Nuvem de gafanhoto passa pela Argentina e pode chegar ao Brasil

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Milhões de gafanhotos jovens estão em migração comendo tudo o que encontram pela frente, numa nuvem que está a cerca de 250 quilômetros da fronteira com o Brasil.

No dia 17 de junho, o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina, publicou no twitter um vídeo mostrando o avanço da nuvem de gafanhotos no país oriundas do Paraguai.

No Paraguai os gafanhotos destruíram plantações de milho e pastagens. O governo da Argentina, através de monitoramento climático, acredita que os insetos estejam seguindo em direção ao Uruguai.

Ainda não há muita certeza da origem dessa praga, sabe-se que ela passou pelo Paraguai e hoje está na Argentina, muito próxima da fronteira com o Rio Grande do Sul, o que vem preocupando as autoridades brasileiras.

Ivo Pierozzi Júnior, doutor em ecologia, participou de um estudo pela Embrapa no final da década de 1980 de um fenômeno parecido ocorrido em Mato Grosso, porém com uma outra espécie do inseto e disse que as infestações são periódicas e fazem parte do ciclo da espécie mas, como vivemos poucas experiências como essa, não é possível afirmar qual a origem da nuvem.

“Vivemos poucas experiências no Brasil para dizer como as espécies de gafanhotos respondem ao ambiente, não dá para definir quais são os ciclos (de surgimento de nuvens)”, explica o pesquisador.

No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou nota, ontem, 23,  informando que recebeu informações do  Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) sobre uma nuvem de gafanhotos da espécie Schistocerca cancellata que encontra-se próximo à fronteira entre os países.

Segundo a nota,

“considerando a proximidade com a região fronteiriça do Brasil, o Mapa emitiu alerta para as Superintendências Federais de Agricultura, com vistas aos órgãos estaduais de Defesa Agropecuária para que sejam tomadas as medidas cabíveis de monitoramento e orientação aos agricultores da região, em especial no estado do Rio Grande do Sul, para a adoção eventual de medidas de controle da praga caso esta nuvem ingresse em território brasileiro”.

A ministra da agricultura Teresa Cristina também publicou um vídeo em seu twitter para explicar a situação:

O Rio Grande do Sul está na entressafra da soja, mas pequenos produtores rurais podem ser afetados radicalmente e perder toda a plantação que serve para sua subsistência. Segundo o governo argentino, em 1 km², até 40 milhões de gafanhotos podem comer o que 2 mil vacas consomem em um dia.

Para os especialistas, o fenômeno da nuvem de gafanhotos, geralmente, surge quando ocorre um aumento exagerado na quantidade dessa espécie em determinada região. O aumento populacional dos gafanhotos está ligado às mudanças climáticas. Em excesso e com fome, eles se aglomeram e se deslocam para procurar alimentos.

No início do ano o continente africano também foi atingido por uma praga de gafanhotos que colocou em risco produtores rurais que perderam toda a sua plantação e os especialistas também apontaram como causa o aquecimento global.

O professor de entomologia da Universidade de Cruz Alta Maurício Pazzini afirmou à RBS TV que a estiagem que o Rio Grande do Sul passou neste verão poder facilitar a chegada dos insetos ao Brasil.

“Se nós tivéssemos na nossa condição ideal de inverno, temperaturas frias, aquele ambiente nosso do Rio Grande do Sul no inverno, consequentemente a gente não teria essas populações porque o nosso frio iria impedir. Como a gente não tem esse frio, e como a gente não tem vento que favorece essa dispersão, a minha perspectiva é muito forte de que isso possa acontecer no estado do Rio Grande do Sul”.

O setor de meteorologia da secretaria gaúcha, informou que o fenômeno é mais comum com a temperatura elevada e há expectativa de aproximação de uma frente fria pelo sul do estado, que deve intensificar os ventos de norte e noroeste,

“potencializando o deslocamento do massivo para a Fronteira Oeste, Missões e Médio e Alto Vale do Rio Uruguai”.

Os especialistas afirmam que após esse ciclo de expansão, a tendência é que os insetos se dispersem e o nível populacional se estabilize. Os gafanhotos podem viver de meses até um ano, tudo varia conforme a espécie, o clima e as condições do enxame.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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