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Criminoso: Brasil pode virar o primeiro país “fora da lei do clima”

Na semana passada, o candidato democrata à presidência, Joe Biden, fez pronunciamento em Wilmington, Delaware, afirmando que os Estados Unidos voltarão ao Acordo de Paris, tratado que rege medidas de redução de emissão de gases estufa para conter o aquecimento global.

“Hoje, a administração Trump deixou oficialmente o Acordo Climático de Paris. E em exatamente 77 dias, o governo Biden se reunirá a ele”,

afirmou Biden, enquanto os votos ainda estão sendo contados em uma disputa acirrada contra o atual presidente Donald Trump, embora as agencias públicas do governo já declarem Biden tecnicamente vencedor e a maioria dos líderes mundiais já tenham reconhecido a vitória antecipadamente.

Trump anunciou em 2017 que os EUA deixariam o acordo porque ele prejudica a economia americana.

Em 2015, o governo Obama havia se comprometido a reduzir a emissão de carbono em até 28%.

Dentre as medidas anunciadas por Biden, está um plano de US$ 1,7 trilhão para que os Estados Unidos alcancem uma marca de zero emissão de carbono até 2050.

Criminosos do clima

Essa semana, o site de notícias americano Vox informou que Biden planeja rotular os países que não abordarem as mudanças climáticas como “criminosos do clima”.

Segundo o jornal, Biden apresentou um ambicioso plano climático e sua administração planeja “nomear e envergonhar os fora-da-lei globais do clima” em um novo “Relatório de Mudança Global do Clima”, a fim de “responsabilizar os países pelo cumprimento ou não cumprimento dos compromissos de Paris e por outras medidas que promovam ou minem as soluções climáticas globais”.

E o Brasil pode estar no topo da lista

Durante os debates presidenciais americanos, Biden disse que quer reunir países para arrecadar dinheiro para doar ao Brasil para proteger a Amazônia, ressaltando que haveria graves consequências se o Brasil não parasse com suas políticas de desmatamento.

Aqui no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro, reagiu como de costume, de forma nada diplomática, para se dizer o mínimo, avisando Biden “quando acabar a saliva, tem que ter pólvora”.

Veja a fala do presidente neste vídeo publicado no Twitter:

A fala do presidente rapidamente virou meme, porque todos sabemos que nenhum país deve ameaçar o outro, ainda mais citando pólvora, quiçá quando esse país não tem poderio bélico nem financeiro para suportar uma guerra com os EUA, maior potência do mundo.

Nunca é demais lembrar que o Brasil vem batendo todos os recordes de desmatamento de floresta e queimadas desde 2019, início do governo Bolsonaro.

Nunca é demais lembrar também que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou em reunião ministerial que iria aproveitar a pandemia do coronavírus para passar a boiada e abrir as porteiras para permitir a exploração e degradação ambiental.

Se for confirmada a vitória do Biden, e tudo indica que será, haverá graves consequências se o Brasil não parar com suas políticas de desmatamento.

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Sobre Juliane Isler

Juliane Isler
Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher

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