Semente de sucupira - chá, óleo, extrato, tintura e garrafada

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Semente de sucupira

A sucupira, Pterodon pubescens, é uma árvore brasileira que ocorre nas regiões de cerrado e de Mata Atlântica em diversos estados do nosso país. No uso popular, é consagrado o chá, as garrafadas e o óleo extraído das sementes, para diversos incômodos, especialmente daqueles acompanhados de dores.

Os povos indígenas usam o chá e a garrafada da sucupira branca e da preta, duas espécies com propriedades medicinais muito semelhantes, para tratar artrose, reumatismo, gripes e catarro, bronquites e pneumonia.

Óleo de Sucupira

Estudos sobre o óleo de sucupira (extraído da casca e das sementes) afirmam que este possui ação antibiótica, antioxidante, antiinflamatória, analgésica, tônica, estimulante, anti-reumática e anticarcinogênica. Na sua composição foram encontrados flavonóides e determinadas proteínas que têm efeito eficiente na redução da dor resultante de artrite e reumatismo.

Outros apontam a presença de antioxidantes e ação broncodilatadora. Alguns estudos apontam o uso da sucupira em tratamento de doença de Chagas. O extrato da semente de sucupira é usado para casos de dores ósseas e problemas de coluna como hérnia de disco, bicos de papagaio e dores das articulações, em geral, em massagens na região dolorida.

Alguns estudos afirmam que o óleo de sucupira é bom no tratamento do câncer prostático.

Receita do chá de semente de sucupira

Você vai precisar de 6 sementes de sucupira e 1,5 L de água. Ferva a água.

Triture bem as sementes. Junte as sementes trituradas na água em ebulição e deixe ferver por dois minutos. Apague o fogo, deixe amornar e coe.

Este chá pode ser bebido, várias vezes ao dia.

Também se pode fazer o chá de sucupira fervendo por 10 minutos alguns pedaços da casca desta árvore com sementes.

O chá de sucupira é usado em casos de artrite, dores em geral, amigdalite, asma, blenorragia, cistos ovarianos e de útero, debilidade orgânica, dermatoses, diabetes, feridas, hemorragias, inflamações, reumatismo, sífilis e verminose.

Recomenda-se que o chá seja tomado fresco e intercalado com copos de água pura (e não ao invés da água, como alguns recomendam).

Batata-de-sucupira

Na raiz da sucupira, formam-se uns nódulos ou tubérculos, conhecidos como batatas-de-sucupira que são indicadas para o controle de diabetes.

Extrato, tintura e garrafada de sucupira

A tintura de sucupira é preparada em álcool de cereais (6 sementes para 1L de álcool, deixar em repouso, em vidro escuro, em lugar protegido da luz solar) e é indicado seu uso diluído, em gotas, 3 a 5 vezes ao dia.

O extrato de sucupira pode-se comprar em cápsulas e, como a tintura, encontram-se nas farmácias de manipulação.

A garrafada de sucupira, forma tradicional de uso, é feita macerando-se 6 sementes em uma garrafa de vinho branco. Deixar em repouso por algumas semanas em local escuro. Tomar um cálice pequeno junto com as refeições. Esta é considerada um tônico bastante eficaz.

Contraindicações do uso da sucupira

Supõe-se que não existam contraindicações para o uso da sucupira nas formas tradicionais - chá, garrafada ou tintura, desde que respeitadas as doses. O mesmo não posso afirmar para o uso do interno do óleo ou do extrato de sucupira já que não existem suficientes estudos publicados sobre os possíveis efeitos adversos.

Pesquisando sobre a questão das contraindicações do uso da sucupira me deparei com duas matérias que falam tanto dos benefícios quanto de riscos do uso desta planta nas formulações habituais - veja: segundo uma especialista da UNICAMP, Mary Ann Foglio, coordenadora da pesquisa "Produtos Naturais Bioativos" afirma que “ainda não existe nenhum estudo científico que comprove a eficácia de suas sementes em seres humanos” e continua dizendo que: "Já fizemos testes do extrato e composto da semente de sucupira para identificar a sua atuação. Foi comprovado que ela funciona para inflamações e câncer de próstata, mas somente em animais. Ela não é segura para uso em seres humanos" (aqui nesta fonte).

"As pessoas que relatam fazer uso do chá podem, sim, ainda não terem tido nenhum problema de saúde, já que as substâncias usadas na bebida não são solúveis em água. Isso faz com que o conteúdo tenha então uma concentração muito pequena das propriedades da semente, podendo não causar toxicidade aguda - envenenamento -, mas também nenhum benefício. Entretanto, o uso repetido pode gerar uma toxidade crônica, que costuma vir disfarçada de diferentes patologias, principalmente no caso de idosos", explica Mary Ann.

A mesma especialista, falando do mesmo projeto da UNICAMP, no vídeo/reportagem que coloco a seguir, no entanto, não ressalta essas dúvidas sobre a segurança do uso medicinal da sucupira e ainda afirma que foram feitos testes de uso da sucupira tanto em células animais quanto em células humanas.

Sempre me fica a dúvida se já não estará a nossa sucupira, baixo pressão da indústria farmacêutica que nela encontrou material para muitos medicamentos e quer abolir o uso popular.

Esta contradição que deixo ao critério dos leitores e na esperança de que novas pesquisas liberem, pela ANVISA, o uso da sucupira, na forma tradicional que vem sendo feita há séculos pela nossa população.

No entanto, uma recomendação sobre o uso é importante: não tome por mais de 15 dias seguidos o chá de sucupira para não provocar desequilíbrio no seu sistema endócrino.

Observação importante

O nome popular, sucupira, é atribuído a outras cinco famílias botânicas diferentes sendo que as mais conhecidas são: Pterodon pubescens (sucupira branca, a estudada), Pterodon emarginatus (estudada para controle de fungos na agricultura), Pterodon polygalaeflorus, sucupiras brancas e, Bowdichia nitida e Bowdichia virgilioides (sucupira preta, também é usada na medicina popular mas não existe qualquer estudo sobre sua composição e efeitos medicinais).

Portanto, se for usar sucupira, que seja da branca, para maior segurança.

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