Fundo trilionário de investimento ameaça desinvestir no Brasil pela sua má gestão ambiental

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Teve grande repercussão internacional a fala do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em reunião ministerial ocorrida dia 22 de abril, dizendo que era preciso aproveitar “o momento de tranquilidade”, enquanto a imprensa está concentrada com a pandemia do coronavírus, para “passar a boiada” e “fazer reformas infralegais de regulamentação e simplificação” da exploração do meio ambiente.

Segundo reportagem do jornal Financial Times, um Fundo Global, formado por um grupo de 29 instituições financeiras que gerenciam mais de US$ 3,7 trilhões em ativos totais, incluindo o Legal & General Investment Management, do Reino Unido e a Sumitomo Mitsui Trust Asset Management, do Japão, fizeram um alerta através de uma carta para a Embaixada Brasileira querendo “ter uma conversa”, um encontro para entender a situação ambiental do Brasil e mencionaram, especificamente, a fala do Ministro do Meio Ambiente.

Na carta, entregue ao governo brasileiro nesta terça-feira, 23, eles afirmam que querem continuar investindo no Brasil, mas que a proteção ao meio ambiente não deve ser uma questão unilateral, que eles querem ajudar a mostrar que o desenvolvimento econômico a proteção do meio ambiente podem ocorrer juntos, porém, eles precisam de um comprometimento do Brasil acerca de ações efetivas para diminuir as queimadas na Amazônia, o desmatamento das florestas e a defesa dos povos indígenas.

Se antes a briga era com as ONGs, agora a briga é com o grande capital.

“Como instituições financeiras, que têm o dever fiduciário de agir no melhor interesse de longo prazo de nossos beneficiários, reconhecemos o papel crucial que as florestas tropicais desempenham no combate às mudanças climáticas, protegendo a biodiversidade e assegurando serviços ecossistêmicos”.

O Fundo Global termina a carta afirmando que está muito preocupado com a situação ambiental no Brasil e que poderá deixar de investir no país caso a situação não seja alterada.

Um gerente de um grupo europeu de gerenciamento de ativos, que assinou a carta, afirmou à reportagem do Financial Times que:

“Não é apenas uma ameaça. Consideraríamos desinvestir. Acreditamos que o Brasil pode enfrentar desafios econômicos estruturais se não ajustar seu curso de ação”.

Na reportagem, o jornal Financial Times, fala que

“o desmatamento na floresta amazônica aumentou no Brasil desde a eleição de Bolsonaro, um ex-capitão do exército de direita, que apóia a abertura das terras protegidas à atividade comercial”.

Não é a primeira vez que o governo brasileiro sofre pressão internacional pela questão ambiental. Ano passado, 251 investidores emitiram uma nota pública, anunciando que estavam preocupados com a situação ambiental no Brasil.

Com o aumento vertiginoso das queimadas na Amazônia e o desmatamento batendo recordes, países europeus ameaçaram deixar de comprar produtos brasileiros enquanto não houvesse redução dos números e aplicação efetiva de medidas protetivas e de preservação do meio ambiente.

O que é um Fundo Global

Antigamente as grandes empresas eram donas de grandes capitais e dominavam o mercado. Hoje em dia, ainda existem grandes empresas, com cifras milionárias, mas a bola da vez são esses fundos de investimento.

Eles cooptam dinheiro de várias partes do mundo e de diversos segmentos. Por exemplo, fundo de professores da Noruega, fundo de médicos da Suécia, eles depositam o dinheiro de suas aposentadorias nesses fundos. Mas não só, empresas e bancos também aportam capital nesses fundos.

Portanto é um dinheiro coletivo com regras, e os investidores se preocupam com o tipo de comportamento, de negócio, que o dinheiro deles possa vir a validar.

Essas regras podem ser inclusivas ou exclusivas, e um dos critérios avaliados é justamente evitar investimento em países que não preservam o meio ambiente, como vem ocorrendo com o Brasil, principalmente no governo Bolsonaro.

Talvez agora, além das ONGs, a força do capital possa ter um peso maior das decisões e medidas ambientais a serem promovidas no país. Resta torcer.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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