com