Suécia lixo
Suécia lixo

Suécia importa lixo para manter ativas suas usinas de incineração que geram energia

O país escandinavo parece estar anos-luz à frente, inclusive de seus vizinhos europeus, quando o assunto é cuidar do meio ambiente. Políticas públicas nesse sentido vêm sendo implementadas desde o início da década de 1990, a exemplo da instituição de impostos pesados sobre a produção de combustíveis fósseis, o que resultou em uma matriz energética 50% baseada em fontes renováveis de energia.

A política nacional de reciclagem da Suécia envolve uma parceria público-privada, em que as empresas se encarregam da maior parte da importação e queima de resíduos, mas a energia resultante desse processo é destinada à uma rede de aquecimento nacional e gera calor para as residências durante o inverno.

Esse tipo de solução, no entanto, não está livre de controvérsias: o jornal britânico The Independent publicou um artigo, em dezembro de 2016, intitulado de “A verdade sombria por trás do ‘revolucionário’ sistema de reciclagem sueco”.

Nele, a autora questionou os recordes de reciclagem do país escandinavo, alegando que, deixando um pouco de lado a euforia, um olhar mais atento aos dados indicava que o Reino Unido reciclava até mais que a Suécia. Para ela, o país, sim, tem um programa de incineração de resíduos expressivo, fontes de muitos lucros para os empresários envolvidos no setor, mas que não deve ser contabilizado um programa sustentável de reciclagem, uma vez que transforma em cinzas materiais que poderiam ser reaproveitados, mas são substituídos, gerando a necessidade de mais matéria-prima.

A importação de lixo de outros países tem o objetivo de impedir que as usinas de incineração fiquem ociosas, o que volta a ser alvo de críticas hoje. As autoridades do país anunciaram que a situação é temporária.

Em favor da Suécia, no entanto, há outros fatos: vem de longa data a prática de compensar financeiramente o consumidor que retornasse embalagens recicláveis para os locais adequados: isso acontece com as latas de alumínio desde 1984 e com as garrafas plásticas, desde 1994. De acordo com fontes oficiais do governo, isso permite que 1,8 bilhão de garrafas e latas sejam reciclados anualmente.

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Sobre Daia Florios

Daia Florios
Ingressou no curso de Ecologia pela UNESP e formou-se em Direito pela UNIMEP. É redatora-chefe e co-founder de GreenMe Brasil.

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