Vídeo da praia do Botafogo com águas limpas viraliza, mas será que a poluição foi embora?

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Um vídeo viralizou nas redes sociais essa semana. Nele, uma mulher mostra imagens da praia de Botafogo com águas límpidas e atribui a transparência à falta de poluição devido ao isolamento social.

Mas será que medidas de restrição de circulação de pessoas são responsáveis pela diminuição da poluição e consequente limpeza das águas dos mares cariocas?

Será que águas transparentes estão realmente limpas?

Pode acontecer de águas cristalinas e transparentes estarem totalmente contaminadas com coliformes fecais e outros micro-organismos, por exemplo.

As aparências enganam

Infelizmente, no caso do vídeo, a praia de Botafogo continua contaminada, só que o esgoto e o lixo não estavam visivelmente aparentes.

Segundo o oceanógrafo David Zee, professor da Faculdade de Oceanografia da Uerj, a poluição e o lixo que ficam concentrados no centro da Baía de Guanabara fazem uma barreira para as águas que vêm do oceano e, dependendo da maré, essas águas não conseguem ultrapassar essa “barreira” e escapam por fora, pela orla, chegando nessas praias, a exemplo de Botafogo, Flamengo, Paquetá, com aspecto de “pureza”.

Ele explica que esse paredão de lixo e esgoto ficam presos porque como o local foi assoreado, existe muita areia no fundo da Baía de Guanabara, ou seja, um ambiente perfeito para retenção do lixo.

Problemático vai ser quando toda essa poluição “se soltar” desse solo assoreado do fundo da Baía e atingir a orla, o lixo está lá e uma hora ele vai retornar.

A praia de Botafogo, inclusive, há anos é considerada imprópria para banho pelo Inea, Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro.

A quantidade de coliformes fecais é o principal termômetro utilizado para classificação de uma praia como própria ou imprópria para o banho. Essas partículas estão presentes nas fezes e podem ser prejudiciais à saúde do homem e provocar risco de patologias como disenteria, febre tifoide e hepatite A.

Mesmo assim, no vídeo é possível ver pessoas nadando e brincando nas águas poluídas, podendo ser contaminadas. Fiquem atentos e alertas, mais do que a aparência, consulte os órgãos oficiais para buscar informações sobre a qualidade das águas das praias.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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