Abaixo-assinado pela preservação dos museus brasileiros

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Museu Nacional

Foi com muita tristeza e indignação que recebemos a notícia do incêndio ocorrido no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Tristeza por termos perdido peças tão valiosas para as culturas brasileira e mundial e indignação por ter ficado mais ainda em evidência o descaso do poder público com as instituições que cuidam do nosso patrimônio cultural.

Segundo publicação do site Huffpost, o diretor de Preservação do museu, João Carlos Nara, afirmou à Agência Brasil que o incêndio provocou um "dano irreparável" não apenas ao acervo do museu como também às pesquisa nacionais que nele eram realizadas. Cerca de 20 milhões de itens integravam o acervo do museu, entre eles, o fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil, conhecida por Luzia, que integrava a coleção de Antropologia Biológica. Sem falar da própria edificação arquitetônica e o seu valor histórico. Foi no prédio do Museu Nacional que a princesa Leopoldina assinou a declaração de independência do Brasil, em 1822, dentre outros eventos políticos fundamentais para os rumos do país.

É preciso que fique claro que o incêndio no Museu Nacional não foi um acidente, mas sim um crime, decorrente de anos de descaso dos governos brasileiros e em especial do atual, que congelou por 20 anos os investimentos públicos. Como lamentou Nara: "Gastam milhões em outros projetos", e com isso a cultura fica em segundo plano.

Para piorar a situação já lamentável, oportunistas de plantão deram declarações desastrosas sobre o incêndio, deixando evidente o descaso da classe política com os temas educação e cultura.

Internacionalmente, o episódio causou comoção. Diversos museus de todo o mundo manifestaram o seu pesar sobre a tragédia imensurável e se colocaram à disposição em ajudar no que for possível.

Mas, infelizmente, o que foi consumido pelas chamas não renascerá das cinzas como uma fênix. Ao site português Público, Eduardo Viveiros de Castro, um dos mais importantes antropólogos brasileiros, falou o seguinte sobre a importância do Museu Nacional:

“O Museu Nacional talvez fosse o lugar mais importante do Brasil em termos do seu valor como património cultural e histórico, não só brasileiro como mundial. (...) Foi destruída toda a colecção de etnologia indígena, inclusive de vários povos desaparecidos, foi destruída toda a biblioteca do sector de Antropologia, e foi destruído o Luzia, o fóssil humano mais importante e antigo das Américas. É uma perda que não tem como reverter, não há nada que se possa fazer que mitigue, que amenize essa situação”.

Por causa dessa perda inestimável e irreversível, a sugestão do antropólogo é que não seja construído nada no lugar, para que não seja escondido o que aconteceu, mas sim que seja feito um memorial, a fim de que todos se lembrem do museu e das causas do seu incêndio.

Assine o abaixo-assinado

Como o Museu Nacional era muito frequentado, a consternação social foi grande. Um abaixo-assinado está circulando pela internet denunciando a extinção do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), órgão responsável pelo desenvolvimento de políticas museológicas, para dar lugar à criação da ABRAM, uma agência cujos objetivos parecem indicar que o que passa a valer é a “lei do mercado”. Com isso, seria criado um contrato de gestão sem qualquer reflexão sobre as condições estruturais necessárias para o poder público fiscalizar tal contrato. É a famosa desculpa para a privatização, como se ela fosse resolver os problemas do país também na área da cultura.

Outro problema da ABRAM é que ela reduz a participação da sociedade civil nos órgão colegiados do IBRAM, deixando nas mãos de uma agência contratada a formulação de políticas públicas para os museus.

Para evitar mais essa tragédia, o abaixo-assinado exige a suspensão das Medidas Provisórias n°850 e 851 e a abertura de diálogo com a sociedade civil organizada e com todas as instituições que tradicionalmente representam o setor museológico.

Vamos apoiar e assinar o documento, que está disponível AQUI.

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